Atualização 22/02: A Coreia do Sul registrou 229 novos casos confirmados no sábado (22), com o número de infecções mais que dobrando em um dia, para 433. Do total, 231 estão ligadas a igreja Shincheonji na cidade de Daegu, enquanto pelo menos 111 - incluindo quatro enfermeiros - são da ala psiquiátrica do Daenam Hospital, em Cheongdo. Os dois grupos representam 80% dos casos confirmados.

Daegu, localizada cerca de 300 quilômetros a sudeste de Seoul, é a quarta maior metrópole da Coreia do Sul, com 2,4 milhões de habitantes.

Daegu e a província vizinha de Gyeongsang do Norte permaneceram livres de infecção por coronavírus até o caso da 'paciente nº 31' ser anunciado.

A região é conhecida como um reduto da Igreja de Jesus Shincheonji, Templo do Tabernáculo do Testemunho, fundada pelo sul-coreano Lee Man-hee em 1984, atualmente com 200.000 adeptos em todo o mundo.

O governo municipal de Daegu estimou que cerca de 1.000 pessoas assistiram ao culto na igreja de Daegu com a 'paciente nº 31' nos dias 9 e 16 de fevereiro, enquanto a igreja situou o número em menos de 500 fiéis.  

As autoridades de Daegu temem que a cidade possa enfrentar um aumento acentuado de infecções na comunidade, pois sua segunda pesquisa com 3.474 membros da Shincheonji em Daegu constatou que 409 deles têm sintomas do coronavírus. Incluindo os números da primeira pesquisa com 1.000 membros da igreja, um total de 544 afirmou ter sintomas.

Os moradores de Daegu foram orientados a usar máscaras e evitar sair na rua.

A cidade recomendou o fechamento de mais de 1.300 pré-escolas, enquanto 250 instalações de assistência social para idosos serão rigorosamente monitoradas.

O início do ano letivo foi adiado em uma semana e agora está previsto para começar no dia 9 de março em 800 escolas.

Desinfetantes para as mãos foram colocados em pontos de transporte público e nas entradas dos prédios.

A cidade pediu ao governo central mais apoio, como a abertura de um hospital militar, fornecimento de pessoal médico e 1 milhão de máscaras.

As preocupações com a capacidade de saúde pública da cidade estão aumentando, já que algumas unidades de emergência foram fechadas e o pessoal de saúde ficou em quarentena depois que pacientes foram confirmados mais tarde com o coronavírus.

Reagindo à situação que se deteriora rapidamente, o governo central prometeu medidas rápidas para impedir a disseminação do vírus.

O Primeiro-Ministro Chung Se-kyun disse em comunicado televisionado que o governo central concentrará seu apoio à região sudeste para diminuir a escassez de camas de doentes, equipes médicas e equipamentos.

"Um mês após o surto (Covid-19), entramos em uma fase de emergência"

"É urgente encontrar pessoas que entraram em contato com pessoas infectadas e curar pacientes", disse Chung.

"Até agora, o governo se concentrou em conter infecções vindas de fora do país. A partir de agora, o governo priorizará ainda mais a prevenção da propagação local do vírus", disse o Primeiro-Ministro.

O Presidente Moon Jae-in também pediu medidas rápidas e poderosas para conter a disseminação do novo coronavírus nas comunidades locais, descrevendo repetidamente a situação atual como "grave".

As cidades do sul de Daegu e Cheongdo foram declaradas "zonas de cuidados especiais".

O Ministro da Saúde, Park Neung-hoo, disse que as autoridades permitirão que hospitais isolem pacientes respiratórios de outras pessoas, em um esforço para impedir a disseminação dentro de instalações médicas.

Park também disse que todos os pacientes com pneumonia nos hospitais de Daegu serão verificados quanto ao novo coronavírus.

Shincheonji

Hoje (21), o Centro de Controle e Prevenção de Doenças da Coreia (KCDC) disse que 144 dos 204 casos confirmados do vírus COVID-19 no país estão ligados a membros da igreja Shincheonji e pessoas que entraram em contato com eles.  

Cerca de 9.000 fiés da igreja Shincheonji foram instruídos a se auto-colocar em quarentena. O templo de Daegu foi fechado na quarta-feira e autoridades providenciaram a desinfecção de suas dependências.

A igreja possui mais de uma centena de instalações no país e disse que suspenderá temporariamente seus cultos e reuniões, substituindo-os por serviços online.

As práticas de serviço da Shincheonji poderiam ter ampliado a disseminação do coronavírus, pois todos os participantes ficam de joelhos e cantam canções com os braços nos ombros dos outros durante os cultos.

As autoridades sul-coreanas estão investigando se a igreja em Daegu fez intercâmbios com seus templos no exterior, especialmente na China.

A imprensa local noticiou que a organização religiosa abriu um templo em Wuhan, província de Hubei, no ano passado.

"Estamos cientes de que Shincheonji tem filiais em países estrangeiros, incluindo a China", disse Jung Eun-kyeong, chefe do KCDC. "Estamos examinando que tipo de vínculo a igreja tem com regiões como a província de Hubei, designada como a origem do vírus COVID-19".

Em Seoul, o prefeito Park Won-soon anunciou o fechamento temporário de todas as instalações religiosas relacionadas à igreja Shincheonji na capital em um comunicado de emergência.

"O governo de Seoul adotará medidas de quarentena e desinfecção para todas as instalações de Shincheonji na cidade, independentemente dos esforços de quarentena da igreja", disse Park, pedindo a todas as pessoas que visitaram a igreja de Daegu de Shincheonji ou entraram em contato com seus seguidores para comunicar às autoridades.

O governo da província de Gyeonggi também anunciou que realizará uma extensa varredura nas instalações de Shincheonji para fins de quarentena. Existem 17 instalações conhecidas da Shincheonji nas 15 cidades da província, mas suspeita-se que mais de 100 instalações funcionam informalmente para trabalho missionário e reuniões de pequenos grupos.

Cheongdo

As autoridades de saúde não descartam que a paciente nº 31 tenha sido contagiada em outro lugar ou por outros membros da igreja Shincheonji, citando sua misteriosa visita a um hospital em Cheongdo, ao sul de Daegu.

Cheongdo é conhecido como o local de nascimento do fundador da Shincheonji.

Um total de 19 casos confirmados, incluindo a primeira morte de um paciente de coronavírus na Coreia do Sul, são relacionados a Cheongdo.

As autoridades suspeitam que Cheongdo seja o epicentro dos surtos de coronavírus da região, observando que um grande número de infectados compareceu ao funeral do irmão mais velho de Lee, realizado no Daenam Hospital, de 31 de janeiro a 2 de fevereiro.

OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que o salto nos casos na Coreia do Sul não indica um risco maior de uma pandemia global. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que os novos casos estão principalmente relacionados a grupos conhecidos e existentes de infecções e que as autoridades sul-coreanas estão seguindo de perto.

"O número de casos é realmente gerenciável e espero que a Coreia do Sul faça tudo para conter esse surto nesta fase inicial", disse Ghebreyesus.

* Com dados e informações da Yonhap, BBC, TRT World

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