“Por conta da situação epidemiológica está cancelado o Carnaval de Rua de São Paulo”, disse Nunes. “Nós vamos sentar com a Liga das Escolas de Samba para combinar um protocolo para a realização dos desfiles no sambódromo. Caso eles aceitem os protocolos, os desfiles serão mantidos”.

De acordo com Edson Aparecido, Secretário de Saúde do município, “a circulação de uma grande quantidade de pessoas pode agravar” o quadro da pandemia na capital paulista.

Em material encaminhado hoje à imprensa, a prefeitura paulistana informa que o cenário epidemiológico atual “aponta aumento exponencial dos casos de síndrome gripal na cidade, com números de notificações já superiores aos do pior momento da pandemia em 2021”.

Para os desfiles no sambódromo, o secretário municipal de saúde de São Paulo disse que será elaborado um protocolo para o evento, como ocorreu na 96ª Corrida Internacional de São Silvestre, a corrida de rua mais tradicional do Brasil.

"Vamos construir um protocolo como construímos com outras atividades. Acabamos de fazer um para a São Silvestre, e ela foi coberta de sucesso, com o cumprimento de tudo aquilo que a Vigilância Sanitária exigiu para a realização do evento, inclusive com os corredores iniciando a corrida com máscara", disse Aparecido.

Ontem (5), em entrevista coletiva, João Gabbardo, Secretário Executivo do Centro de Contingenciamento do Coronavírus de São Paulo, desaconselhou a realização do Carnaval neste ano por causa do avanço da variante Ômicron, mas ressaltou que a decisão cabia a cada prefeito do Estado.

"O Carnaval pode ser analisado em dois aspectos. O primeiro são os desfiles de Escolas de Samba, em que a situação é parecida com a dos estádios de futebol, em que há possibilidade de controle, exigindo que todos estejam vacinados e que continuem usando máscaras. No carnaval de rua, não temos como fazer o controle, pois fica liberada a participação de todos, não tem como verificar a vacinação, e a aglomeração é imensa. É impensável manter o carnaval nessas condições".

Gabbardo disse que é preciso lembrar que as pessoas que chegam para assistir ou participar de desfiles, vão se aglomerar no trem, no metrô, no ônibus. “E isso é um risco muito alto”.

Também na quarta-feira, três associações que representam 250 blocos autorizados para participar do carnaval de rua de São Paulo comunicaram que não participariam do evento.

“Lamentamos muito não termos tido a oportunidade de contribuir em ações públicas com nosso ‘expertise difuso’, que sabe quantos carnavais de rua existem dentro do Carnaval de São Paulo, e como fazer cada nicho ser atendido”, diz o texto assinado pelo Fórum de Blocos de SP, União dos Blocos de Carnaval de Rua do Estado de São Paulo e a Comissão Feminina de Carnaval de São Paulo.

Segundo o Diário Oficial do Município de quinta-feira (30), a Prefeitura de São Paulo tinha aprovado 696 desfiles para o Carnaval de Rua 2022, o maior número já autorizado na capital paulista.

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