No segundo trimestre de 2019, a taxa de investimento foi de 15,9% do PIB, acima da observada no mesmo período de 2018 (15,3%).

Os dados, que fazem parte do Sistema de Contas Nacionais Trimestrais, foram divulgados hoje pelo IBGE.

  • Construção subiu +2%, após 20 trimestres consecutivos de queda nessa comparação.
  • Indústria registrou crescimento de +0,3%. Atividades de energia elétrica, gás, água e esgoto expandiram +2,4%. Indústria de Transformação cresceu +1,6%, com aumento de produção de produtos metálicos, máquinas e equipamentos, produtos químicos, metalurgia, e bebidas. A indústria extrativa (-9,4%) teve sua queda mais acentuada na série histórica.
  • Serviços cresceu +1,2%, com destaque para Informação e Comunicação (+3%) e Atividades Imobiliárias (+2,7%).
  • Comércio – atacadista e varejista –  subiu +2,1%.
  • Agropecuária avançou +0,4%, principalmente pela produtividade de produtos com safra relevante no trimestre e pelo bom desempenho da pecuária.
  • Consumo das Famílias teve expansão +1,6%, o nono avanço consecutivo.
  • Formação Bruta de Capital Fixo avançou +5,2% no segundo trimestre de  2019, o sétimo resultado positivo após 14 trimestres de recuo.
  • Exportações de Bens e Serviços (+1,8%) e Importações de Bens e Serviços (+4,7%) cresceram.

“Mais uma vez, vemos o consumo das famílias influenciando a demanda,  além de ter puxado o aumento do comércio varejista. Já o comércio por  atacado, cresceu graças às indústrias de transformação, principalmente a metalurgia e produção de máquinas e equipamentos. Junto com a  importação, a produção doméstica de bens de capital e a construção explicam a aceleração da Formação Bruta de Capital Fixo”, explica a gerente de Contas Nacionais do IBGE, Claudia Dionísio.

Evolução do PIB

Taxas (%) 2T18 3T18 4T18 1T19 2T19
Acumulado ao longo do ano / mesmo período do ano anterior 1,1 1,1 1,1 0,5 0,7
Últimos quatro trimestres / quatro trimestres imediatamente anteriores 1,4 1,4 1,1 0,9 1,0
Trimestre / mesmo trimestre do ano anterior 0,9 1,3 1,1 0,5 1,0
Trimestre / trimestre imediatamente anterior (com ajuste sazonal) -0,1 0,5 0,1 -0,1 0,4

Fonte: IBGE - Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Contas Nacionais.

* Com informações e dados do IBGE

Atualização 31/08/2019:

Economistas se surpreendem com resultado do PIB

O Produto Interno Bruto de R$ 1,78 trilhão nos meses de abril,  maio e junho deste ano surpreendeu os economistas. O valor corresponde  ao fluxo de novos bens e serviços finais produzidos no segundo trimestre  deste ano. O resultado foi 1% acima do registrado no mesmo período em  2018 e 0,4% superior ao primeiro trimestre de 2019.

Antes da divulgação do PIB pelo IBGE, a tendência geral dos  economistas ouvidos no mercado financeiro era apostar em um crescimento  de 0,2% de um trimestre a outro.

Para a CNI, o dobro do crescimento é melhor do que se esperava, mas não o suficiente para marcar uma vigorosa retomada da economia.

“É uma notícia positiva e enseja expectativas, mas vamos lembrar: a indústria tinha caído dois semestres seguidos e o crescimento anterior  tinha sido fraco. Agora estamos de cinco a seis pontos percentuais  menores que estávamos no início da recessão”,  diz Flávio Castelo Branco, gerente-executivo de Política Econômica da  Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Sobre os possíveis impactos do conflito comercial e cambial entre os Estados Unidos e China, saída do Reino Unido da União Europeia, e a crise argentina, Castelo Branco diz que “o maior freio está dentro da nossa economia”.

Em sua avaliação, a aprovação da Reforma da Previdência Social,  a simplificação da cobrança de tributos, a desburocratização das obrigações das empresas, e a Medida Provisória da liberdade econômica irão fortalecer a economia do País.

“Esses fatores vão preponderar sobre as dificuldades que vêm do  ambiente internacional”, acredita o gerente-executivo de Política  Econômica da CNI.

Além das medidas em andamento, Castelo Branco tem expectativa  positiva quanto ao programa de privatização e concessões do Governo Federal e acredita que o Banco Central continuará reduzindo a taxa  básica de juros (Selic). “Isso tudo cria um ambiente mais favorável para  a demanda de investimentos e para a demanda das famílias, fazendo a  roda do crescimento girar um pouquinho mais rápido”.

Varejo e Construção

O economista-chefe do Modalmais, Alvaro Bandeira, acredita que varejo e construção devem apresentar melhoras mais consistentes em seus  resultados nos próximos trimestres. Taxas de juros mais baixas e preços de imóveis em queda devem ajudar a melhorar o cenário. "O setor deve ter dinâmica melhor na recolocação  dos estoques e começar a melhorar lançamentos. Lembramos que estamos  partindo de níveis muito baixos e, portanto, a expansão fica mais  fácil", diz Bandeira.

Para o analista da Mirae Asset, Pedro Galdi, a demanda doméstica segue reprimida. Por isso, qualquer sinal de melhora acaba superando as  expectativas, como aconteceu no segundo trimestre. "A perspectiva  continua apontando para um quarto trimestre mais aquecido no consumo,  até pela sazonalidade das festas de final de ano. Uma melhora  representativa virá em 2020", afirma o profissional.

André Silva, analista do MyCap, avalia que os resultados do segundo trimestre representam "um tom mais ameno e  esperançoso" para a economia, mas ainda há muito a ser feito para que  as projeções para o ano sejam atingidas. Ele ressalta que o governo tem  conseguido estimular a economia com algumas medidas de curto prazo, como  a liberação de recursos do FGTS e correção do financiamento imobiliário  pelo IPCA, entra outras ações. Para Silva, essa última medida "tende a  melhorar ainda mais a retomada do setor de construção civil, que possui  muita influência no crescimento econômico do País, uma vez que é o setor  que mais emprega".

O analista da Nova Futura Investimentos, Alexandre Faturi, mantém o otimismo em relação às varejistas. E lembra que as construtoras já devem sentir  os benefícios dos financiamentos indexados pelo IPCA, com vendas  maiores. "Com a constatação de que o setor teve performance acima da  esperada no segundo trimestre, a perspectiva do setor fica reforçada",  diz Faturi.

* Com informações da Agência Brasil e do Diário do Nordeste

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