O Presidente Putin, em discurso televisado à nação na segunda-feira (11), disse que estava na hora de terminar em todo o país o que ele chamou de "dias não úteis", o recesso decretado na Rússia em 30 de março.

"A partir de amanhã, 12 de maio, o período nacional de dias não úteis terminará para todos os setores da economia".

O presidente lembrou que a Rússia é um país de grandes proporções territoriais, por isso, não será o governo central que determinará um roteiro a ser seguido por todas as regiões, precisando levar em conta a situação epidemiológica particular.

"Não podemos ser guiados por um único plano, porque certas ações em algumas regiões podem criar riscos desnecessários para os cidadãos, enquanto em outras regiões podem levar a restrições inúteis para pessoas e empresas", disse Putin.

O presidente russo deixou claro que o retorno era "condicional", e caberia aos governadores regionais decidir quando e como aliviar as restrições. Seria uma saída cautelosa "passo a passo": "Temos um processo longo e difícil pela frente".

"Se a situação exigir, pode ser que tenham que aumentar as restrições", admitiu.

Grandes eventos públicos permanecem proibidos e as pessoas ainda devem seguir "rigorosas exigências sanitárias", mas é do interesse de todos que a economia "volte ao normal rapidamente", disse, acrescentando que a construção e a agricultura devem estar entre as primeiras atividades a recomeçar.

Contudo, Putin alertou que "o perigo continua".

"Não devemos permitir ... uma nova onda da epidemia e o crescimento de complicações sérias", afirmou.

'É a economia, estúpido!'

Países em todo o mundo estão desesperados para levantar restrições e colocar suas populações de volta ao trabalho. A atividade econômica da Rússia já encolheu um terço desde que o duplo golpe de um colapso do preço do petróleo e o lockdown nacional causou um golpe na economia. A crise anterior em 2014 custou à Rússia cerca de US$ 150 milhões por semana e retirou cerca de meio trilhão de dólares da economia do país.

O "período de folga" do país imposto para conter o vírus durou seis semanas.

Não está claro que efeito o fim da folga oficial terá sobre o desemprego e a renda.

As empresas foram forçadas a interromper suas atividade, mas, ao mesmo tempo, obrigadas a continuar pagando seus empregados.

As grandes empresas russas têm grandes reservas de caixa de até um ano, pois, apesar das reformas no setor bancário nos últimos sete anos, os empréstimos corporativos continuam sendo uma parte muito pequena dos programas de investimentos da maioria das empresas. No entanto, acredita-se que as pequenas e médias empresas (PMEs), e especialmente as pequenas empresas do varejo, como restaurantes, tenham no máximo um mês em dinheiro como capital de giro. Um estudo realizado pelo gigante bancário estatal Sberbank, realizado em abril, constatou que os pagamentos em geral caíram 20%.

Apesar das novas medidas para apoiar as PME introduzidas por Putin, as empresas terão cada vez mais de escolher entre demitir trabalhadores ou ir à falência. O estado está oferecendo empréstimos para PMEs e adiando impostos, mas é improvável que o apoio do estado cubra as perdas decorrentes da dramática queda no movimento no lockdown, que se recuperará lentamente.

Os grandes empregadores têm sido o foco dos programas de ajuda econômica do Kremlin. O governo divulgou uma lista de empresas, públicas e privadas, de todo o espectro econômico, que têm direito à ajuda do estado, a maioria das quais emprega milhares de trabalhadores. Mas as PME terão dificuldade em obter fundos estatais.

E as falências na Rússia estão aumentando. No primeiro trimestre de 2020, cerca de 22.000 pessoas físicas e jurídicas foram consideradas insolventes pelos tribunais russos, um aumento de 70% em relação ao ano anterior.

Somente em março, 67.000 proprietários fecharam seus negócios, um aumento de 77% em comparação com o declínio ocorrido em março de 2019. Da mesma forma, uma pesquisa realizada pelo InFOM em abril revelou que 16% da população já experimentou um declínio significativo na renda. Outros 19% dos entrevistados relataram que sua renda havia caído um pouco, enquanto um terço (33%) espera que a situação piore em maio.

A velocidade que a epidemia tende a desaparecer – a epidemia da China durou 10 semanas do início ao fim – pode limitar o número de falências. No entanto, a cada semana que o lockdown fosse prolongado resultaria em um aumento geométrico no número de falências – algo que poderia levar rapidamente a protestos.

Embora o desemprego tenha sido o mínimo pós-soviético de todos os tempos nos últimos anos, apesar da crise de 2014 e da recessão subsequente, o desemprego na Rússia agora pode saltar para 7-8% da população economicamente ativa, ou 10% no pior cenário, disse o chefe da Câmara de Auditoria, Alexei Kudrin, ao canal de televisão Rossiya 1 em 25 de abril.

“Apesar da transição para um estágio muito grave da crise, temos um número mínimo de desempregados registrados. Temos 0,7% de desempregados da população economicamente ativa. Se adotamos os padrões da Organização Internacional do Trabalho, temos 4,5% de desempregados ”, afirmou Kudrin.

A economia russa não podia esperar que a curva da Covid-19 se achatasse.

Moscou confinada

Apesar da determinação dada por Putin, Moscou seguirá com o regime de confinamento até 31 de maio, segundo já antecipou o prefeito, Sergey Sobyanin.

Cidade mais rica da Rússia, com recursos financeiros incomparáveis ao resto do país, Moscou começou a mostrar estabilização em novas infecções na semana passada, e autoridades disseram que o número de pessoas que receberam alta do hospital finalmente começou a exceder o número de admissões.

Os residentes somente podem sair de casa para comprar mantimentos e medicamentos ou trabalhar e devem ter permissão para viajar.

Embora os trabalhadores da construção e da indústria devam agora voltar ao trabalho na cidade, todos devem usar máscaras e luvas nas lojas e nos transportes públicos.

* Com informações do The Telegraph, bne IntelliNews, The Guardian, EFE

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