O clima de inverno com neve aumentou a demanda de energia do Japão e reduziu a produção de fontes renováveis, provocando um salto na geração de energia a carvão. Embora os preços spot estejam próximos de um recorde, o carvão ainda é mais barato do que os embarques imediatos de gás natural liquefeito (GNL).

Os preços do GNL para entrega em março subiram mais de 17 por cento nesta semana, disseram fontes do setor à Reuters nesta sexta-feira (28). O impasse Rússia-Ucrânia e o clima frio no Japão foram os principais impulsionadores da disparada nos preços do GNL para o nordeste da Ásia no mercado futuro.

Evolução da importação de carvão pelo Japão. © Bloomberg/rede social
Evolução da importação de carvão pelo Japão. © Bloomberg/rede social

A realidade é que o mundo está sendo forçado a aumentar sua dependência ao carvão, em meio a uma crise de fornecimento de gás natural.

A recuperação econômica levou a geração de energia a carvão a um novo recorde em 2021, com a demanda global de carvão provavelmente atingindo outro novo recorde em 2022, disse a Agência Internacional de Energia (AIE) no mês passado. A recuperação global em 2021 acabou com qualquer esperança de que a geração de energia a carvão possa ter atingido o pico, disse a AIE.

Vários países produtores de carvão estão buscando vender para a China, o maior comprador de carvão do mundo. Exportadores na Rússia, Indonésia e Mongólia estão tomando medidas para aumentar a cooperação com a China.

O primeiro lote de contratos está avaliado em US$ 2,5 bilhões. Os exportadores de carvão dos três países fornecerão 26 milhões de toneladas de carvão térmico para a China.

Han Jianjun, um especialista da indústria na região autônoma da Mongólia Interior, na cidade de Ordos, no norte da China, disse ao Global Times que o volume geral de importação de carvão da China em 2020 foi de 300 milhões de toneladas, e esses contratos representam quase 10% das importações anuais de carvão do país.

Liu Haitao, especialista em análise e certificação de carvão do Grupo SGS, disse ao Global Times que com o centro do uso global de carvão se voltando para a Ásia, a Rússia mudará suas exportações de energia para a região da Ásia-Pacífico, em meio a uma redução da demanda de carvão na Europa, e planeja reconstruir ferrovias que ligam seu Extremo Oriente à China.

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