As projeções do Boletim Agro foram atualizadas com base nos dados da safra 2019/2020, utilizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e perspectivas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

"O principal motivo da revisão não é a pandemia, está relacionado à redução da estimativa de produção de soja do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do IBGE, e decorre principalmente de uma queda da colheita do grão no Rio Grande do Sul", disse o Ipea.

Na comparação do LSPA divulgada em abril face março, houve recuo de -31% na previsão da safra 2019/2020 para o Rio Grande do Sul, queda de -28% em relação à safra 2018/2019.

Nas demais regiões produtoras a perspectiva é positiva, com crescimento reestimado de +6,4% na produção nacional de soja ante +10,4% em março.

Não é esperada uma nova grande revisão nas estimativas do LSPA para a safra recorde de soja, tendo em vista que a colheita do grão está praticamente concluída.

O LSPA também revisou a produção de café, que teve a previsão elevada de +14,2% para +15,4%, e do milho, reduzindo a queda de -4,0% para -3,5%.

Previsões para a taxa de crescimento do PIB agropecuário por segmento e por produto (2020): Fonte e arte: Boletim Agro
Previsões para a taxa de crescimento do PIB agropecuário por segmento e por produto (2020): Fonte e arte: Boletim Agro

Recessão

Para o diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea, José Ronaldo de Castro Souza Júnior, “o mercado de carne bovina, proteína mais cara, pode ser o segmento com maior impacto negativo por conta da crise causada pela pandemia”.

Em um cenário de impacto significativo da recessão sobre a produção de bovinos e cana-de-açúcar, em função da redução forte do preço do petróleo, que afeta o preço do álcool, a projeção de crescimento do PIB Agro em 2020 cai para +1,4%.

Com base na revisão mais recente do do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (United States Department of  Agriculture – USDA), a previsão de crescimento da carne bovina foi reduzida de +3,5% para +1,1%. Esta revisão é corroborada pelos dados de abate no primeiro trimestre  do Sistema de Inspeção  Federal (SIF) da produção de proteína animal do Brasil.

Os dados preliminares das unidades habilitadas pelo SIF indicam um recuo de -10% dos abates de bovinos no primeiro trimestre em comparação com o mesmo período do ano de 2019.

Os abates de suínos e aves, todavia, apresentam crescimento de +2,4% e +5,5% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior – dados preliminares também.

A expectativa é de recuperação do segmento de bovinos já no segundo trimestre, alinhando-se aos demais segmentos e contribuindo para a alta esperada no ano.

Segundo a CNA, o agronegócio responde por 20% do PIB brasileiro.

* Com dados e informações do Ipea, Boletim Agro

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