A projeção de inflação mais baixa em 2022 incorpora a redução do ICMS nos preços de combustíveis, energia elétrica, transportes e telecomunicações.

No fim de junho, o Congresso fixou um teto de 17% a 18% para a cobrança de ICMS sobre essas despesas, além de ter aprovado um corte de tributos federais sobre gasolina e etanol.

Guedes afirmou que a inflação está subindo no mundo inteiro. “Os países estão revendo o crescimento para baixo. Nós estamos revendo para cima. Está se confirmando a nossa expectativa. A crise lá fora será bem mais grave do que esperavam. Seguimos com crescimento”.

A projeção do PIB brasileiro neste ano é de R$ 9,7 trilhões.

A revisão da atividade econômica foi baseada, em grande medida, pelo resultado das pesquisas mensais do IBGE já divulgadas, como a Pesquisa Industrial Mensal, a Pesquisa Mensal de Serviços e a Pesquisa Mensal de Comércio.

Outra ênfase que fundamenta a mudança da projeção do PIB neste ano se dá pelas alterações no mercado de trabalho, cuja variação da população ocupada no trimestre móvel findo em maio/2022 é de 10,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Essa variação interanual significa um incremento da população ocupada de 9,4 milhões de trabalhadores.

A metodologia de cálculo do PIB pela oferta do IBGE para os setores de serviços, comércio e construção incorpora a variação real da massa de salários.

No setor de construção, a variação interanual real dos salários de 3,9% adicionada ao aumento de 13,2% do número de trabalhadores no setor possibilita um crescimento de 17,6% da massa real.

O setor de comércio apresenta desempenho semelhante, com variação de 16,5% da massa real, explicada pelas mudanças na População Ocupada  e rendimento real de 15,3% e 1,1%, respectivamente.

O setor de serviços, excluindo comércio, apresenta variação interanual da massa real de -1,2%. A retração é explicada em grande parte pela diminuição da renda real dos setores de administração pública, defesa e seguridade.

Analisando o setor de serviços, excluindo da variação os empregados públicos (que normalmente são formais e cuja estatística da PNAD normalmente não é incorporada no cálculo do IBGE para mensuração do PIB) e o comércio, a variação real da massa é de 7,0%, quando comparado ao mesmo período do ano passado.

Projeções de curto prazo

A projeção de crescimento do PIB para o 2T22, em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, é de 2,5%. Essa previsão representa uma variação de 0,7% em relação ao 1T22 (com ajuste sazonal).

As projeções divulgadas nesta quinta-feira (14) estão no Boletim Macrofiscal, atualizado bimestralmente pela SPE (Secretaria de Política Econômica).
As projeções divulgadas nesta quinta-feira (14) estão no Boletim Macrofiscal, atualizado bimestralmente pela SPE (Secretaria de Política Econômica)

Para o setor agropecuário, projeta-se crescimento de 2,0% no 2T22 em relação ao 1T22 (com ajuste sazonal) e aumento de 0,1% na variação interanual (2T22 com-
parado com 2T21). Esse resultado é condizente com a variação de 3,2% da safra de 2022 em relação a 2021. A safra esperada é de 261,4 milhões de toneladas.

Para a atividade industrial, a previsão é de crescimento de 0,4% no 2T22, na margem (em comparação com o 1T22, com ajuste sazonal), ao passo que na variação interanual (contra o mesmo trimestre do ano anterior) a projeção é de recuo de 0,4%. Considerando as últimas divulgações (com referência a maio/2022) dos dados de atividade pelo IBGE, o carrego estatístico para a variação na margem (em relação ao trimestre imediatamente anterior) da indústria geral (PIM-PF) no
2T22 é de crescimento em 1,0%, para a indústria de transformação é de aumento de 1,6% e para bens de capital é de 3,5%. No setor de construção, o carrego estatístico para a variação na margem de insumos típicos da construção civil é de aumento de 0,5%.

Para o setor de serviços no 2T22, projeta-se crescimento de 0,4% em relação ao trimestre imediatamente anterior (com ajuste sazonal) e aumento de 3,5% em
comparação com o mesmo trimestre do ano anterior. Considerando os dados de atividade divulgados pelo IBGE com referência ao mês de maio/2022, o carrego estatístico para a variação do setor de serviços no 2T22 em relação ao trimestre imediatamente anterior é de aumento em 1,9%.

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