"Tomámos a decisão de, mesmo após vacinação, manter a máscara, manter distanciamento e, portanto, manter as diretrizes da Direção-Geral da Saúde (DGS)", afirmou António Lacerda Sales, considerando não haver "ainda robustez científica naquilo que é a possibilidade de transmissibilidade, nomeadamente nos assintomáticos".

Questionado pela Agência Lusa, Lacerda Sales, que é médico de formação, explicou que, após a vacinação, "o que há de robustez em termos científicos é que há uma imunogenicidade, por assim dizer, contra doença grave".

Não apenas Portugal não tem ainda "definição quanto a esse processo", da máscara poder vir a ser dispensada após vacinação, como "bem pelo contrário", o Governo recomenda que "se mantenha o distanciamento, que se mantenha a máscara", orientações que Lacerda Sales acredita serão "as indicações nos próximos tempos", embora com a evolução dos conhecimentos científicos os procedimentos "possam vir a ser adaptados e adequados a novas normas".

A manifestação de Lacerda Sales ocorre após os Estados Unidos terem anunciado na quinta-feira (13) que as pessoas totalmente vacinadas poderão deixar de usar máscaras ao ar livre, em multidões, e na maioria dos ambientes fechados.

Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), os países deverão levar em consideração a cobertura de vacinas e a taxa de incidência local antes de decidirem retirar ou relaxar medidas restritivas.

Em coletiva virtual de imprensa realizada na sexta-feira (14), Michael Ryan, diretor do programa de emergências da OMS, reafirmou que as vacinas contra coronavírus protegem contra a doença mais grave, mas ainda não há “grande prova sobre a capacidade de uma pessoa vacinada infectar outras pessoas”.

Segundo o Dr. Ryan, os países que pretendem retirar a obrigação do uso de máscara, só o devem fazer “levando em consideração a intensidade de transmissão na área e, em simultâneo, o nível de cobertura da vacinação”, sem fazer referência aos Estados Unidos.

Para a epidemiologista Maria Van Kerkhove, responsável técnica da resposta da OMS à covid-19, a decisão das autoridades nacionais sobre a dispensa do uso de máscara tem sempre de ser avaliada “dentro do contexto” epidemiológico de cada país, mas também do nível de vacinação alcançado.

“Ainda não estamos fora de perigo. Ainda existem muitas incertezas devido às variantes e temos de fazer todo o possível para evitar mais infecções e salvar vidas”, alertou a epidemiologista.

Ela diz que as lições aprendidas com esse "trauma" coletivo estão desencadeando novos esforços para construir sistemas de vigilância e resposta mais robustos para patógenos emergentes, a nova variante preocupante da Índia e a necessidade de acelerar as vacinações globais para impedir a propagação contínua da pandemia.

Atualização 16/05

A diretora dos CDC dos Estados Unidos, Rochelle Walensky, negou as acusações de que a recente reversão dos mandatos das máscaras foi motivada politicamente.

Durante uma aparição na Fox News, o apresentador Chris Wallace questionou a reversão repentina, observando que menos de 24 horas antes do anúncio, Walensky e outras autoridades de saúde “ainda estavam defendendo que as pessoas que estão totalmente vacinadas precisam usar máscaras em ambientes fechados”.

Walensky disse que está "entregando a ciência como a ciência é entregue às revistas médicas".

“E, você sabe, evoluiu ao longo da última semana, os casos diminuíram nas últimas duas semanas. E é isso – entreguei assim que pude, quando tínhamos essa informação disponível ”, acrescentou.

Walensky afirmou que as pessoas vacinadas estão "seguras", podem abandonar as precauções da era pandêmica, e apenas as não vacinadas estão em risco.

“Se você for vacinado, estamos dizendo, você está seguro, pode tirar a máscara e não corre o risco de doença grave ou hospitalização por causa da Covid-19”, disse a diretora à Fox News. “Se você não está vacinado, você não está seguro; por favor, vá se vacinar ou continue usando sua máscara”.

Apesar da nova orientação, há inúmeras exceções à regra, com muitos edifícios públicos e empresas ainda exigindo máscaras.

Walensky ecoou seus comentários em outras entrevistas, mas eles não impediram os críticos de acusarem a reversão do mandato da máscara de ser uma ação política do novo governo para tirar o foco dos recentes escândalos da Casa Branca.

* Com informações da Lusa, Organização Mundial de Saúde (OMS).

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