“A comunidade internacional falhou ao descobrir a pandemia tarde demais, ao mudar de posição sobre a pandemia várias vezes, falhou quando grandes poderes do mundo decidiram atuar sós, sem colaboração e com egoísmo, dando um mau exemplo”, disse Marcelo.

A pandemia demonstra que "vivemos um multilateralismo imperfeito" em todo o mundo, devido às falhas na "colaboração internacional, no papel das organizações mundiais, na capacidade de conseguir resolver a prevenção e, ao mesmo tempo, o cuidado na saúde como na vida, essenciais na superação da crise econômica e social", afirmou o Presidente.

"Neste período tão complexo é fundamental que a União Europeia seja ela própria uma potência. Que ela seja uma potência política e estratégica, como é comercial. Que ela esteja unida e seja rápida a decidir como foi rápida a decidir no Conselho Europeu em que definiu um horizonte para a saúde, um horizonte para a crise econômica e social, medidas de emergência e planos para o médio e longo prazo".

Falando na presença do Rei de Espanha, Felipe VI, Marcelo disse que a pandemia veio trazer “uma oportunidade única para resolver problemas estruturais”.

“O que falhou nos sistemas de saúde, nos sistemas sociais, o que falhou na coordenação entre saúde e segurança social, o que falhou na ligação nacional, regional e local. O que foi lento na resposta das instituições. Aquilo que chegou, mas chegou tarde não pode voltar a chegar tarde (…) Temos de aprender com as lições do que correu bem mas também com o que correu mcal”

Marcelo destacou que para enfrentar a crise econômica é preciso a convergência e o diálogo entre os cidadãos.

"Que se sobreponham interesses particulares, privados, setoriais, de uma ou de outra instituição àquilo que deve ser o interesse comum", discursou o Presidente.

Marcelo disse que as crises econômicas “não conhecem conveniências táticas ou setoriais” e defendeu “um verdadeiro compromisso dos que estão na vida pública e no serviço público”.

O Presidente disse também ser necessário equilibrar “a defesa da vida e da saúde com a abertura econômica e social”.

“É um equilibro difícil para o todos. Políticos, empresários, trabalhadores, cidadãos. Mas é o equilíbrio na emergência e nesta emergência é importante que se respeite o pluralismo e a diferença, mas se procure a convergência e o diálogo no que é essencial, nos símbolos da unidade, os chefes de estado de qualidade, os chefes de estado e as instituições políticas e democráticas, todas elas, a nível nacional, regional e local”.

Marcelo Rebelo de Sousa alertou que são precisos planos de recuperação a médio e longo prazo porque a pandemia “pode durar mais seis meses, ou menos ou mais, não sabemos" mas “a crise econômica e social vai durar anos, e os anos exigem planos europeus e nacionais a olhar para médio e longo prazo".

"É mentira dizer que se resolve a situação econômica e social em seis meses, um ano, ou dois anos”, afirmou o Presidente de Portugal.

* Com informações da Presidência da República Portuguesa

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