Atualização 14/06 - Pequim registrou 44 novos casos locais de coronavírus neste domingo (14), todos eles ligados ao maior mercado atacadista de alimentos da cidade.

Os pacientes incluíram 27 pessoas que trabalhavam no mercado de alimentos de Xinfadi, que foi fechado, e nove que foram expostas a ele, informou o governo municipal. Na manhã deste domingo, mais oito casos foram confirmados. Uma pessoa testou positivo para o coronavírus mas não apresentou sintomas, não sendo adicionada à contagem de 51 casos locais desde quinta-feira.

O surto se espalhou para além da capital e para as regiões vizinhas, com o governo da província de Liaoning anunciando dois novos casos neste domingo, ambos em contato próximo com os moradores de Pequim.

O Professor Ben Cowling, Diretor de Epidemiologia e Bioestatística da Escola de Saúde Pública da Universidade de Hong Kong, disse acreditar que é o início de uma segunda onda de coronavírus na capital da China.

"Deve haver muito mais infecções em Pequim que ainda não foram detectadas", disse Cowling.

As vendas no varejo em Pequim, capital da China com 22 milhões de habitantes, caíram 20,4% nos primeiros quatro meses do ano, pior do que o declínio nacional de 16,2%, de acordo com as agências de estatísticas locais e nacionais.

Enquanto o país está ajudando as empresas a manter trabalhadores e pressiona seus bancos estatais a emprestarem mais, a China evitou gastar em grandes pacotes econômicos ou inundar seu sistema financeiro com dinheiro.

O país comunista também se absteve de dar dinheiro diretamente ao seu povo.

"Os cupons de consumo são mais eficazes" do que distribuir dinheiro, afirma Justin Lin Yifu, conselheiro econômico do governo central. "As pessoas podem não gastar o dinheiro quando o recebem, não sendo convertido diretamente em demanda".

Na quarta-feira (3), o governo municipal anunciou a "Temporada de Consumo de Pequim", iniciativa que emitirá cupons eletrônicos de consumo (e-vouchers) para "acelerar a restauração da confiança do consumidor, promover a recuperação do mercado e impulsionar o desenvolvimento econômico", informa nota da JD.

Também serão concedidos subsídios especiais ao consumo aos profissionais da linha de frente do enfrentamento à Covid-19 e grupos de baixa renda.

Os cupons serão distribuídos por ordem de pedido e utilizam o mecanismo do "senso de urgência", perdendo a validade após 14 dias da emissão.

O cupons para uso em alimentação e compras em lojas físicas serão distribuidos semanalmente. O primeiro lote de 2 milhões será emitido em 6 de junho e terá valor fixo de US$ 8,50. Somente poderá ser utilizado em Pequim, em lojas que estão participando da promoção, que deverá ocorrer de junho a outubro.

Já os cupons de descontos, exclusivos para compras de "produtos inteligentes", poderão ser usados em plataformas on-line e em lojas físicas participantes.

Pelo menos 50 cidades da China estão incentivando o consumo através de cupons, que somariam mais de 840 milhões de dólares, segundo apuração da Bloomberg.

Contudo, o economista-chefe da Nomura, Lu Ting, disse à CGTN que os cupons falham em cuidar das pessoas pobres e desempregadas.

"Os governos locais gostam de enviar cupons para impulsionar a economia local", disse Lu, acrescentando "Mesmo que isso traga o consumo, é principalmente o consumo local".

Liu Qiao, decano da Guanghua School of Management, da Universidade de Pequim, acredita que dar dinheiro tem melhores efeitos em grupos de baixa renda.

Embora Liu acredite que enviar dinheiro é um estímulo de consumo apropriado para grupos de baixa renda, em seu recente relatório de pesquisa, ele afirmou que os cupons são a melhor maneira de aumentar o consumo, mas os objetivos são diferentes.

"O cupom estimula o consumo, o dinheiro protege os meios de subsistência das pessoas", explicou Liu, enfatizando que não há contradição.

A extensão dos danos que a China precisa reverter ainda não está clara. Os economistas acreditam que o lockdown condenou um número incontável de empregos e de pequenas empresas.

"Os impactos negativos foram suportados principalmente por pessoas que trabalham em setores específicos, como restaurantes, hotéis, empresas de transporte, cinemas e turismo", disse Zhi George Yu, economista da Universidade Renmin da China. "O setor de infraestrutura não absorverá diretamente muitas pessoas que trabalharam nas indústrias mais afetadas pela doença".

* Com informações da Bloomberg, The India Times, China Daily, CGTN, JD

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