A mudança ganhou ritmo com o preço irregular do café no mercado internacional, na maioria das vezes em declínio, prejudicando os agricultores locais.

Dados da Nairobi Coffee Exchange (NCE) mostram que, em 2019, o preço da saca de café de 50 Kg variou entre 110 e 130 dólares, abaixo dos 230 dólares há apenas dois anos.

A queda nos preços provocou forte impacto na renda dos plantadores de café, com vendas de US$ 30 milhões nos primeiros nove meses de 2019 face US$ 48 milhões em 2018, levando a um declínio maciço na produção, à medida que os agricultores reduzem a área plantada e mudam para culturas mais bem pagas.

Além dos preços baixos, longos períodos de seca e frio e chuvas imprevisíveis afetaram a cafeicultura, aumentando ainda mais o alto custo de produção.

"As pessoas mudaram para avocado e macadâmia porque os preços são bons e o mercado é livre, ao contrário do café onde é preciso vender por meio de cooperativas", disse Andrew Kariuki, morador de Kirinyaga, relata a agência Xinhua.

O Quênia exporta 50 mil toneladas de avocado por ano, com o país atrás apenas da África do Sul no continente.

Negócio da china

Em abril do ano passado, o Quênia assinou um acordo para exportar avocado para a China, tornando-se o único país africano a vender a fruta para o enorme mercado consumidor chinês.

O Ministério do Comércio do Quênia festejou que o mercado chinês absorveria mais de 40% da safra, colocando o país no topo da lista de maiores exportadores.

Na realidade, o acordo estabeleceu barreiras regulatórias e não-tarifárias ao comércio de avocado entre os dois países.

“Geralmente, quando você deseja exportar algo para fora, existem padrões que você precisa cumprir e, quando avaliaram a situação dos avocados, foram encontradas moscas, o que dificultava a exportação em bruto, sendo tomada a decisão de exportar as frutas congeladas”, explica Peter Munya, Secretário de Gabinete do Ministério do Comércio e Industrialização do Quênia.

O acordo exige que as frutas devem ser submetidas a -30 graus Celsius após descascadas e precisam ser mantidas a -18 graus Celsius durante o transporte.

Os termos e condições não diferem de quaisquer barreiras "legais" que visam restringir importações. A China apelou para rigorosos padrões, que podem ser justificados como medidas sanitárias e fitossanitárias, para proteger seus fornecedores de estimação.

Apenas um em cada cem agricultores quenianos conseguiu atender as rigorosas regras do acordo para exportação de avocado para o mercado chinês.

"Esse acordo comercial é um exemplo claro de fraqueza institucional. É uma desconexão entre o governo e a economia em geral, explicando, assim, sua incapacidade de entender os padrões e as necessidades dos produtores"

The East African

* Com informações da Xinhua, The East African

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