O setor industrial acumula -1,7% no ano e -1% em 12 meses, de acordo com a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada nesta terça-feira (5) pelo IBGE.

A queda em março (-9%) foi a mais acentuada desde maio de 2018 (-11%), quando houve a greve dos caminhoneiros, e levou o patamar de produção a retornar a nível próximo ao de agosto de 2003.

Fonte: © IBGE - Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física
Fonte: © IBGE - Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física

O resultado foi impactado pelas paralisações decididas por governos em diversas plantas industriais, resultando em fortes perdas no setor em março face fevereiro, com as quatro grandes categorias econômicas da indústria apresentando quedas na produção: bens de consumo duráveis (-24%), bens de capital (-15%), bens de consumo semi e não-duráveis (-12%) e bens intermediários (-4%).

No confronto com março de 2019, bens de consumo duráveis (-10%) e bens de consumo semi e não-duráveis (-7%) assinalaram os recuos mais acentuados. Os setores de bens de capital (-4%) e de bens intermediários (-2%) também mostraram quedas no desempenho comparados com a produção do ano passado.

Houve queda em 23 dos 26 ramos industriais pesquisados, com destaque para veículos automotores, reboques e carrocerias (-28%), confecção de artigos do vestuário e acessórios (-38%), bebidas (-20%), couro, artigos para viagem e calçados (-32%) e produtos de borracha e de material plástico (-13%).

As atividades que registraram alta foram impressão e reprodução de gravações (+8,4%), perfumaria, sabões, produtos de limpeza e de higiene pessoal (+0,7%) e manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (+0,3%).

Acumulado janeiro-março de 2020

Frente a igual período do ano anterior, o setor industrial mostrou redução de -1,7%, com resultados negativos em 4 das 4 grandes categorias econômicas, 18 dos 26 ramos, 46 dos 79 grupos e 56% dos 805 produtos pesquisados. Entre as atividades, veículos automotores, reboques e carrocerias (-9%) e indústrias extrativas (-6%) exerceram as maiores influências negativas na formação da média da indústria, pressionadas, em grande medida, pelos itens automóveis, na primeira; e minérios de ferro, na segunda.

Destacam-se também as contribuições negativas assinaladas pelos ramos de confecção de artigos do vestuário e acessórios (-11%), de bebidas (-5%), de produtos de minerais não-metálicos (-5%), de couro, artigos para viagem e calçados (-10%), de manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (-11%), de impressão e reprodução de gravações (-23%), de outros equipamentos de transporte (-12%) e de metalurgia (-2%).

Por outro lado, entre as oito atividades que apontaram ampliação na produção, a principal influência no total da indústria foi registrada por coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (+11%), impulsionada, em grande parte, pela maior fabricação dos itens óleos combustíveis e naftas para petroquímica. Outros impactos positivos importantes foram assinalados pelos ramos de produtos alimentícios (+1,3%) e de celulose, papel e produtos de papel (+3%).

* Com informações do IBGE

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