Atualização 09/09 - Nas últimas 24 horas:

- A Liga Árabe se recusou a condenar o acordo de paz Israel-Emirados Árabes Unidos.

- Foi reportado que a Arábia Saudita e Bahrain permitirão que todos os voos partindo ou com destino a Israel voem em seus espaços aéreos.

- Abu Dhabi orientou todos os hotéis a começarem a oferecer comida kosher.

Desde 2018, a Arábia Saudita permite que os voos da Air India para Israel usem seu espaço aéreo, mas não as companhias aéreas israelenses, que precisam fazer um longo desvio pelo Mar Vermelho.

O Channel 12 disse que a Arábia Saudita autorizou o uso de seu espaço aéreo após receber um pedido de Washington e só concordou em fazê-lo porque uma delegação americana de alto escalão estaria a bordo do avião.

"É a primeira vez que isso acontece e quero agradecer ao Reino da Arábia Saudita por torná-lo possível", disse Kushner após aterrissar em Abu Dhabi.

O vôo 971 da El Al transportou as delegações de alto nível israelense e norte-americana a Abu Dhabi para dois dias de negociações sobre os detalhes civis e econômicos do acordo de normalização.

O voo de retorno, ELY 972, está previsto para terça-feira. Os números dos voos são uma referência aos respectivos códigos de chamada DDI dos países: +971 para os Emirados Árabes Unidos e +972 para Israel.
O voo de retorno, ELY 972, está previsto para terça-feira. Os números dos voos são uma referência aos respectivos códigos de chamada DDI dos países: +971 para os Emirados Árabes Unidos e +972 para Israel.

Entre os americanos, estavam no avião Jared Kushner, o Conselheiro de Segurança Nacional Robert O'Brien, e o enviado dos EUA ao Irã, Brian Hook.

Entre os membros da delegação israelense estavam a bordo o Conselheiro de Segurança Nacional Meir Ben Shabbat, o Secretário de Gabinete Tzachi Braverman, o Diretor Geral do Ministério da Saúde Prof. Chezy Levy, o Diretor Geral do Ministério da Ciência e Tecnologia Shai-Li Spiegelman, o Diretor Geral do Ministério da Economia e Indústria David Laffler, o Diretor Geral da Autoridade de População e Imigração Prof. Shlomo Mor-Yosef, Diretor Geral do Ministério de Cooperação Regional Yosef Drazhnin, chefe da Direcção Nacional de Cibernética Yigal Unna, Cientista Chefe e chefe da Autoridade de Inovação Dr. Amiram Applebaum, Diretor da Autoridade de Aviação Civil Yoel Feldasho, Supervisor dos Bancos Israel Yair Avidan, Chefe do Ministério das Finanças Shira Greenberg, Subdiretora Geral do Ministério do Turismo Pini Shani, Chefe da Autoridade de Cultura do Ministério da Cultura e Esportes Galit Wahabe Shasho.

Normalização

Emirados e Israel anunciaram em 13 de agosto um acordo para normalizar suas relações, oficiosas há vários anos. O país se tornou o primeiro da região do Golfo a estabelecer relações com Israel e o terceiro do mundo árabe, após os acordos assinados pelo Egito, em 1979, e Jordânia, em 1994.

O presidente Donald J. Trump, acompanhado por altos funcionários da Casa Branca, faz uma declaração anunciando o acordo de normalização total das relações entre Israel e os Emirados Árabes Unidos na quinta-feira, 13 de agosto de 2020, no Salão Oval da Casa Branca. (Foto oficial da Casa Branca por Joyce N. Boghosian)
O presidente Donald J. Trump, acompanhado por altos funcionários da Casa Branca, faz uma declaração anunciando o acordo de normalização total das relações entre Israel e os Emirados Árabes Unidos na quinta-feira, 13 de agosto de 2020, no Salão Oval da Casa Branca. (Foto oficial da Casa Branca por Joyce N. Boghosian)

No sábado (29), os Emirados Árabes Unidos encerraram formalmente seu boicote econômico a Israel, em vigor desde 1972, depois que o Presidente dos Emirados Árabes Unidos, Sheikh Khalifa bin Zayed Al Nahyan, que também é o governante de Abu Dhabi, assinou um decreto oficial. Ele abre caminho para que empresas e organizações israelenses e emiratenses construam laços em comércio, finanças, turismo e tecnologia de forma mais aberta. Laços silenciosos entre os Emirados Árabes Unidos e Israel já existem há várias décadas.

“Após a abolição da lei de boicote de Israel, indivíduos e empresas nos Emirados Árabes Unidos podem entrar em acordos com entidades ou indivíduos residentes em Israel ou pertencentes a ele por sua nacionalidade, em termos de operações comerciais, financeiras ou quaisquer outras negociações de qualquer natureza", informou a agência de notícias estatal WAM dos Emirados.

“O decreto da nova lei faz parte dos esforços dos Emirados Árabes Unidos para expandir a cooperação diplomática e comercial com Israel”, relatou ainda o WAM, e estabelece “um roteiro para o lançamento da cooperação conjunta, levando a relações bilaterais, estimulando o crescimento econômico e promovendo a inovação tecnológica”.

O decreto foi recebido calorosamente em Jerusalém. “Saúdo a decisão do Presidente dos Emirados Árabes Unidos, Sheikh Khalifa bin Zayed, de cancelar a lei sobre o boicote de produtos de Israel e os contatos econômicos com israelenses. Este é um passo importante na promoção da prosperidade e da paz na região”, disse Netanyahu em um comunicado divulgado no final do sábado.

“O anúncio para normalizar totalmente os laços entre Israel e os Emirados Árabes Unidos tornou pública uma relação oculta que existe nas últimas décadas”, disse Yohanan Plesner, Presidente do Instituto de Democracia de Israel, em um comunicado à imprensa. “Ao contrário da ‘paz fria’ com o Egito e a Jordânia, esta relação inclui a possibilidade de comércio mutuamente benéfico entre os dois países e uma troca genuína de idéias e até mesmo turismo entre os dois povos”.

A Casa Branca disse que Israel e os Emirados Árabes Unidos devem anunciar "acordos bilaterais sobre investimento, turismo, voos diretos, segurança, telecomunicações, energia, saúde, cultura, o estabelecimento de embaixadas recíprocas e outras áreas de benefício mútuo".

Na semana passada, o chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, visitou o Sudão, Bahrein e Omã, com o objetivo de convencer esses países a seguir o exemplo dos Emirados.

* Com informações do NoCamels, The Times of Israel, Channel 12

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