A economia que conhecíamos provavelmente é coisa do passado, disse o Presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, em um painel com a participação da Presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, e o Governador do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, no evento virtual ECB Forum on Central Banking.

Segundo Powell, a pandemia está acelerando a adoção de inúmeras mudanças tecnológicas que já estavam em andamento, potencialmente aumentando a produtividade em geral. No longo prazo, esses ganhos tendem a ser amplamente compartilhados pela sociedade, porém, nesta situação particular, as mudanças não estão conduzindo para a volta da economia que está sendo recuperada, mas para uma economia diferente, mais alavancada para tecnologia. "Receio que isso vá tornar as coisas ainda mais dificeis do que eram para muitos trabalhadores", disse o Presidente do Fed, referindo-se aos empregos com salários relativamente baixos e que exigem interações pessoais, como aqueles dos setores de varejo e de alimentação, entre outros.

Na semana passada, cerca de 709.000 americanos entraram com novos pedidos de seguro-desemprego, mais que o triplo de uma semana típica de 2019.

"A economia está desacelerando um pouco e isso é compreensível, dado que o ritmo descomunal dos ganhos em maio e junho tem sido desigual, então tem sido melhor para pessoas com rendas mais altas do que para aquelas com rendas mais baixas e ainda temos 10 milhões de pessoas desempregadas", disse Powell.

“Essas pessoas terão dificuldade em voltar a trabalhar em seus empregos anteriores ou, em muitos casos, em novos empregos. Então, acho que você verá mais teletrabalho, provavelmente a aceleração da automação. Tudo isso estava em processo de acontecer, mas você verá muito mais”, antevê o chefe do banco central americano.  

Em 24 de outubro, 21 milhões de americanos estavam recebendo algum tipo de auxílio-desemprego. Um ano atrás, esse número era de 1,5 milhão.

"Mesmo depois que a taxa de desemprego cair e houver uma vacina, haverá um grupo provavelmente substancial de trabalhadores que precisarão de apoio enquanto estão encontrando seu caminho na economia pós-pandemia, porque será diferente em alguns aspectos fundamentais", avaliou Jerome Powell.

Quando questionado sobre seus maiores receios em relação ao futuro, o chefe do Fed citou "danos de longo prazo" à capacidade produtiva dos EUA e às vidas dos americanos: o desemprego prolongado entre as mulheres; as crianças que não estão recebendo a educação que deveriam; as pequenas empresas com gerações de capital intelectual que estão sendo destruídas; os trabalhadores que ficaram sem trabalho por um longo período de tempo; podendo piorar as consequências já históricas da pandemia, enumerou Powell. Os trabalhadores "perdendo sua conexão com a força de trabalho e realmente perdendo a vida que tinham" representam um risco assustador para a recuperação do país, acrescentou.

"O principal risco que vemos é claramente a propagação da doença aqui nos Estados Unidos. Temos novos casos em um nível recorde, vimos vários estados começarem a reimpor restrições de atividades e as pessoas podem perder a confiança de que é seguro sair. Desde o início dissemos que a economia não se recuperará totalmente até que as pessoas tenham certeza de que é seguro retomar atividades que envolvam multidões", disse Powell.

* Com informações do Banco Central Europeu (BCE), CNBC, CNN Business, Business Insider

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