A medida, que reduzirá o índice de reserva entre 50 e 150 pontos base para todos os bancos, visa aumentar a oferta de crédito para a economia e, mais importante, diminuir o custo de capital recebido do banco central chinês. A decisão ocorre dias depois que os EUA determinou uma nova rodada de tarifas de 15% sobre US$ 112 bilhões em produtos importados manufaturados na China, como sapatos e roupas, e deve afetar as cidades industriais do leste do país.

Segundo o Financial Times, a redução do índice de reservas compulsórias é resultado de uma reunião do Conselho de Estado da China, ocorrida na quarta-feira, que pedia medidas mais fortes para combater o crescimento econômico em declínio, criando expectativa de que o Banco Popular da China (People’s Bank of China, PBoC) agisse.

O PBoC tem feito reduções semelhantes no decorrer dos últimos anos. A medida anunciada, o terceiro corte no nível de reserva compulsória de 2019,  apoia-se no entendimento que o aumento de capacidade de crédito dos bancos resultará em crescimento econômico mais forte.

Há apenas 10 anos, a produção industrial da China era 60% à dos Estados Unidos. Em uma década, a produção chinesa é agora o dobro da americana, com produtos sendo desenvolvidos em direção à qualidade média e alta, e muitos já atingiram o nível avançado, explica o Prof. Jia Jinjing, da Universidade Renmin.

O corte de 0,50 ponto percentual na quantidade de reservas que os bancos devem manter no banco central entrará em vigor a partir de 16 de setembro.

O PBOC também cortou a exigência de reserva em 1 ponto percentual adicional para os bancos comerciais municipais que operam nas províncias chinesas. A redução adicional será realizada em duas etapas: 0,5% a partir de 15 de outubro, e 0,5% ocorrendo um mês depois, informou o banco central da China.

A redução maior da reserva compulsória para bancos urbanos ocorre após o corte de reservas para bancos rurais de 2,5 pontos percentuais, determinada em maio, para instituições com ativos inferiores a US$ 1,4 bilhão.

Após os cortes, a taxa de reserva exigida será de 13% para os grandes bancos e 11% para os bancos de médio e pequeno porte. A taxa será ainda mais baixa em 10% e 7,5%, respectivamente, para os bancos comerciais da cidade e os bancos do condado.

"Em um cenário de tensões comerciais prolongadas e potencial desaceleração econômica global, o banco central tende a orientar ainda mais os custos de financiamento da economia real, especialmente para empresas privadas e PMEs", disse Zhu Chaoping, estrategista do JPMorgan, em nota para os investidores.

A inadimplência das empresas chinesas aumentou acentuadamente este ano, com a China saindo de um longo período de rápido crescimento econômico.

"Os cortes [corte da exigência de reserva] podem ajudar a reduzir os custos de financiamento dos bancos e, mais significativamente, o dinheiro liberado será de longo prazo. Portanto, os bancos terão incentivos mais fortes e confiança para emprestar a [pequenas e médias empresas] ”, disse Chaoping Zhu.

A expectativa de especialistas é que os ventos contrários à economia da China provavelmente se intensificarão nos próximos meses, devido à demanda externa mais fraca e ao esfriamento do setor de construção civil, e o PBOC será levado a fazer novos cortes na reserva compulsória.

“A China está um pouco apertada em termos de liquidez . . . especialmente quando o país se depara com crescente pressão descendente sobre a economia ”, avalia o Prof. Jia Jinjing. "O corte da reserva compulsória está dentro das expectativas."

* Com informações do Financial Times e South China Morning Post

Atualização 09/09/2019 10:00

Nesta segunda-feira na Ásia, o índice CSI 300 -- ações listadas em Shangai e Shenzhen na China -- subiu 0,6%, enquanto o Topix, de Tóquio, subiu 0,9%, apesar dos dados do governo mostrarem que o crescimento japonês desacelerou para 1,3% nos três meses até o final de junho. O Kospi, da Coréia do Sul, ganhou 0,5%.

O índice Hang Seng, de Hong Kong, terminou menos de 0,1% depois de outro fim de semana de agitação na cidade.

O governo chinês revelou no domingo que as exportações encolheram em agosto, desafiando as previsões dos analistas.

* Com informações do Financial Times