Em valores correntes, o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre de 2021 totalizou R$ 2,2 trilhões, sendo R$ 1,9 trilhão em Valor Adicionado (VA) a preços básicos e R$ 334 bilhões em Impostos sobre Produtos líquidos de Subsídios.

Indicadores do 3º trimestre de 2021. Fonte: Sistema de Contas Nacionais Trimestrais/IBGE
Indicadores do 3º trimestre de 2021. Fonte: Sistema de Contas Nacionais Trimestrais/IBGE

A taxa de investimento no terceiro trimestre de 2021 foi de 19,4% do PIB contra 16,4% no mesmo período do ano anterior. A taxa de poupança foi de 18,6% no terceiro trimestre de 2021, maior que os 16,2% obtidos no mesmo período de 2020.

A Despesa de Consumo das Famílias registrou resultado positivo pelo segundo trimestre seguido (+4,2%), influenciada pelo aumento na ocupação no mercado de trabalho, pela expansão do crédito a pessoas físicas e pelo avanço da vacinação. A Despesa de Consumo do Governo cresceu +3,5% no período.

A Formação Bruta de Capital Fixo cresceu +18,8% no terceiro trimestre de 2021. A magnitude desse resultado é justificada pela alta na produção e importação de bens de capital, assim como pelo crescimento na Construção.

No setor externo, as Exportações de Bens e Serviços cresceram 4,0%, enquanto as Importações de Bens e Serviços subiram 20,6% no terceiro trimestre de 2021.

Indústria

Comparado ao desempenho do 3º trimestre de 2020, a Indústria cresceu +1,3%. Entre suas atividades, a Construção apresentou o melhor resultado no volume do valor adicionado (+10,9%), corroborada pelo aumento da ocupação nessa atividade. As Indústrias extrativas também cresceram (+3,5%), puxadas pela alta na extração de minério de ferro.

A atividade de Eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos, por sua vez, caiu -4,6%, com a piora nas bandeiras tarifárias. As Indústrias de transformação caíram -0,7%, afetadas pelas quedas na fabricação de produtos alimentícios, móveis, bebidas, material elétrico e equipamentos de informática.

Serviços

O valor adicionado de Serviços avançou +5,8% no 3º trimestre de 2021 na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, com destaque para a alta de Informação e comunicação (+14,8%), Outras atividades de serviços (+13,5%) e Transporte, armazenagem e correio (+13,1%).

Cresceram também Administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (+2,9%), Comércio (+2,8%) e Atividades imobiliárias (+1,7%). Apenas as Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (-1,3%) caíram.

Agropecuária

O valor adicionado da Agropecuária caiu -9,0% em relação ao 3º trimestre de 2020, puxada pelo mau desempenho de alguns produtos que possuem safra relevante no terceiro trimestre e apresentaram retração na estimativa de produção anual e perda de produtividade: café (-22,4%), algodão (-17,5%), milho (-16,0%), laranja (-13,8%) e cana de açúcar (-7,6%). Além disso, as estimativas para Pecuária também apontaram um fraco desempenho dessa atividade no trimestre analisado.

Desempenho na margem

O PIB variou -0,1% no terceiro trimestre de 2021, comparado ao segundo trimestre de 2021, na série com ajuste sazonal.

Pela ótica da demanda, o consumo das famílias aumentou +0,9% na comparação com o trimestre anterior. E o consumo do governo também cresceu (+0,8%).

No setor externo, tanto as Exportações de Bens e Serviços (-9,8%) quanto as Importações de Bens e Serviços (-8,3%) tiveram quedas em relação ao trimestre anterior.

“A balança de bens e serviços negativa acabou puxando a variação do PIB para baixo na comparação com o trimestre anterior. Cabe destacar, no entanto, que na comparação interanual, ambas as atividades tiveram alta acentuada, muito por conta da retomada do turismo internacional, mas a contribuição ao crescimento ainda ficou negativa, já que as importações (20,6%) superaram em muito as exportações (4,0%)”, conclui Palis.

No terceiro trimestre de 2021, comparado ao desempenho do trimestre anterior, a Agropecuária caiu -8,0%, a Indústria ficou estável e os Serviços subiram +1,1%.

Agropecuária

O recuo na Agropecuária foi consequência do encerramento da safra de soja, que também acabou impactando as exportações. A coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, explica que a colheita da soja, por ser muito mais concentrada nos dois primeiros trimestres, impacta no resultado.

“Como ela é a principal commodity brasileira, a produção agrícola tende a ser menor a partir do segundo semestre. Além disso, a Agropecuária vem de uma base de comparação alta, já que foi a atividade que mais cresceu no período de pandemia e, para este ano, as perspectivas não foram tão positivas, em ano de bienalidade negativa para o café e com a ocorrência de fatores climáticos adversos na época do plantio de alguns grãos”, relaciona Palis.

Segundo nota da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia (SPE), divulgada nesta quinta-feira (2), se fosse zerada a variação da Agropecuária na margem, o PIB cresceria na ordem de +0,3% a +0,4% no terceiro trimestre em relação ao segundo trimestre de 2021.

“É fundamental distinguir o que é política econômica de fatores climáticos adversos e pontuais da natureza. A maior crise hídrica em 90 anos de história e a ocorrência de severas geadas tiveram impacto tanto em setores intensivos em energia como em setores que dependem do clima, como agricultura”, diz a nota.

A SPE ressaltou que “mais importante do que considerar o número do crescimento, é observar a sua qualidade”.

“Há elevação da taxa de poupança e da taxa de Investimento (FBCF/PIB), retornando o patamar do começo da década passada. Dessa forma, salienta-se a melhora na qualidade do crescimento do PIB brasileiro”.

Indústria

Entre as atividades industriais, que respondem por cerca de 20% do PIB nacional, houve crescimento apenas na construção (+3,9%). Eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (-1,1%), indústrias de transformação (-1,0%) e indústrias extrativas (-0,4%) tiveram queda.

“O encarecimento dos insumos e outros problemas na cadeia produtiva, além da crise energética, vêm afetando o setor industrial”, ressalta Palis.

Serviços

O crescimento dos Serviços, 70% do PIB brasileiro, foi puxado pelo ítem "outras atividades", que reúne serviços prestados às famílias.

“Com o avanço da vacinação contra Covid-19 e o consequente aumento da mobilidade e reabertura da economia, as famílias passaram a consumir menos bens e mais serviços”, comenta Palis.

Cinco atividades da categoria apresentaram crescimento frente ao trimestre anterior: outras atividades de serviços (+4,4%); informação e comunicação (+2,4%); transporte, armazenagem e correio (+1,2%); administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (+0,8%). As atividades imobiliárias ficaram estáveis e apenas as atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (-0,5%) e comércio (-0,4%) registraram variações negativas.

“A queda nos serviços financeiros se deve em parte a um aumento nos sinistros de planos de saúde. Já o comércio, que foi um dos setores mais afetados pela pandemia, teve uma forte alta no segundo trimestre, com a reabertura e, portanto, a base de comparação estava alta e as famílias também migraram parte do seu consumo para os serviços”, explica Palis.

* Com informações do Sistema de Contas Nacionais Trimestrais, IBGE, SPE

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