Em videoconferência realizada na sexta-feira (29), Portugal e Argentina "comprometeram-se em manter um diálogo fluido e de liderarem a troca de posições entre os dois blocos com a vontade de conseguirem os consensos necessários" para a ratificação do acordo, que se encontra na fase de revisão legal.

Esta é a segunda reunião que Portugal e Argentina mantém como representantes dos seus respectivos blocos numa liderança por seis meses.

Com o objetivo de "analisar os desafios vinculados ao acordo durante este semestre", a reunião virtual foi liderada, do lado português, pela Secretária de Estado dos Assuntos Europeus, Ana Paula Zacarias, e, do lado argentino, pelo Secretário de Relações Econômicas Internacionais, Jorge Neme.

"As autoridades dos dois países coincidiram na necessidade de avançarem durante as presidências que os dois países exercem em cada bloco para alcançarem os acordos pendentes e poderem concretizar a assinatura do acordo Mercosul-UE", anunciou na segunda-feira (1º) o Ministério das Relações Exteriores da Argentina.

Entre as pendências, aspectos técnicos, como as listas de indicações geográficas e os produtos com denominação de origem, e questões de soberania, como a disputa das Malvinas e políticas ambientais, estariam dificultando a ratificação do acordo.

A Argentina quer que a União Europeia, depois do 'Brexit', considere as Malvinas como zona de litígio e não como território ultramar do Reino Unido. O arquipélago, sob domínio britânico desde a ocupação em 1833, tem a sua soberania reivindicada pela Argentina.

No ponto ambiental, a Argentina destacou a necessidade de "enfrentar a questão com um compromisso vinculado a um processo de desenvolvimento sustentável das economias", acrescentando que "um maior desenvolvimento permitirá uma melhora nos padrões ambientais".

O governo brasileiro classifica algumas das objeções ambientais, especialmente da França, como preocupações protecionistas de segmentos europeus, do que é ilustrativa a defesa de que preferências tarifárias só deveriam ser dadas a produtos que sigam os métodos europeus de produção. Na avaliação do governo Bolsonaro, estão sendo apresentados "argumentos não comerciais (como o suposto risco de desflorestamento) para garantir proteção econômica a certos produtores [europeus]".

O acordo entre a União Europeia e o Mercosul foi fechado em julho de 2019, depois de vinte anos de negociações.

* Com informações do Jornal de Negócios

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