Morawiecki continuou: “Uma UE em que existe uma oligarquia europeia que pune os mais fracos (dos Estados-Membros) e os empurra para um canto não é a UE a que aderimos. Esta não é uma UE com futuro”.

“Dizemos 'sim' à União Europeia, mas 'não' a sermos punidos como crianças. 'Não' aos mecanismos que significam que a Polónia e outros países são tratados injustamente".

“É uma questão de soberania”, defendeu Morawiecki, alertando que a imposição de condições como o Estado de Direito pode levar ao fim da UE.

“Hoje você acha que esse instrumento é dirigido contra nós, contra a Hungria, talvez contra a Eslovênia, talvez contra algum outro país da Europa Central. Em poucos anos, em dois ou três anos, pode ser dirigido contra qualquer um”, acrescentou.

A insistência da União Europeia de que os fundos orçamentários estão ligados ao Estado de Direito irritou os líderes poloneses, que desejam proteger sua soberania e questionam abertamente o futuro do bloco.

Ao vetar um orçamento de € 1,8 trilhão e comparar a escravidão de Bruxelas à vida sob o comunismo, os poloneses podem implodir a União Europeia.

Como seus aliados na Hungria, os poloneses se opõem veementemente a que a UE vincule financiamento futuro ao Estado de Direito – “faça como dizemos ou fechamos a torneira do dinheiro” – e isso não tem funcionado bem.

O Primeiro-Ministro da Hungria, Viktor Orbán, chamou a medida de “arma política e ideológica”, acusando-a de ter sido criada para chantagear e punir países que rejeitam a imigração.

“Hoje, em Bruxelas, eles só veem países que deixam imigrantes entrar como governados pelo Estado de Direito. Aqueles que protegem suas fronteiras não podem ser qualificados como países onde o Estado de Direito prevalece”, disse em comunicado.

Orbán também alegou que as condições do Estado de Direito carecem de critérios objetivos e não permitem que os países sancionados pelo mecanismo busquem soluções legais.

“Assim que esta proposta for adotada, não haverá mais obstáculos para vincular a parcela dos fundos comuns dos Estados-membros ao apoio à migração e usar meios financeiros para chantagear os países que se opõem à migração”, disse.

Até quarta-feira (18), Hungria e Polônia resistiam sozinhas, mas ganharam a companhia da Eslovênia. Em uma carta ao Conselho Europeu, o premier esloveno, Janez Jansa, disse que, embora o país apóie o Estado de Direito em todos os casos, "mecanismos discricionários que não são baseados em julgamento independente, mas em critérios politicamente motivados não podem ser chamados de 'Estado de Direito'".

Sob o novo mecanismo, os países da UE podem perder seu direito a veto e ter o financiamento cortado se a maioria dos outros Estados-membros apoiarem tais medidas.

A abordagem paternalista há muito irrita os países que nunca estiveram de acordo com Bruxelas. Para alguns observadores, trata-se apenas dos liberais da Europa ocidental se opondo às democracias cristãs mais novas, conservadoras, do leste.

Morawiecki rejeita essa visão.

“Esta não é uma divisão entre a esquerda e a direita, mas entre aqueles que querem que alguns funcionários em Bruxelas decidam sobre o destino da Polônia e aqueles que se preocupam com a Polônia”, disse o Primeiro-Ministro da Polônia.

O Ministro da Justiça polonês, Zbigniew Ziobro, enfatizou que é uma questão de retomar a soberania do país.

“Trata-se de escravidão institucional, política, redução radical da soberania”, acusou Ziobro.

Certamente funcionou no Reino Unido, o único ex-membro até agora a cumprir sua ameaça de abandonar o clube político da UE. Mas talvez não por muito tempo.

Morawiecki e Orbán estão pressionando a UE a admitir que nem todas as nações podem, ou mesmo deveriam, ser tratadas da mesma forma.

Há anos, a UE tenta, sem sucesso, impor medidas para limitar os direitos a voto da Polônia e da Hungria — isto demandaria unanimidade e ambas as nações se protegem mutuamente.

Enquanto tratar os dois países como crianças que deveriam ser gratas pelo que têm, a disputa continuará a crescer. A UE não só verá sua autoridade diminuir, à medida que o orçamento e os fundos de recuperação que prometeu a outros não se materializarem, mas começará a parecer fraca em face da crescente insurreição.

* Com informações do RT, Euronews

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