"A variação homóloga do Índice de Preços no Consumidor (IPC) foi +8,0% em maio de 2022, taxa superior em +0,8 pontos percentuais à observada no mês anterior e a mais elevada desde fevereiro de 1993", informou o INE.

O indicador de inflação excluindo energia e alimentos não processados variou +5,6% na comparação intranual, taxa superior em +0,6 pontos percentuais à apurada em abril e "o valor mais elevado desde outubro de 1994".

A variação da energia aumentou +27,3% na comparação com maio de 2021, "o valor mais elevado desde fevereiro de 1985".

Por sua vez, o índice referente aos produtos alimentícios não transformados apresentou uma variação de +11,6%, face aos +9,4% de abril.

Segundo o INE, "por classes de despesa e face ao mês precedente, são de destacar os aumentos das taxas de variação homóloga das classes da 'habitação, água, eletricidade, gás e outros combustíveis' e das 'bebidas alcoólicas e tabaco', com variações de +13,4% e +2,8%, respectivamente (+10,2% e +0,6% em abril)".

Quanto ao Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) português, apresentou uma variação intranual  em maio de +8,1%, sendo este "o terceiro mês consecutivo em que é ultrapassado o valor mais elevado registrado em Portugal desde o início da série do IHPC, em 1996".

Segundo o INE, esta taxa é superior em +0,7 pontos percentuais à do mês anterior e idêntica ao valor estimado pelo Eurostat para a zona euro.

Excluindo produtos alimentares não transformados e energia, o IHPC em Portugal registrou uma variação mensal de +1,0% e atingiu uma variação intranual de +5,8% em maio (+5,3% no mês anterior), superior à taxa correspondente para a área do Euro, estimada em +4,4%, "mantendo o perfil marcadamente ascendente verificado nos últimos meses".

Novos aumentos

O último fim de semana em Portugal foi de calor intenso, de seca nas lavouras, de praias cheias no litoral, de marchas populares em Lisboa, de longas filas nos aeroportos, serviços de urgências hospitalares à míngua e aumentos dos combustíveis.

Se muitos lisboetas aproveitaram o feriado municipal da segunda-feira (13) para viajar, pagaram mais 13 centavos por litro de diesel na volta, um aumento de +7%.

De uma segunda-feira para a outra, o diesel simples alcançou um preço médio em Portugal continental de 2,024 euros. O diesel especial subiu para 2,063 euros.

Com estes valores, o diesel atinge o seu preço de venda ao público mais alto da série histórica. O recorde anterior era de 2,01 euros por litro, praticado entre 30 de março e 1º de abril.

Mesmo com a redução do Imposto Sobre Produtos Petrolíferos (ISP), o diesel simples já subiu 36% em 2022.

Por sua vez, a gasolina chega a custar 2,30 euros por litro nos centros urbanos – nas estradas o valor é ainda maior.

O mercado justifica este forte aumento dos preços com o anúncio da aprovação do sexto pacote de sanções da UE contra a Rússia.

O barril do petróleo Brent estava sendo negociado esta terça-feira de manhã nos 123 dólares por barril, o que significa um aumento de quase 30% desde o início da crise da Ucrânia. No mesmo período, no entanto, o dólar valorizou cerca de 7% frente ao euro, pelo que o aumento do petróleo, apurado em euros, é de quase 40%.

* Com informações do Diário de Notícias

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