No estudo israelense Comparing SARS-CoV-2 natural immunity to vaccine-induced immunity: reinfections versus breakthrough infections, divulgado em preprint, comparando imunidade natural e vacinal, foram examinados registros médicos de dezenas de milhares de pacientes da Maccabi Healthcare Services, de Israel.

“Este estudo demonstrou que a imunidade natural confere proteção mais duradoura e mais forte contra infecções, doenças sintomáticas e hospitalização causadas pela variante Delta”, concluiram os autores.

Os autores descobriram que, entre 1º de junho e 14 de agosto, os vacinados em janeiro e fevereiro de 2021 tiveram um risco aumentado de 13 vezes (IC de 95%, 8-21) para infecção com a variante Delta, em comparação com as pessoas não vacinadas que desenvolveram imunidade natural contra o vírus da covid-19 nos dois primeiros meses do ano.

Fonte: Maccabitech Institute e Tel Aviv University
Fonte: Maccabitech Institute e Tel Aviv University

Contudo, deve-se ressaltar os números pequenos de casos nas comparações.

Por exemplo, em uma análise comparando 32.000 pessoas no sistema de saúde, o risco de desenvolver covid-19 sintomática foi 27 vezes maior no grupo dos 16.000 vacinados e o risco de hospitalização oito vezes maior, em relação ao grupo dos 16.000 não vacinados anteriormente infectados.

Porém, a maior taxa de hospitalização encontrada nessa análise decorre de apenas oito internações no grupo vacinado e uma no grupo previamente infectado. E o risco 13 vezes maior de infecção foi baseado em apenas 238 infecções (1,5%) no grupo vacinado contra 19 reinfecções (0,1%) no grupo dos não vacinados com imunidade natural.

O cálculo parece não considerar que muitos dos primeiros vacinados foram indivíduos com maior risco de covid-19 grave, como os idosos, enquanto as pessoas recuperadas da infecção integram um grupo heterogêneo de múltiplas faixas etárias e, possivelmente, mais resistente ao vírus.

A incidência maior de infecção nos vacinados do início do ano pode decorrer de uma menor resposta imune em geral devido a idade, sem descartar um controverso decaimento da proteção vacinal do imunizante da Pfizer.

Estudos de efetividade da vacina (Six-Month Effectiveness of BNT162B2 mRNA COVID-19 Vaccine in a Large US Integrated Health System: A Retrospective Cohort Study) não diferenciaram o impacto da Delta da potencial diminuição da imunidade nas reduções observadas recentemente na efetividade contra infecções por SARS-CoV-2. A efetividade contra infecções Delta foi alta durante o primeiro mês após a vacinação completa (93% [85‒97]), mas diminuiu para 53% [39‒65] após 4 meses.

Ainda, ninguém no estudo que teve uma nova infecção por SARS-CoV-2 morreu, um sinal claro de que a vacina da Pfizer contra a variante Delta oferece proteção formidável contra complicações graves da covid-19, mesmo que não tão boas quanto a imunidade natural, que não é perfeita – embora as reinfecções sejam raras e frequentemente assintomáticas ou leves, elas também podem ser graves.

O estudo também revelou que aqueles que foram previamente infectados com SARS-CoV-2 e depois receberam uma dose de vacina da Pfizer têm uma resposta imunológica ainda maior ao vírus.

“Continuamos a subestimar a importância da imunidade natural às infecções, especialmente quando é recente. E quando você reforça isso com uma dose de vacina, você a leva a níveis que não podem ser comparados com nenhuma vacina no mundo agora”, diz o cientista Eric Topol.

Deve-se destacar que o estudo se concentra na resposta imunológica, não levando em consideração os danos que o vírus causa ao organismo – os pacientes recuperados de covid-19 podem ter uma resposta imune mais robusta contra uma reinfecção, mas, ao mesmo tempo, lidam com os efeitos de longo prazo da doença.

A infecção intencional não é uma solução para combater o vírus

A variante Delta tem meios de causar mais infecções em pessoas vacinadas, se espalha com mais eficácia, tem um período de incubação mais curto e produz uma carga viral mais alta. Mas os resultados do estudo mostraram que a vacina da Pfizer está funcionando bem.

Os pesquisadores ainda estão tentando descobrir quais dados são um sinal de preocupação. Não parece haver uma correlação linear entre o número de anticorpos neutralizantes e o nível de proteção. Em vez disso, é provável que haja um limite abaixo do qual o organismo é vulnerável a complicações graves.

“Certamente parece haver alguma tendência, mas se há um limite absoluto, ainda não temos um entendimento”, disse Kena Swanson, diretora de vacinas virais da Pfizer, em reportagem da Stat.

Os vacinados têm proteção contra o vírus no 12º dia, em um momento em que quase não há resposta de anticorpos. “Essa foi a maior surpresa”, disse Vidia Roopchand, principal cientista de vacinas virais da farmacêutica.

Atualização 10/09/2021

O eminente imunologista americano Dr. Anthony Fauci, o 'especialista nacional' em resposta à pandemia, apesar de sua limitada experiência em epidemiologia e saúde pública, questionado por que as pessoas previamente infectadas estão sendo obrigadas a vacinar, embora estejam provavelmente mais protegidas do que as pessoas vacinadas, respondeu:

“Esse é um ponto muito bom ... eu realmente não tenho uma resposta firme para você sobre isso”.

Atualização 27/09/2021

O artigo Necessity of COVID-19 Vaccination in Previously Infected Individuals: A Retrospective Cohort Study, em preprint, apresenta um estudo sobre imunidade natural envolvendo mais de 50 mil funcionários da Cleveland Clinic Health System trabalhando em Ohio em 16 de dezembro de 2020.

Qualquer empregado com teste positivo para SARS-CoV-2 pelo menos 42 dias antes foi considerado previamente infectado.

Foi considerado vacinado aquele com 14 dias ou mais após ter recebido a segunda dose de uma vacina mRNA contra o SARS-CoV-2.

Dos 52.238 funcionários incluídos no estudo, 2.579 (5%) foram previamente infectados com SARS-CoV-2:

  • 1.220 indivíduos previamente infectados que receberam a vacina;
  • 1.359 indivíduos previamente infectados que permaneceram não vacinados;
  • 29.461 indivíduos previamente não infectados que receberam a vacina; e
  • 20.198 indivíduos previamente não infectados que permaneceram não vacinados.

Nenhum dos 1359 indivíduos previamente infectados que permaneceram não vacinados teve uma infecção por SARS-CoV-2 durante o estudo.

A incidência cumulativa de infecção por SARS-CoV-2 ao longo dos próximos quatro meses não diferiu entre funcionários previamente infectados, vacinados ou não, e aqueles previamente não infectados que foram vacinados, e foi muito menor do que a de colegas previamente não infectados que permaneceram não vacinados.

O estudo não foi projetado para determinar a duração da proteção relacionada a infecção natural, mas para os indivíduos previamente infectados, a duração média desde a infecção foi de 143 dias (IQR 76-179 dias), e nenhum teve infecção por SARS-CoV-2 durante os cinco meses seguintes, sugerindo que a infecção por SARS-CoV-2 pode fornecer proteção contra reinfecção por 10 meses ou mais.

O artigo concluiu que indivíduos que tiveram infecção por SARS-CoV-2 têm pouca probabilidade de se beneficiar da vacinação de proteção contra covid-19.

Um outro estudo, Naturally enhanced neutralizing breadth against SARS-CoV-2 one year after infection, publicado em junho na revista científica Nature, concluiu que indivíduos convalescentes de covid-19 mantiveram a proteção imunológica por 12 meses sem vacinação.

Há duas semanas, o Washington Post escreveu sobre o assunto:

"É normal ter uma hipótese científica incorreta. Mas quando novos dados provam que está errado, você tem que se adaptar. Infelizmente, muitos líderes eleitos e funcionários de saúde pública têm sustentado por muito tempo a hipótese de que a imunidade natural oferece proteção não confiável contra covid-19 – uma alegação que está sendo rapidamente desmentida pela ciência".

"Portanto, a ciência emergente sugere que a imunidade natural é tão boa ou melhor do que a imunidade induzida pela vacina. É por isso que é tão frustrante que a administração Biden argumente repetidamente que a imunidade conferida por vacinas é preferível à imunidade causada por infecção natural, como disse o diretor do NIH, Francis Collins, ao apresentador da Fox News, Bret Baier, poucas semanas atrás. Essa adesão rígida a uma teoria desatualizada também se reflete no recente anúncio do Presidente Biden de que as grandes empresas devem exigir que seus funcionários sejam vacinados ou se submetam a testes regulares, independentemente de previamente terem sido infectados pelo vírus", diz o jornal.

Leitura recomendada:

Veja também: