Seis em cada dez donos de pequenos negócios que já buscaram crédito no sistema financeiro desde o início da crise provocada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) tiveram o pedido negado, mas apenas 30% dos empresários conhecem as medidas oficiais a respeito de linhas de crédito criadas para evitar demissões.

Os dados são da segunda pesquisa O Impacto da Pandemia do Coronavírus nos Pequenos Negócios, realizada pelo Sebrae entre os dias 3 e 7 de abril com 6.080 empreendedores de todo o país.

Para o Presidente do Sebrae, Carlos Melles, o levantamento confirma a importância das medidas que vêm sendo anunciadas pelo governo nos últimos dias, em especial a alavancagem que a instituição está fazendo no Fundo de Aval para as Micro e Pequenas Empresas (Fampe).

Nos próximos três meses, o Sebrae vai destinar pelo menos 50% da sua arrecadação para ampliar o crédito aos pequenos negócios. O direcionamento desses recursos está previsto na Medida Provisória 932/2020, encaminhada pelo governo ao Congresso no dia 1º de abril. A MP reduz pela metade as contribuições obrigatórias das empresas para o Sistema S, por um período de três meses, exceto para o Sebrae.

O Fampe pode alavancar créditos no valor de 8 a 12 vezes o seu patrimônio, em torno de R$ 470 milhões em recursos disponíveis. Com a MP, serão acrescidos R$ 500 milhões ao fundo, viabilizando até R$ 12 bilhões em empréstimos.

“Um dos maiores obstáculos no acesso dos pequenos negócios ao crédito é a exigência de garantias feita pelas instituições financeiras. Nesse sentido, o Fampe funciona como um salvo-conduto, que vai permitir aos pequenos negócios, incluindo até o microempreendedor individual (MEI), obterem os recursos para capital de giro, tão necessários para atravessarem a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus, mantendo os negócios e os empregos”, explica Carlos Melles.

Principais achados da pesquisa Sebrae

Funcionamento do negócio na pandemia

  • 6,5% normal
  • 30% alterado
    - 40% apenas entregas ou online
    - 40% horário reduzido
    - 20% teletrabalho (home office)
    - 15% rodízio de funcionários
    - 5% drive-thru
  • 60% fechou temporariamente
  • 3,5% fechou definitivamente

Situação financeira antes da pandemia

  • 25%  boa
  • 50%  razoável
  • 25%  ruim

Faturamento mensal na pandemia

  • 3% aumentou
  • 87% diminuiu
  • 3% não mudou
  • 7% não informou

Medidas aplicadas aos funcionários

  • 47% nenhuma
  • 28% férias coletivas
  • 8% suspensão de contrato de trabalho
  • 17% redução da jornada de trabalho com redução de salários

Precisará de empréstimos para não demitir

  • 55% sim
  • 17% não
  • 28% não informou

Empréstimos bancários após a pandemia

  • 30% sim
    - 10% concedido
    - 30% em análise
    - 60% negado
  • 70% não

Auxílio emergencial para MEIs, autônomos e informais

  • 64% ouviu falar
  • 34% conhece bem
  • 2% desconhece

Suspensão de contratos de trabalho e redução de jornada com compensação do governo para o empregado

  • 62% ouviu falar
  • 23% conhece bem
  • 15% desconhece

Linhas de crédito para empresa que não demitir

  • 57% ouviu falar
  • 14% conhece bem
  • 29% desconhece

* Com informações do SEBRAE

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