Castex foi nomeado pelo Presidente Emmanuel Macron no início de julho para liderar um novo governo encarregado de orquestrar a recuperação do país de sua pior crise de saúde e economia desde a Segunda Guerra Mundial.

Antes da nomeação, Castex coordenava a estratégia de reabertura da economia francesa e era chamado pela imprensa de "Sr. Desconfinamento".

"Meu objetivo é preparar a França para uma possível segunda onda, preservando nossa vida cotidiana, nossa vida econômica e social", disse Jean Castex, em entrevista à RTL na semana passada.

"Mas não vamos impor um confinamento como o que fizemos em março passado, porque aprendemos que as consequências econômicas e humanas de um lockdown total são desastrosas", afirmou o novo premiê.

"Não sobreviveremos, econômica e socialmente, a um lockdown absoluto e generalizado", disse Castex à rádio RMC, defendendo que qualquer fechamento de negócios ou ordem de permanecer em casa seja direcionada à áreas específicas.

Mas com as finanças públicas já abaladas pelo lockdown nacional, as alternativas para enfrentar uma segunda onda parecem cada vez mais sombrias.

O Institut National de la Statistique et des Études Économiques (INSEE) estima que a economia contrairá cerca de 9% este ano, mas alertou que um novo surto interromperia uma recuperação.

Segundo o premiê, a economia francesa deve sofrer uma queda mais forte, de 11% em 2020.

Com a maioria dos negócios na França reabertos, Castex pediu que os franceses se comportem de forma responsável para evitar uma segunda onda de infecção.

"O vírus ainda está circulando e exorto nossos concidadãos a ficarem atentos.
Hoje, como no passado, o respeito aos gestos de barreira é essencial", disse o premiê francês.

Segunda onda

O chefe da agência nacional de saúde da França, Jerome Salomon, disse que as autoridades estão antecipando uma segunda onda de casos de Covid-19 "neste outono ou inverno", dependendo de um impacto sazonal que permanece incerto.

"O que temos que entender é que o ressurgimento da epidemia dependerá basicamente do nosso comportamento", disse em entrevista ao Figaro.

Mesmo enquanto milhões de pessoas se preparam para relaxar durante as temporadas de férias de verão, Salomon pediu o contínuo distanciamento social e o uso de máscaras faciais, "especialmente em lugares lotados".

A data de início de uso compulsório de máscaras faciais em lojas e espaços públicos fechados foi antecipada por Castex. Obrigatórias no transporte público desde 11 de maio, as máscaras passarão a ser exigidas na próxima semana.

"Usar máscara, juntamente com medidas de barreira, é um método eficiente de prevenção e proteção", disse Castex em uma audiência no Senado, apontando que implementar a medida somente em 1º de agosto pareceu "tarde" para muitos.

A antecipação da exigência ocorre após o Ministro da Saúde, Olivier Veran, afirmar ter sinais de um "ressurgimento" da epidemia.

"Estamos vendo sinais fracos de um ressurgimento epidêmico em certos hospitais de Paris, e é por isso que eu peço que os franceses permaneçam vigilantes, ativos contra o vírus", disse o Ministro a uma emissora de rádio.

Segundo dados oficiais divulgados na quarta-feira (15), a França registrou 150 hospitalizações por Covid-19 em 24 horas, com 17 pacientes requerendo cuidados intensivos de UTI, elevando o total do país para 500 infectados internados em hospitais franceses. Em abril, a França chegou a ter 4.300 hospitalizações em um único dia – no auge da epidemia, mais de 7.000 pacientes com Covid-19 ocupavam leitos em UTIs. A doença, causada pelo coronavírus SARS-CoV-2, está relacionada a mais de 30 mil óbitos no país.

Veran disse que um aumento das admissões hospitalares e das chamadas telefônicas para os serviços de emergência são indicadores, ainda não preocupantes, que requerem "atenção especial" para a possibilidade de uma retomada da epidemia.

Klaus Stohr, um destacado ex-virologista da OMS, disse em entrevista à Bloomberg que "o comportamento epidemiológico desse vírus não será muito diferente de outras doenças respiratórias. Durante o inverno, eles voltam".

Stohr prevê que haverá um aumento nos casos e haverá problemas para conter o surto, porque as pessoas não estarão dispostas a aceitar mais restrições em seu movimento e liberdade.

Na quinta-feira (16), o Presidente Emmanuel Macron afirmou que pretende tornar testes para Covid-19 disponíveis para todos os franceses, sem a necessidade de indicação médica.

* Com informações do Deutsche Welle, Channel News Asia, Bloomberg

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