Jason Miller, CEO e fundador da nova plataforma de mídia social GETTR, focada na liberdade de expressão, disse que foi detido na manhã da terça-feira (7) para interrogatório, como parte de duas "investigações secretas" conduzidas por um ministro do STF, chamando o incidente de "brushback pitch político".

No beisebol, brushback pitch é um arremesso – geralmente uma bola rápida – lançada alto e dentro da zona de strike para intimidar o rebatedor para longe da placa em arremessos subsequentes.

O ex-conselheiro sênior do ex-presidente Donald Trump e Gerald Almeida Brant foram detidos para prestar depoimento à Polícia Federal (PF) no âmbito do inquérito 4874, que apura a organização de atos antidemocráticos no Brasil.

O executivo americano veio a Brasília para participar da CPAC Brasil como palestrante e foi recebido pelo Presidente Bolsonaro.

A nota dos advogados diz que Miller e Brant não tiveram acesso aos autos dos aludidos inquéritos, motivo pelo qual valeram-se do direito constitucional ao silêncio, "remanescendo apenas necessidade de providência de cunho eminentemente administrativo, consistente na eventual indicação de representante legal da plataforma digital GETTR no Brasil”.

Em entrevista à Fox News nesta quarta-feira (8), Miller disse que foi detido e interrogado por três horas nas dependências da PF no aeroporto de Brasília.

Miller disse que após passar pela segurança do aeroporto, a caminho do embarque no jato privado para os Estados Unidos, ele foi abordado por policiais à paisana.

"Disseram-me que não estava preso. Tudo o que eles queriam que eu fizesse era responder a algumas perguntas", explicou o fundador da GETTR à Fox News.

Miller disse à Fox News que estava sendo questionado como parte de "duas investigações secretas" conduzidas por ministro do Supremo Tribunal Federal.

“No Brasil, um juiz da Suprema Corte também tem a capacidade de emitir intimações, mandar prender pessoas e muito mais”, explicou o empresário.

"Seus juízes efetivamente têm o poder do DoJ, do FBI e de tudo o mais".

Miller disse que durante o interrogatório de terça-feira ele solicitou um advogado e contactou a Embaixada dos Estados Unidos, que veio prestar ajuda.

“Eu não falo Português e nenhum deles [agentes da PF] falava Inglês”, disse.

Segundo Miller, àquela altura, a responsável pela tradução era uma funcionária do aeroporto que coordenava a partida da aeronave do grupo.

O CEO da GETTR, plataforma lançada em 4 de julho, foi solicitado a fornecer os nomes de todos os colaboradores no Brasil.

Miller disse à Fox News que não compartilhou as identidades dos indivíduos que trabalham na GETTR no Brasil.

Disse também que também que foi questionado se achava que uma plataforma com software como a GETTR poderia ser usada para organizar um evento no Brasil como o do Capitólio dos EUA, em 6 de janeiro.

"Nós nem mesmo começamos a operar até 4 de julho, então por que você está me perguntando sobre 6 de janeiro?" lembrou o executivo.

"Este foi um brushback pitch político porque apoiamos a liberdade de expressão", descreveu Miller, que assumiu relacionado à "rixa entre o STF e o Presidente", e um esforço para fazê-lo "nunca mais voltar ao Brasil".

"Na verdade, estou mais motivado do que nunca", disse o CEO à Fox News.

Em agosto, em uma entrevista ao New York Times, Miller afirmou que sua plataforma já tinha quase dois milhões de usuários e comemorou a adesão de pessoas do Brasil: "Nós tivemos a sorte de ter pessoas de outros países participando. O Brasil representa cerca de 13,5% da nossa base, o que é ótimo".

Segundo Miller, depois do incidente, a plataforma recebeu somente no dia de ontem (7) cerca de 30 mil inscrições de brasileiros e, hoje, mais de 7.500 aderiram ao GETTR durante sua entrevista ao vivo ao programa Pingo nos Is, da Jovem Pan.

"No final do dia, consegui voltar para casa. O que me preocupa são os brasileiros honestos e trabalhadores, sujeitos diariamente à perseguição política", Miller disse em sua conta no GETTR, na noite desta quarta-feira.

* Com informações da Fox News

Veja também: