Atualização 25/09 - O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa recusou, esta sexta-feira (25), fazer especulações sobre um novo estado de emergência.

"Ninguém tem certezas sobre isso. Há cenários. Da última vez que houve uma sessão epidemiológica foram apresentados cenários e portanto esses cenários têm muito de imprevisíveis. Depende de vários fatores", afirmou o chefe de Estado.

"Quando o Primeiro-Ministro disse que poderia ultrapassar os mil casos, muita gente ficou surpreendida e estamos agora nos 900 e isso pode acontecer na próxima semana, nos próximos dias, daqui a umas semanas", disse Marcelo. Os portugueses devem "equilibrar a sua vida econômica, o seu trabalho, a sua vida social, a sua vida escolar com a salvaguarda da vida e da saúde".

O receio de uma segunda onda do vírus, que há meses preocupa os portugueses, se materializou com o rápido aumento de infectados depois de uma relativa trégua no verão.

O Primeiro-Ministro António Costa admite que na próxima semana o número de casos por dia chegue a 1.000.

“Acompanhando a tendência geral da Europa estamos a sofrer um forte crescimento de novos casos diariamente. A manter-se esta tendência, na próxima semana chegaremos aos mil novos casos por dia”, disse Costa à saída da reunião de urgência com o gabinete de crise para o acompanhamento da evolução da Covid-19.

António Costa não revelou o conteúdo da reunião, nem deu novos conselhos ou recomendações, repetindo a narrativa de responsabilidade individual, em que cada pessoa deverá ser “polícia de si própria”.

"Se todos cumprirmos as regras básicas, conseguimos controlar a pandemia. O vírus não anda sozinho. Somos nós que os transmitimos uns aos outros. Tudo o resto é importante, mas é acessório. É claro que temos de reforçar a capacidade do Serviço Nacional de Saúde, de testar mais e mais rápido. Mas antes de tudo, temos de fazer o que depende de nós”, disse o Primeiro-Ministro de Portugal.

"As escolas não podem voltar a fechar, os idosos não podem deixar de ter visitas nos lares. Seria impensável ter um Natal como tivemos a Páscoa", disse Costa.

António Costa apelou à cautela, mesmo que as pessoas não tenham sintomas.

“A maior parte das pessoas está contaminada sem ter sintomas, sendo veículos de transmissão. Por isso, a nossa responsabilidade é permanente e não pode haver relaxamento. Compreendo que ao final de meses já exista fadiga, mas isto não é uma corrida de 100 metros, é uma maratona”, declarou o líder do Governo.

Pelo fato do caminho ser longo, o Primeiro-Ministro descartou um novo confinamento como solução de combate à pandemia, lembrando as duras consequências que essa fase trouxe ao país no início do ano.

“Parar o país teve um custo enorme. Foi horrível. Destruiu milhares de postos de trabalho”, lembrou. “Os custos de não haver aulas presenciais foram muito significativos. Nas primeiras cinco semanas deste ano letivo vai ser feito um esforço de recuperar o que se perdeu”.

Enquanto o Reino Unido não exclui novo lockdown nacional, António Costa foi radical: acabou o mantra “ficar em casa” para enfrentar a pandemia.

António Costa já tinha descartado um hipotético segundo lockdown, mas agora recusa a medida quando o número de contágios diários começa a ter proporções alarmantes e com perspectiva de novas subidas.

“O custo social do confinamento foi brutal. Não podemos passar por isso tudo outra vez”, disse Costa.

Horas mais tarde, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse que o plano que está em preparação irá “evitar confinamentos totais e o regresso ao estado de emergência”, preferindo apostar nos “frutos de um processo longo”.

“Sei que pesei a iniciativa e decisão de avançar para o estado de emergência. E quando o estado de emergência terminou, disse que esperaria não ter de voltar ao estado de emergência ou ao confinamento total”, recordou o Presidente de Portugal.

As orientações da próxima fase de combate à pandemia só deverão ser conhecidas na próxima semana, data em que a Direção-Geral da Saúde (DGS) revelará as medidas do plano para o Outono/Inverno.

Atualização 22/09

A Ministra da Saúde, Marta Temido afastou a possibilidade de um confinamento geral até porque já se percebeu, afirmou no Telejornal, que "tem uma eficácia menos importante do que no passado".

"Hoje todos os países estão a tentar afastar-se dessa ideia".

"Enfrentamos esta fase com confiança", assegurou a Ministra. "Temos mais meios, mais recursos humanos e técnicos, mais organização e mais conhecimento".

O "experimento sueco" **

A Suécia não fechou as escolas, não recomendou o uso de máscaras, manteve os restaurantes e as lojas abertas, permitiu festas com até 50 convidados, e colocou a ênfase no combate à pandemia na responsabilidade individual.

Os números da pandemia atingiram níveis surpreendentemente baixos.

O número de mortes relacionadas à Covid em cada dia da semana passada foi zero; o número de pacientes em UTIs com Covid no país de 10 milhões de habitantes é atualmente 13.

Mas foram seis meses difíceis para a nação nórdica, normalmente acostumada a ser admirada por todos. Em março, ao contrário de todos os outros países da União Europeia (UE), os suecos se recusaram a decretar lockdown, atraindo imediatamente a atenção do mundo para o "experimento sueco".

No início, a estratégia parecia estar indo mal. A infecção se espalhou rapidamente em Estocolmo (sabe-se agora devido ao grande número de visitantes dos Alpes italianos); muitas das grandes casas de repouso tiveram surtos e, já no final de abril, as mortes per capita na Suécia ultrapassaram dramaticamente as vizinhas Noruega e Dinamarca – embora em todo o período tenham permanecido menores do que no Reino Unido, Espanha, Itália e Bélgica.

Contudo, os casos começaram a cair rapidamente em julho e ainda mais em agosto, até alcançar o momento decisivo da semana passada.

Não apenas a Suécia está agora abaixo do Reino Unido, ela caiu abaixo de seus vizinhos escandinavos Dinamarca e Noruega, anunciados como “nações exemplo” por sua ação decisiva, mas agora sofrendo um grande aumento no número de casos.

Todo mundo tem uma teoria sobre o que pode ou não estar acontecendo na Suécia.

A densidade populacional é diferente, dizem alguns; o alto número de residências de solteiros significa que o vírus não se espalha, dizem outros; eles são culturalmente gelados e não tendem a chegar muito perto, diz outra teoria.

Mas a possibilidade politicamente explosiva, que as autoridades de saúde suecas acreditam ser verdade, é que eles estão alcançando um grau da chamada “imunidade de rebanho”; em outras palavras, que um número suficiente de pessoas já venceu o vírus e agora está imune, dificultando sua propagação, implicando que lockdowns e máscaras podem estender, em vez de resolver, a crise.

Aconteça o que acontecer nos próximos meses em Estocolmo, há estabilidade e tranquilidade. A consistência da abordagem torna o país único na Europa. A Suécia não decretou quarentenas ou lockdowns locais, nem mudou as regras nos últimos seis meses. Os bares estão abertos e a Stockholm Opera House prepara a estreia escandinava da ópera rock Prima Donna de Rufus Wainright em outubro.

Enquanto a Europa entra em um inverno de ansiedade e discussões sobre toque de recolher e cancelamento do Natal, a Suécia, o país liberal do Mar do Norte que adotou uma abordagem diferente, parece agora estar colhendo os frutos.

* Com informações do Publico.pt, RTP

** Baseado no artigo The great Covid-19 experiment — did Sweden beat us all?, de Freddie Sayers

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