O esquema funcionou de 2013 até 2018. Partindo de um núcleo de três homens, foi estabelecida uma rede criminosa sediada em Braga, com um número ainda não revelado de participantes.

Foi apurado que os golpistas sacavam quantias entre mil e dez mil euros de contas bancárias de pessoas e de empresas, usando um expediente de engenharia social conhecido como phishing, que consiste em enviar mensagens falsas de email com grande semelhança com o formato e texto do verdadeiro emissor, para obtenção das credenciais bancárias da vítimas.

A quadrilha teria desviado um milhão de euros de contas de vários bancos, a maioria das quais do Montepio Geral na zona do Minho, segundo o Jornal de Notícias. O dinheiro era transferido para familiares e amigos dos criminosos.

“A segurança dos clientes em qualquer um dos canais – homebanking, app ou mesmo no balcão – e a proteção dos depósitos, dados e transações  sempre foi uma preocupação”, respondeu o banco Montepio ao JN.

O caso está em investigação no Ministério Público de Braga e já aponta 55 pessoas envolvidas, incluindo brasileiros suspeitos de participarem na fraude.

Ingenuidade ou falta de informação?

Essa combinação, infelizmente, colocou o Brasil em uma posição ingrata: o país líder mundial em ataques de phishing, segundo a empresa de segurança digital Kaspersky.

No Brasil, 60% das tentativas de fraude simulam mensagens de bancos tradicionais ou digitais. Além de email e SMS, os criminosos estão utilizando aplicativos de mensagens e propagandas em redes sociais para aplicar os golpes.

Como uma "pescaria", o criminoso envia um texto indicando que a pessoa ganhou algum prêmio ou dinheiro, está devendo algum valor, o cartão de crédito foi utilizado em compra que não efetuou, etc, e um link para resolver a situação.

A armadilha acontece quando o lesado entra no link fornecido e insere os seus dados sensíveis — normalmente, há um site falso do banco/ecommerce para ludibriar a vítima —, como nome completo, telefone, CPF e números de contas bancárias.

Os ataques de phishing registraram em 2019 um crescimento exponencial no Brasil, de 230% entre fevereiro e dezembro do ano passado. Apenas no quarto trimestre foram  8.800 casos, com destaque para a Black Friday.

Outro dado que chama a atenção é o vazamento de cartões de crédito e débito, que identifica o Brasil como o segundo país com mais vazamento de dados desse tipo, com 1,6 milhão de cartões expostos no ano de 2019, somente atrás dos Estados Unidos.

* Com informações do Jornal de Notícias, Jornal Económico, Kaspersky Brasil

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