Gref entende que a principal causa da crise de energia na Europa é o planejamento falho da transição energética.

“Acreditamos que a atual crise de energia na Europa não é uma crise de energia renovável, mas uma crise de planejamento de transição energética e uma crise de gás", disse Gref em uma entrevista à RIA Novosti.

O banqueiro concordou com a avaliação do Presidente Vladimir Putin, que disse que os reguladores europeus estavam errados ao abandonar o sistema de contratos de gás de longo prazo em favor do mercado spot.

"Aqui eu concordo com o Presidente da Rússia, que apontou as falhas no planejamento para a transição energética europeia”, disse. "Anteriormente, mais de 90% do gás europeu era adquirido por meio de contratos de longo prazo, o que garantia a estabilidade de todas as condições”.

Entre outras razões por trás do agravamento da crise, Gref citou o aumento da competição global pós-pandemia por energia, o declínio na produção de energia renovável, bem como um nível baixo recorde de reservas de gás em instalações de armazenamento subterrâneas europeias.

No mês passado, Igor Sechin, chefe da gigante estatal russa do petróleo Rosneft, falando no 14th Eurasian Economic Forum, em Verona, Itália, destacou os sérios riscos da transição impulsiva de energia e da atitude negligente em relação à energia tradicional –  a atual escassez de contratos de longo prazo levou a armazenamento subterrâneo de gás insuficiente em todo o continente.

"A crise do gás na Europa demonstrou a importância dos estoques de commodities”, disse Sechin.

“Diante da crescente demanda, as capacidades limitadas de geração alternativa não são capazes de garantir o fornecimento de eletricidade estável não apenas no inverno, mas também durante os períodos mais confortáveis de verão e outono, levando a preços recordes do gás”, acrescentou.

Sechin disse ainda que a situação atual compromete a recuperação econômica de toda a região após quase dois anos de pandemia.

A alta nos preços do gás levou a aumentos no custo da eletricidade para residentes e indústrias da União Europeia, bem como subsequentes falhas na indústria e interrupções no fornecimento.

Especialistas preveem que o aumento dos preços do gás forçará os países europeus a restringir, pelo menos temporariamente, suas ambições de eliminar o carvão e os combustíveis fósseis na busca por outras fontes de energia.

* Com informações do RT

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