A advertência de António Costa ocorreu no discurso da apresentação do programa Simplex 20-21, no Pavilhão do Conhecimento, no Parque das Nações, em Lisboa, durante uma sessão em que estiveram presentes dez ministros do atual Governo.

António Costa ressaltou que a Ciência não assegura que no próximo outono ou inverno não se vivam momentos mais difíceis e avisou que Portugal não aguenta novo confinamento.

"Devemos desejar o melhor, mas temos de nos preparar para o pior com o que já sabemos hoje", insistiu.

Na ocorrência de uma segunda onda da pandemia, o líder executivo disse que o trabalho de adaptação da sociedade "tem de ser feito agora, porque ainda há algum tempo de distância para evitar o pior".

"O tempo é curtíssimo, se calhar não conseguimos fazer tudo, mas temos mesmo de arregaçar as mangas e fazer o máximo possível para assegurar a continuidade do funcionamento da sociedade, designadamente das escolas, das empresas e dos serviços da administração pública, mesmo numa condição tão ou mais adversa como aquela que vivemos em março. Temos de acelerar este processo", disse António Costa. "Todos os serviços e empresas estão mais bem organizados para assegurar estas condições. Temos de usar os recursos europeus disponíveis, há que acelerar e elevar a ambição daquilo que podemos e devemos fazer".

Queda de 12% do PIB

A economia portuguesa poderá cair 12% em 2020, um recuo muito superior ao de 6,9% previsto pelo Governo.

“A crise sanitária causada pela doença Covid-19 traz consigo uma profunda recessão económica que tem características globais e que vai ferir profundamente a nossa economia”, alerta António Costa Silva, autor do plano de recuperação económica e social de Portugal.

Costa Silva lembra que as previsões para a economia portuguesa e mundial têm vindo a ser revistas e adianta que Portugal “pode vir a enfrentar uma das piores crises da sua história” e que “a queda do PIB em 2020 pode chegar aos 12%”.

O consultor do Governo prevê que o consumo possa registrar uma queda de 11% em 2020, o investimento 26% e admite que a taxa de desemprego possa chegar aos 11,5%. “A dimensão do desafio é gigantesca e a necessidade de respostas é urgente”.

“A partir de setembro de 2020, a situação de muitas empresas pode deteriorar-se significativamente e é fundamental existir no terreno um programa agressivo para evitar o colapso de empresas rentáveis.” Outro fator salientado pelo consultor do Governo é o tempo que irá mediar entre “a significativa deterioração da economia no segundo semestre de 2020” e a chegada da ajuda europeia no próximo ano. “Pode ser fatal para muitas empresas se não existirem respostas adequadas”, alerta o economista.

* Com informações do Correio da Manhã, Observador

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