A subida de custos está forçando padeiros franceses a aumentar o preço do pão favorito na França – a baguete, enquanto outros mantiveram o preço abaixo de 1 euro através de subsídio, incluindo o custo extra no preço de outros pães e bolos.

O preço médio de uma baguete hoje é 89c, um valor que aumentou apenas 23c nos últimos 20 anos. Os franceses consomem 10 bilhões de baguetes por ano.

De acordo com Dominique Anract, Presidente da Confédération Nationale de la Boulangerie-Pâtisserie Française, "o preço mundial do trigo subiu e quase todos os moinhos já repassaram esse aumento no preço da farinha desde o final do verão (europeu). Para os últimos padeiros que ainda se beneficiam das taxas estabelecidas, os contratos serão revisados no final do ano”.

Perspectivas

As exportações mundiais de trigo totalizaram estimados US$ 45 bilhões em 2020, um aumento de 10,7% face o ano anterior.

Quinze países responderam por 93% do valor do trigo exportado em 2020. Fonte: Magazine Pro
Quinze países responderam por 93% do valor do trigo exportado em 2020. Fonte: Magazine Pro

Com solo naturalmente fertilizado, a Rússia é o maior exportador mundial de trigo e, mesmo com diminuição de 13% da safra 21/22, o cereal continua apresentando a mesma qualidade dos anos anteriores.  

De uma perspectiva continental, os países europeus forneceram mais da metade das exportações mundiais de trigo durante 2020, com embarques no valor de US$ 25,5 bilhões ou 57% do total das vendas globais.

O Brasil recebe, aproximadamente, metade do trigo exportado pela Argentina. Porém, há uma presença crescente de países asiáticos e africanos entre os compradores do cereal argentino, com destaque para Indonésia, Bangladesh e Quênia, destaca Gustavo Idigoras, Presidente da Ciara-CEC.

Portugal em risco máximo de abastecimento

A partir de janeiro “ficamos totalmente expostos ao que os outros paí­ses nos quiserem vender” para nos alimentarmos em termos de cereais. “Se houver um lockdown ou apenas se um navio não puder atracar ou não conseguir chegar a tempo aos portos portugueses, só teremos cereais para pouco mais de 15 dias”.

O alerta é do presidente da Associação Nacional dos Produtores de Milho e Sorgo, Jorge Neves, publicado em artigo do Expresso.

"Fica assim exposta a fragilidade de um sector que luta agora em várias frentes para garantir comida na mesa dos portugueses: a extrema dependência dos transportes internacionais, cujos preços dispararam para valores historicamente elevados nos últimos meses [e Portugal importa 75% do milho de que precisa e mais de 90% do trigo para pão e massas]; a vulnerabilidade geopolítica dos países fornecedores [economias instáveis como a Rússia, a Ucrânia, a Argentina ou o Brasil, que não hesitarão um segundo em fechar a torneira das exportações para atender a necessidades internas], e ainda a escalada internacional nos preços da energia, que está a tornar cada vez mais complicado não apenas os sistemas de produção, mas o acesso às matérias-primas em geral", aponta o semanário português.

Atualização 01/11/2021

O trigo de referência em Chicago subiu acima de US$ 8 o bushel pela primeira vez em quase nove anos.

Os preços futuros vinculados a outras variedades de grãos nos EUA e na Europa também aumentaram, com os futuros de trigo de moagem de Paris atingindo um recorde histórico e o trigo de primavera de Minneapolis atingindo o nível mais alto desde abril de 2008.

Os principais importadores estão aumentando seus estoques em meio à oferta global limitada, depois que o mau tempo atingiu as colheitas nos principais países exportadores este ano. Isso estimulou a mais longa sequência de ganhos mensais do trigo desde 2007. Alguns produtores também estão lutando contra o clima seco na época do plantio, bem como os custos crescentes de fertilizantes que correm o risco de prejudicar as colheitas do próximo ano.

O comprador estatal da Arábia Saudita reservou 1,3 milhão de toneladas de trigo em uma licitação no fim de semana passada, o dobro da quantidade esperada. Além disso, o principal importador do Egito está voltando ao mercado com uma licitação nesta segunda-feira (1), menos de uma semana após sua maior compra da temporada.

A perspectiva de problemas persistentes de oferta no próximo ano aumenta as chances de que os preços do trigo continuem subindo e piorem a inflação dos alimentos.

As preocupações com a oferta, alimentadas pela alta nos preços dos fertilizantes, também aumentaram os preços futuros do milho.

“Os especuladores continuam falando sobre inflação e estão comprando commodities para uma negociação inflacionária”, disse Jack Scoville, vice-presidente do Price Futures Group em Chicago.

* Com informações The Local, Agrolink, Expresso.pt, Bloomberg

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