A economia dos EUA enfrenta riscos sem precedentes com a pandemia se os formuladores de políticas fiscais e monetárias não enfrentarem o desafio, disse o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, em um evento virtual organizado pelo Peterson Institute for International Economics.

"O apoio fiscal adicional pode ser caro, mas vale a pena se ajudar a evitar danos econômicos a longo prazo e nos deixar com uma recuperação mais forte", disse.

O Presidente do Fed descreveu o cenário preocupante representado pelas falências em massa e pelo desemprego, ao mesmo tempo em que afirma que os formuladores de políticas podem ter que fazer mais para impedir que isso aconteça. Ele disse que cerca de 40% dos americanos em famílias que ganham menos de US$ 40.000 por ano perderam o emprego em março.

Jerome Powell disse que a crise da Covid-19 suscita "preocupações de longo prazo", alertando que uma recessão prolongada e uma fraca recuperação podem levar a um período prolongado de baixo crescimento da produtividade e renda estagnada.

"Longos períodos de desemprego podem prejudicar ou encerrar a carreira dos trabalhadores, pois suas habilidades perdem valor e os contatos profissionais secam, deixando as famílias endividadas", disse Powell. "A perda de milhares de pequenas e médias empresas em todo o país destruiria o legado familiar e profissional de muitos líderes empresariais e comunitários e limitaria a força da recuperação quando ela vier".

Powell disse que embora a resposta econômica tenha sido "oportuna e adequadamente grande", o caminho a seguir é "altamente incerto" e sujeito a "riscos negativos significativos".

Queda da produção industrial é a maior em 100 anos

A produção industrial total caiu 11% em abril, maior queda mensal nos 101 anos de história do índice, informou o Federal Reserve na sexta-feira (15).

A produção manufatureira caiu 14% no mês passado, seu maior declínio já registrado, já que todas as principais indústrias registraram quedas.

A produção de veículos e peças caiu mais de 70%.

"Nos registros que remontam a mais de um século, a produção industrial nunca havia registrado um declínio maior do que em abril, em meio a amplas paradas de trabalho em fábricas de todo o país para impedir a disseminação da Covid-19", escreveu em nota Tim Quinlan, economista sênior da Wells Fargo Securities.

"Diferentemente das perspectivas para os gastos dos consumidores, que esperamos recuperar em território positivo no terceiro trimestre, as perspectivas para a fabricação não são terrivelmente brilhantes", disse Quinlan.

Enquanto uma reabertura gradual do país estiver em andamento, o setor manufatureiro ainda sofrerá atrasos dos fornecedores, já que "as cadeias de suprimentos globais estão enfrentando um teste muito pior do que qualquer desaceleração econômica anterior ou impasses criados por um desastre natural localizado", observou o economista.

"Prevemos que a produção industrial permanecerá em território negativo durante todo o curso de 2020, antes de melhorar gradualmente em 2021", disse.

Na sexta-feira, o Departamento de Comércio informou que as vendas no varejo dos EUA caíram 17% em abril, em meio a crescentes consequências econômicas das medidas adotadas contra a pandemia.

Tensões de solvência

O sistema financeiro "amplificou o choque" associado à pandemia, afirmou o Fed em seu relatório semestral de estabilidade financeira, divulgado na sexta-feira.

No curto prazo, os riscos associados ao curso do Covid-19 e seu efeito sobre as economias dos EUA e do mundo "permanecem altos", segundo o relatório.

"Intervenções precoces e eficazes foram eficazes na resolução de tensões de liquidez, mas estaremos monitorando de perto as tensões de solvência entre os tomadores de empréstimos altamente alavancados, que poderá aumentar quanto mais tempo a pandemia da Covid-19 persistir", disse o governador do Fed, Lael Brainard, em comunicado na sexta-feira.

* Com informações da Bloomberg

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