O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa participou, por videoconferência no Palácio de Belém, da sessão de encerramento da conferência Innovation Summit 2020, promovido na segunda-feira (22) pela Associação Empresarial para a Inovação (COTEC).

Dedicado ao tema Do 4.0 ao Renascimento Industrial: os Próximos Passos numa Era Pós-COVID, o evento reuniu líderes empresariais e políticos, acadêmicos e estudantes para debater o conceito difuso de “Renascimento Industrial” da Europa.  

O Presidente de Portugal disse que a Europa precisa se reindustrializar rapidamente para manter a liderança na indústria, lembrando que a pandemia expôs as fragilidades da União Europeia.

"O ressurgimento, o renascimento industrial da Europa é fundamental", disse. "A Europa mostrou-se incapaz de produzir máscaras, de produzir material sanitário em tempo, em condições de concorrência com o resto do mundo, pelo menos, com uma parte do resto do mundo".

"E teve de ir a correr, não direi mendigar, mas negociar em posição difícil, atropelando-se, para logo a seguir perceber que era necessário ter esse tipo de resposta industrial no quadro do continente europeu. Ou seja, a Europa percebeu que está à beira de perder aquilo que não pode perder, que é a indústria, um papel liderante na indústria", alertou.

O Presidente destacou que é necessário agir agora porque a partir de um determinado momento, é tempo irremediavelmente perdido.

"É nosso papel sermos catalisadores positivos desta mudança, porque é uma mudança convencer a Europa que tem de se reindustrializar, e é agora, não é mais tarde. E não é uma questão de conjuntura, não é uma questão de mera sobrevivência, é uma questão estrutural, a médio e longo prazo".

"Quanto mais cedo começarmos, mais hipóteses teremos de sucesso", enfatizou Marcelo, conclamando os empresários: "Recomecemos, e recomecemos já".

O chefe de Estado avaliou a atual conjuntura geopolítica como "um momento em que as relações transatlânticas são em muitos casos complexas e diferentes do que eram no passado", em que "a Rússia se converte de um poder global num poder regional, embora muito pró-ativo", e em que "a estratégia de longo prazo da China ela própria sofreu os efeitos da gestão da pandemia".

No entender do Presidente de Portugal, a pandemia veio comprovar que "a cooperação internacional e o multilateralismo são inevitáveis".

"Essa foi outra lição desta pandemia até agora: mesmo os países mais fortes, que se consideravam imunes, não eram imunes, mesmo os líderes mais fortes, mesmo os sistemas mais fortes mostraram a dificuldade patente na gestão de realidades que apelavam ao improviso, que apelavam à inovação, que apelavam a meios e a tempos e a modos diversos daqueles a que todos estávamos habituados", disse.

O Presidente insistiu na importância de "uma Europa unida, que antecipe acontecimentos, não vá a reboque", e que "não adie decisões" na resposta à pandemia e à crise econômica e social que esta provocou.

"Que perceba o que está a mudar no mundo e o que está a mudar na liderança e que consiga, ao mesmo tempo, manter o equilíbrio financeiro, nomeadamente o equilíbrio orçamental, em termos de médio longo prazo, mas não esqueça a prioridade da recuperação econômica e social, do crescimento econômico, do investimento do emprego e, portanto, da produtividade e da competitividade", prosseguiu, concluindo: "Isto exige apostar, meter a cabeça e agir rapidamente".

Segundo o Eurostat, o gabinete estatístico europeu, face a abril de 2019, a produção industrial diminuiu 28% na zona euro, o maior recuo registrado para o mês desde o início da série, ultrapassando os -21% de abril de 2009.

Na comparação com março, a produção industrial caiu -17% na zona euro, também a maior quebra mensal desde o início da série e muito superior à queda de -3% registrada no final de 2008 e início de 2009, em plena crise financeira do subprime.

Já as exportações da zona do euro, registraram queda de -25% no mês de abril. O superávit comercial caiu para 2,9 bilhões de euros, ante 15,5 bilhões de euros no mesmo período no ano anterior. O superávit em abril reduziu-se para 1,2 bilhão de euros, ante 25,5 bilhões em março. Esse foi o menor saldo de exportações sobre as importações desde outubro de 2011.

“Abril foi o mês em que as medidas de confinamento por toda a zona do euro atingiram o pico, com a produção de bens não-essenciais suspensa quase na totalidade”, afirmam economistas do banco italiano UniCredit em relatório, segundo reportou o Dow Jones Newswires.

* Com informações da Presidência da República Portuguesa, Eurostat, Dow Jones Newswires

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