O terceiro levantamento da safra de cana-de-açúcar 2019/20, divulgado pela Conab, a Companhia Nacional de Abastecimento, projeta um aumento de 5% na produtividade dos canaviais brasileiros, em comparação à safra anterior.

Das 642,7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar 2019/20, 65% serão destinadas à produção de 23,6 bilhões de litros de etanol hidratado e 10,2 bilhões anidro, aumento de +4,6%. O restante produzirá 30,1 milhões de toneladas de açúcar (+3,8%).

No ano passado, tanto produção quanto demanda apresentaram recordes no Brasil. Em outubro, as vendas mensais de etanol hidratado no Centro-Sul superaram os 2 bilhões de litros pela primeira vez na história, com proprietários de carros flex ampliando o consumo do biocombustível, mais barato, para escapar dos altos preços da gasolina.

Segundo a ANP, em 2018, foram vendidos 19 bilhões de litros de etanol hidratado, 1,58 bilhão por mês. Em 2019, a média foi de 1,8 bilhão.

Milho

A estimativa é de produção de 1,7 bilhão de litros de biocombustivel de milho. O etanol hidratado (vendido na bomba) alcança 1,2 bilhões de litros, com crescimento de 120%, e o anidro (misturado na gasolina) chega a 500 milhões e aumento de 3%.

De acordo com a Conab, a produção de etanol a partir do milho está  “cada vez mais relevante”, tendo Mato Grosso como o maior produtor, seguido por Goiás e Paraná.

“É um novo negócio. O Brasil tem a possibilidade de fazer etanol de milho e de cana. E, no futuro, teremos condições de fazer um etanol que chamamos de segunda geração, que é o etanol de biomassa. Portanto, é um novo mercado que está se abrindo”, afirmou o coordenador-geral de  Cana-de-Açúcar e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Cid Caldas.

Caldas, no entanto, frisa que nem todas as regiões do país terão condições de se beneficiar desse tipo de produção. “Não dá para dizer  que se produzirá etanol de milho em todo o Brasil, porque isso depende de condições e de preços locais. Mas é um nicho de mercado que está se criando, bastante promissor, e os investimentos que estão sendo feitos nessa indústria são bastante expressivos”, acrescentou.

Ele estima mais de R$ 5 bilhões em investimentos na produção de milho para a extração de etanol, ao longo dos próximos 4 ou 5 anos.

Diferenças na produção de etanol a partir do milho

Segundo o superintendente de Informações do Agronegócio da Conab, Cleverton Santana, a decisão do produtor produzir etanol partir do milho ou da cana está condicionada há muitas variáveis. A principal é o preço da cultura do milho. “Tem também o fato de o milho poder ser produzido na entressafra da cana. Com isso, muitas usinas que estão lá são as que  chamamos de flex, porque produzem etanol ou açúcar a partir da cana, na safra de can,a e na entressafra utiliza-se milho.”

De acordo com Santana, a Conab iniciou estudos comparativos apontando que uma tonelada de milho pode produzir até 420 litros de etanol. “É maior do que a cana, que é uma tonelada para 90 litros. Só que a cana produz muito mais por hectare. Aí a conta inverte, porque enquanto a partir do milho é possível produzir cerca de 2,5 mil litros  de etanol por hectare, a partir da cana, passa de 6 mil litros de etanol por hectare”, ressaltou.

Ainda segundo o Superintendente, há diferenças também durante as etapas de produção dentro das usinas. “O tempo de fermentação para produzir etanol de milho é maior do que para produzir a partir da cana. Com 10 ou 12 horas de fermentação da cana, já é possível extrair o etanol. No caso do milho, é necessário acima de 30 ou 40 horas”.

* Com informações e dados da Agência Brasil e Conab

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