Conte culpou o ministro do Interior e vice-primeiro-ministro Matteo Salvini por provocar uma crise no governo.

O primeiro-ministro criticou as recentes demandas de  Salvini por antecipação das eleições, segundo Conte, para ganhar plenos poderes e conquistar o posto de primeiro-ministro.

O ministro demissionário afirmou que o vice-premiê mostra "grave desprezo pelo Parlamento" e coloca a Itália em risco de uma "vertiginosa espiral de  instabilidade política e financeira" nos próximos meses, criando uma crise desnecessária que afeta um governo em funcionamento.

Salvini, que esteve sentado ao lado de Conte, sorrindo às vezes  enquanto o premiê discursava, começou o debate no Senado dizendo,  desafiadoramente: "Eu faria tudo novamente. Eu não temo o julgamento dos italianos."

Tanto na eleição para o Parlamento Europeu na Itália, há três meses,  como nas mais recentes pesquisas de opinião, a Liga de Salvini subiu em aprovação.

Salvini já havia afirmado no dia 8 de agosto que a coalizão  governista, formada pelo partidos Liga e Movimento Cinco Estrelas (M5S), rachou e que o único caminho para  solucionar o impasse seria realizar novas eleições.

A tensão na coalizão de governo aumentou depois que o Senado derrotou uma moção apresentada pelo M5S visando acabar com um projeto de trem alta velocidade financiado pela União Europeia (UE), que ligaria  Turim à França. O projeto foi apoiado, porém, pela Liga, de Salvini.

Vice-Primeiro-Ministro da Itália Matteo Salvini e o Vice-Presidente dos EUA Mike Pence. (White House 17/06/2019). Foto: D. Myles Cullen
Vice-Primeiro-Ministro da Itália Matteo Salvini e o Vice-Presidente dos EUA Mike Pence. (White House 17/06/2019). Foto: D. Myles Cullen

A votação no Senado expôs o conflito entre as legendas, que há meses  têm tido uma série de atritos. Segundo a imprensa italiana, antes do  embate parlamentar, Salvini já havia imposto várias condições para a  Liga permanecer no governo, incluindo a renúncias dos ministros do  Transporte, Defesa e Economia.

Antes de convocar novas eleições, o presidente  italiano, Sergio Mattarella, deve primeiro verificar se o governo perdeu apoio no Parlamento com a renúncia de Giuseppe Conte.