O Instituto de Finanças Internacionais (IIF) estima um crescimento do PIB global de +2,3% em 2022, com ganhos de +2,5% nos EUA e +1% na zona euro, e recuo de -15% na Rússia, havendo pouca margem para evitar uma contração do PIB global caso os riscos de queda se materializem.

No caso da zona euro, porque a transferência estatística de 2021 para este ano é de +1,9 pontos percentuais, trata-se de fato de uma previsão de recessão que antecipa queda do PIB no segundo semestre do ano, alerta o IIF.

Nos Estados Unidos, o aumento das taxas de juros reais de longo prazo agora é comparável a 2013, destaca o IIF.

“Esse aperto rápido corre o risco de desestabilizar ainda mais o cenário de crescimento global, que já é instável com a invasão da Ucrânia pela Rússia e a (re)emergência do Ômicron na China”, observa o instituto.

No entanto, "a produção da Rússia e da Ucrânia será provavelmente transferida para locais 'mais seguros', com custos de produção ainda razoáveis, especialmente no setor automobilístico, onde peças em falta já estão causando disrupções. Como resultado, o CEE-3 [Polônia, República Checa e Hungria] e a Turquia poderão se beneficiar de maiores influxos de Investimento Direto Estrangeiro (IDE) a médio prazo", diz o IIF.

Moody's

Em seu Relatório Macroeconômico Global publicado na quinta-feira (26), a Moody's reduziu suas previsões de crescimento para economias avançadas e em desenvolvimento. Quanto à inflação, espera-se que ela diminua ao longo deste ano e do próximo, mas taxas surpreendentes podem persistir por mais alguns meses.

Para as economias avançadas, um dos principais impulsionadores do crescimento em 2022, especialmente no primeiro semestre do ano, é a demanda reprimida por bens e serviços afetados pela pandemia que, por sua vez, continuará a impulsionar a atividade empresarial, especialmente em setores interrompidos pela escassez de bens e mão-de-obra. No entanto, os gastos reais dos consumidores diminuirão ao longo do ano, à medida que os preços altos continuarem a corroer a renda real, os custos de empréstimos aumentarem e a demanda reprimida se dissipar.

A expectativa é que as economias avançadas cresçam +2,6% e as dos países em desenvolvimento +3,8%.

A agência estima um crescimento do PIB do G20 de +3,1% em 2022, com ganhos nos EUA (+2,8%) e na zona euro (+2,5%), e recuo na economia russa (-7%).

A Moody's não prevê recessão em nenhum país do G20.

"Não esperamos uma recessão em nenhum país do G20 em 2022 ou 2023. Os próximos meses serão especialmente críticos: se a economia global puder permanecer resiliente durante esse período, o caminho de crescimento pode se tornar mais sustentável até 2023".

A economia do Japão deverá crescer +2,4% em 2022, China +4,5%, Índia +8,8%, França (+2,2%), Itália (+2,3%), Alemanha (+1,8%) e Reino Unido (+2,8%).

"Várias correntes cruzadas atingiram a economia global de uma só vez, e vão abrandar o crescimento de forma mais significativa do que esperávamos há apenas alguns meses atrás", diz a Moody's. Os fatores-chave são a guerra da Ucrânia, os novos lockdowns na China e o aperto da política monetária para evitar a aceleração da inflação. "A subida dos preços, especialmente do essencial, está corroendo rapidamente os gastos das famílias", aponta a Moody's.

No entanto, as economias estão voltando a um normal pós-pandemia, que envolve reversões de alguns padrões econômicos às tendências pré-pandemia. As famílias estão mais uma vez gastando uma maior proporção de seus rendimentos em atividades de serviços de alto contato e comprando menos bens.

Para a Europa, a Moody's observa que os custos de energia já aumentaram significativamente para as famílias e empresas europeias, embora as importações de petróleo e gás da Rússia estejam praticamente intactas, exceto pela recente interrupção do fornecimento de gás natural para a Polônia e a Bulgária".

Quedas adicionais de energia não planejada levariam ao racionamento de energia, o que poderá levar a região à recessão.

"Os cortes no fornecimento de gás natural forçarão racionamentos de energia em todos os setores, reduzindo a produção fabril, o transporte e outras atividades intensivas em energia, mergulhando a economia da região em uma recessão".

Soma-se a isso o fato de que as famílias na Europa enfrentam uma redução prolongada da renda real. "E o impacto dos pacotes de apoio do governo, incluindo descontos de energia, assistência à renda e reduções nos impostos sobre o valor agregado, dificilmente mitigará completamente os efeitos da alta inflação".

Mercados emergentes

O aumento simultâneo dos custos de energia e dos preços dos alimentos com maiores custos de empréstimos "torna a situação particularmente difícil para os governos de mercados emergentes", como a erosão do poder de compra das famílias em meio a choques negativos de oferta, juntamente com condições de crédito mais apertadas, afetarão os gastos das famílias e o investimento empresarial.

"Os países de mercados emergentes do G-20, devido ao seu tamanho, diversidade e capacidade financeira, estão melhor posicionados para enfrentar os desafios do que outros países em desenvolvimento. Mas o aumento dos preços dos alimentos e combustíveis está exacerbando os problemas de fome e pobreza entre algumas das populações mais vulneráveis. Portanto, o risco de instabilidade econômica, social e política está aumentando em muitas partes do mundo", diz a Moody's.

2023

Para 2023, a Moody's espera que o crescimento econômico global desacelere ainda mais: para +2,9%.

“Existem vários riscos que podem prejudicar ainda mais as perspectivas econômicas, incluindo pressão adicional de alta nos preços das commodities, interrupções mais duradouras na cadeia de suprimentos ou uma desaceleração maior do que o esperado na China. Aperto monetário agressivo também pode se tornar um catalisador para uma recessão, e novas ondas mais perigosas de covid-19”, pondera Madhavi Bokil, vice-presidente sênior da Moody’s.

Para o futuro, a agência acredita que os próximos meses serão críticos, pois, à medida que os bancos centrais passam a apertar a política monetária em resposta à inflação mais alta, há um aumento na volatilidade do mercado financeiro e na reavaliação de ativos.

* Com informações do Web Financial Group SA

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