O líder da CSU acusou o governo alemão de uma estratégia errada para lidar com a Rússia. Agora, há o perigo de que a Alemanha seja desconectada "pouco a pouco" do fornecimento de gás russo, disse Söder, na segunda-feira (4), após uma reunião conjunta do CSU e da Câmara de Indústria e Comércio da Baviera. Ele também repreendeu o governo por ser lento em encontrar fornecedores alternativos de gás.

"Há uma ameaça real de uma enorme emergência energética, uma espécie de triagem de gás, que virá então", alertou o Primeiro-Ministro, e falou de um iminente "inverno congelante", com impacto em milhões de empregos.

A triagem de gás refere-se a uma situação em que não haveria gás suficiente para todos os domicílios e setores econômicos, o que significa que alguns ramos da indústria teriam que restringir a produção.

De acordo com a revista alemã Focus, Söder exigiu do governo que estendesse os prazos para manter conectadas as usinas nucleares alemãs à rede e alocasse fundos orçamentários adicionais para o desenvolvimento de energia hidrelétrica. Ele repreendeu os Verdes pelo fato de que, por razões ideológicas, impediram a extensão da operação das usinas nucleares.

A eliminação da energia nuclear foi inicialmente um acordo entre Gerhard Schröder do SPD e os Verdes em 2000. Tornou-se lei em 2002.

Entre outras medidas, escreve Focus, o país deve se abster de utilizar veículos que funcionam com energia elétrica gerada em usinas de gás. Essa energia deve ser redirecionada para "manter os idosos aquecidos".

Segundo Söder, a atual explosão de preços tornou-se insuportável até mesmo para cidadãos empregados e de renda normal. "É sobre o declínio social", adverte, e exigiu que Berlim reduza os impostos sobre energia e eletricidade.

"Nosso país está ficando sem reservas de energia. Portanto, apartamentos quentes, bem como a capacidade de usar e pagar energia pelos cidadãos devem se tornar tarefas urgentes do governo e estar no centro de suas atividades", enfatizou Söder.

Em uma carta enviada ao Vice-Chanceler da Alemanha e Ministro dos Assuntos Econômicos e da Ação Climática, Robert Habeck, Söder apontou que nenhum teste de estresse foi realizado na Baviera para verificar se níveis mais baixos de gás podem abastecer suficientemente residências e empresas no Estado.

“No geral, temos muito pouca informação na Alemanha sobre o que realmente está acontecendo agora”, disse Söder à emissora bávara BR24. “Quando o gás está chegando? Qual é o estado atual do fornecimento de gás? E que planos de contingência prevalecem se o gás não vier?”.

Sinal errado

Falando na Feira Internacional de Munique na terça-feira (5), Habeck disse à platéia que uma redução nos preços da energia enviaria um sinal errado aos consumidores: “a energia não tem valor, gaste o que quiser”.

O ministro disse que tanto as empresas quanto os consumidores precisam começar a mudar seu comportamento. Por exemplo, afrouxando as regras que exigem que as padarias ofereçam a mesma variedade de produtos pela manhã e à noite.

“Se a Alemanha tem o problema de comprar um pão de centeio à noite porque não há mais pão de aveia, esses são simplesmente problemas de luxo que podemos atirar ao mar”, disse. “Talvez faça bem a todos comer os pãezinhos que ainda estão lá", acrescentou o político do Partido Verde.

Quatro dígitos

Em entrevista à Markus Lanz, da ZDF, Habeck alertou que as contas de energia para o próximo ano serão várias vezes maiores do que nos anos anteriores.

“Conseguimos observar os preços nos mercados de energia”, disse Habeck. “Sugere aumentos de preços na faixa de quatro dígitos – que às vezes pode ser a renda de um mês para uma família – e não é mais possível evitar esses aumentos de preços”.

Apelando para que as pessoas economizem energia onde puderem, Habeck ponderou que reajustes de preços ainda maiores podem aumentar a divisão social.

Em meio a temores de que a Rússia possa retaliar as sanções da União Europeia interrompendo o fluxo de gás, o Ministério da Economia investiu milhões de euros em uma campanha para incentivar as pessoas a economizarem energia.

Um dos motes, é que vale a pena passar um pouco de frio para reduzir o envio de dinheiro para Moscou.

Em meados do ano passado, a mal planejada e desastrada transição para a "energia verde" já tinha deixado grande parte da Europa em risco de apagões.

Em setembro de 2021, ainda sem Putin para culpar, as campanhas das autoridades alemãs ensinavam a população a aquecer suas casas com velas e a se acostumar a “cozinhar sem eletricidade”.

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