Para o presidente da petroleira, é hora de  mudar o modelo e buscar a prosperidade da sociedade brasileira. A produtividade é parcela importante para o crescimento econômico, e o Brasil tem sido ultrapassado por outros países.

“Temos que ser um país onde é fácil fazer negócio e a produtividade tenha condição de crescer”.

“Não vai ser com conteúdo local e nem com regime de partilha que vamos  conseguir fazer isso. Isso pertence ao passado, que não nos foi  favorável. Temos que romper com isso”, defendeu Roberto Castello Branco na abertura do  seminário Competitividade dos Projetos Offshore no Brasil, organizado  pelo Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), no  Rio de Janeiro.

O presidente da Petrobras apontou a obrigação do conteúdo local  incluído nos projetos como outro fator que precisa ser alterado. “A ANP  [Agência Nacional do Petróleo] tem se mostrado muito mais sensível às  questões do mercado, mas o conteúdo local ainda persiste, ainda que de  forma mais moderada. É questão de perguntarmos se a indústria brasileira  é tão boa, não precisa de conteúdo local? Não precisa de nada que  obrigue as empresas a demandarem os seus produtos? Se ela não é  eficiente, após 22 anos da indústria do petróleo, é hora de acabar com  isso”, defendeu.

“Quem não se preparou, paciência. Já teve a sua oportunidade. Não  pode a indústria do petróleo continuar a pagar por isso”, afirmou.

Dívida

Castello Branco disse que em junho do ano passado a dívida  líquida da companhia representava 56% do valor da empresa, e que esse  percentual foi reduzido para 46%, “mas ainda é muito elevado”.

Mesmo com a redução da dívida alcançada desde 2016, atualmente a Petrobras tem uma dívida de US$ 101 bilhões. Apenas o serviço da dívida  consome 35% do fluxo de caixa operacional.  “Isso tem consequências negativas, não só meramente em números, mas na  nossa competitividade. Uma das questões é a disponibilidade de recursos  para investir”, destacou Castello Branco.

Custos

O custo de extração de petróleo, segundo o presidente da Petrobras,  está em torno de US$ 6 o barril. Apesar de ser considerado baixo, a companhia busca reduções desse custo. “Ainda temos uma gordura imensa”, disse.

Castello Branco disse que a Petrobras trabalha também com  persistência e máximo empenho para ter custo de capital baixo. O perfil  da dívida já foi alongado para 10 anos e, a companhia partiu para reduzir a concentração da dívida em instituições financeiras, disse.

Para o presidente da estatal, o China Development Bank (CDB) foi  um grande parceiro da Petrobras nos seus piores momentos. “Se não fossem os chineses, a Petrobras ia ter que pedir socorro ao governo  brasileiro”, revelou, acrescentando, no entanto, que os empréstimos geraram uma concentração de dívida, que está sendo desfeita agora.

“Fizemos um pré-pagamento de US$ 3 bilhões e anunciamos que vamos  fazer outro de US$ 5 bilhões para reduzir a concentração. É um processo  complexo e demorado que estamos saindo. Enquanto não chegarmos ao fim  desse processo, nossa competitividade fica afetada pelo custo de capital, mas existe a determinação firme da companhia. É um dos nossos  pilares estratégicos, a redução do custo de capital”, completou.

Investimentos

Segundo Castello Branco, a empresa está deixando de investir em  operações que podem ter retorno menor, para concentrar recursos onde  identificou ganho mais elevado. Ele disse que, para focar na exploração e  produção de petróleo e gás, que é seu negócio principal e possui  competências, além de vantagens comparativas em ativos de classe  mundial, a empresa precisa fazer um processo acelerado de gestão de  portfólio, não só na Bacia de Santos com o pré-sal, mas também na Bacia  de Campos, onde investe na recuperação.

Castello Branco contestou que essa opção represente um desmonte da  companhia, como apontam algumas críticas ao processo. “Não existe um  equívoco maior do que esse”, disse.

Licenciamento

O executivo criticou ainda o processo de licenciamento ambiental. “É  uma doença que afeta, principalmente, a mineração e o petróleo. A demora  na concessão de licenças ambientais, com exigências burocráticas, que  às vezes não tem nada a ver com o objetivo, que é a proteção do meio  ambiente, e simplesmente para atendimento de questões de natureza  burocrática”, disse, acrescentando que hoje vê uma atitude do Ministério  do Meio Ambiente e do Ibama mais pró mercado e flexível.

“O Brasil quer ser mais realista que o rei. Ter uma legislação muito  mais rigorosa que a Noruega, por exemplo, mas é muito falho na  fiscalização. Vide o que aconteceu na mineração”, disse em referência  aos rompimentos de barragens ocorridos recentemente.

Perspectivas

Na visão do presidente da Petrobras, a estatal se defronta no campo  técnico com ambiente muito favorável. A descoberta e o desenvolvimento  do pré-sal completam este ano dez anos de exploração. A companhia já  extraiu 2,5 bilhões de barris de petróleo, uma quantidade maior do que  as reservas provadas da Argentina e registrou progresso no aprendizado  geológico.

“A Petrobras dispõe de alguns melhores geólogos e engenheiros de  petróleo do mundo. Então, em termos de qualidade de ativos, sem dúvida  nenhuma, o pré-sal é um ativo de classe mundial. Vastas reservas de  produtos de alta qualidade”, disse.

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* Edição: Frontliner