O Wuhan Union Hospital, um dos primeiros a tratar pessoas com coronavírus, disse à família de um paciente internado que não pode mais realizar uma cirurgia de transplante porque não possui médicos e produtos sanguíneos suficientes.

O caso está entre milhares de pacientes que precisam urgentemente de tratamento médico em Wuhan. Eles incluem pessoas com câncer e condições como asma brônquica e epilepsia. Alguns desses pacientes desesperados têm postado mensagens em redes sociais buscando ajuda de outras partes do país.

O South China Morning Post destaca a situação dramática do paciente Fu Daoshun, 81 anos, cujo tratamento diário de uma trombose grave foi interrompido pelo Hospital Puai. Designado como um centro para o tratamento de casos de coronavírus, o hospital não tem mais recursos para tratar pacientes como Fu.

A neta de Fu Daoshun disse que só resta ao avô ficar na cama.

"É muito doloroso para ele andar depois de passar dias sem as injeções para aliviar a dor, e agora é muito perigoso para ele ir ao hospital de qualquer maneira, porque poderia facilmente pegar o vírus", disse Fu Yufen. "E como a cidade está trancada (lockdown), não podemos visitar. Então minha avó, que também é muito velha, tem que cuidar dele sozinha".

Especialistas em saúde argumentam que, embora os pacientes com coronavírus tenham recebido prioridade, pessoas com outras doenças crônicas e agudas também precisam de apoio.

Tang Shenlan, professor do Departamento de Ciências da Saúde da População da Faculdade de Medicina da Universidade Duke e vice-diretor do Instituto Global de Saúde Duke nos EUA, disse que embora haja progresso desde o início da reforma do sistema de saúde chinês em 2009, com mais pessoas agora cobertas pelo seguro de saúde, "a reforma dos hospitais públicos na China fracassou".

"A China precisa de uma revolução, não de uma reforma, de seu sistema de saúde - incluindo financiamento e provisão de serviços de saúde clínica e pública", disse Tang, que redigiu a proposta da Organização Mundial da Saúde para reforma do sistema de saúde da China como consultor sênior da OMS há mais de uma década.

Yao Zelin, professor da East China Normal University, em Xangai, disse que o sistema médico precisa ser melhorado na base.

“A China enfatizou a criação de grandes hospitais, mas não a rede de clínicas, o que significa que durante uma emergência, como o surto de coronavírus, apenas os grandes hospitais podem ser usados para combater a epidemia, e o aumento de pacientes rapidamente absorve todos os os recursos”, disse Yao.

* Com informações do South China Morning Post

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