O Presidente Vladimir Putin assinou decreto na sexta-feira (5) que proíbe entidades de 49 nações realizar transações com suas ações de empresas russas consideradas estratégicas. A restrição também se aplicará às ações de bancos russos, da qual a lista será preparada nos próximos dez dias.

As ações não poderão ser alienadas até o final do ano e o prazo poderá ser prorrogado.

Sakhalin

O decreto também proibiu transações relacionadas à participação estrangeira no projeto de petróleo e gás Sakhalin-1. Na quarta-feira, a ExxonMobil disse estar "engajada na transição" de sua participação de 30% no projeto "para outra parte".

O empreendimento tem ainda como sócios a estatal russa de energia Rosneft (20%), a japonesa SODECO (30%) e a indiana ONGC Videsh (20%).

Na quinta-feira, a Rosneft culpou a queda na produção de petróleo em Sakhalin-1 à ExxonMobil, operadora do projeto.

Ela disse que nenhum petroleiro deixou o terminal marítimo de De Kastri depois de 6 de maio e que desde então o projeto Sakhalin-1 produziu quase nenhum petróleo.

"Os reservatórios de De Kastri estão 95% cheios, o petróleo não está sendo descarregado (para exportações)", disse a Rosneft, acrescentando que não tinha informações sobre a transferência de participação da Exxon.

A empresa russa informou no mês passado que a produção de petróleo em Sakhalin-1 havia caído para apenas 10.000 barris por dia (bpd). O projeto produziu mais de 220.000 bpd no ano passado, usando dois quebra-gelos para manter as exportações mesmo com o mar congelado no inverno.

Separadamente, um decreto do governo russo assinado em 2 de agosto deu aos investidores estrangeiros no projeto de gás natural liquefeito Sakhalin-2 – Royal Dutch Shell e as japonesas Mitsui e Mitsubishi Corp –, um mês para reivindicar suas participações em uma nova entidade que substituirá o projeto existente.

A estatal Gazprom receberá 50,01% da nova entidade russa que substituirá a empresa Sakhalin Energy e a nova companhia deterá os 49,99% restantes até que os acionistas existentes solicitem participação, com setembro definido como prazo.

O governo do Japão reiterou seu desejo de que as empresas japonesas mantenham suas participações no projeto russo.

"O projeto Sakhalin-2 é extremamente importante para o fornecimento estável de energia para o Japão, e basicamente continuaremos mantendo as participações", disse o ministro da indústria japonês, Koichi Hagiuda, a repórteres na quinta-feira.

A Mitsui e a Mitsubishi, que juntas detêm uma participação de 22,5% no projeto, disseram separadamente que estão examinando detalhes da nova entidade e responderão enquanto cooperam com o governo japonês e entre si.

Tóquio disse que apoiará as empresas comerciais em seus esforços para permanecer no projeto. O Japão importa cerca de 7% de seu gás liquefeito da Rússia, principalmente de Sakhalin-2.

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