Atualização 15/02: Seis ex-passageiros do Westerdam, incluindo dois holandeses, foram impedidos de embarcar no voo 810 da KLM com destino a Amsterdam que partia de Kuala Lumpur, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores holandês.
Atualização 16/02: A vice-primeira-ministra da Malásia, Dra. Waz Azizah Wan Ismail, disse no domingo (16) que um novo teste foi realizado na noite de sábado e a passageira voltou a ter resultados positivos. O segundo teste do marido continuou negativo para coronavírus.

A Malásia disse que não permitirá mais a entrada no país de passageiros que viajaram no Westerdam e de qualquer outro navio de cruzeiro que tenha estado na China. A vice PM anunciou também que foram cancelados os vôos fretados pelos EUA que deveriam trazer mais passageiros que estão no Camboja para Kuala Lumpur.

"Os demais passageiros do navio de cruzeiro de Westerdam, que ainda estão no Camboja, não serão autorizados a entrar na Malásia, pois supõe-se que os passageiros estiveram em contato próximo com o caso que foi confirmado como positivo", disse a vice-primeiro-ministra em uma conferência de imprensa hoje (16).

Wan Azizah explicou que a embaixada americana em Kuala Lumpur fretou um voo da Malaysia Airlines para trazer um grupo de pessoas do navio de cruzeiro para a Malásia.

A Malaysia Airlines havia planejado quatro vôos fretados entre 14 e 16 de fevereiro, embora apenas um vôo, o MH8763, que tranportou 145 passageiros, incluindo a mulher de 83 anos, chegou no país.

Todos os 145 passageiros que chegaram foram rastreados e dois deles (a mulher e o marido) apresentaram sintomas no scanner térmico e foram levados ao Hospital Sungai Buloh para novas verificações.

Outros 137 passageiros do voo decolaram para outros destinos, enquanto outros seis ainda aguardam conexão de voos para outros destinos.

Esses seis serão testados para o Covid-19. Se testarem negativo, eles poderão continuar sua jornada.

"O Ministério da Saúde informou a Malaysia Airlines sobre o caso positivo e, como tal, todos os outros passageiros do vôo são considerados contatos próximos", disse Wan Azizah.

A Malaysia Airlines decidiu cancelar os vôos fretados restantes.
Atualização 16/02 : 31 passageiros holandeses ainda estão a bordo do Westerdam. Não está claro quando eles poderão deixar o navio, relata a Holland America Line.

Vários holandeses que foram autorizados a deixar o navio Westerdam na sexta-feira estão retidos no Camboja.

Um dos holandeses é Flip Knibbe. Ele postou em uma rede social que está detido em um hotel em Phnom Penh até que seja estabelecido que ele e sua mulher não estão infectados.

Outro é Johan Kok, de Lekkerkerk, e a mulher.

"Nos sentimos mais inseguros aqui do que no navio", disse ao AD.nl por telefone de Phnom Penh. "Estamos trancados aqui. É um lindo hotel de luxo, mas tudo é tão caótico que ninguém sabe onde ele está. É uma grande bagunça".

Segundo Kok, pelo menos catorze holandeses do Westerdam estão hospedados no hotel. Os médicos estão ocupando um quarto no oitavo andar e estariam sendo colhidas amostras de saliva de todos os ex-passageiros.

O Ministério das Relações Exteriores da Holanda disse que cabe às autoridades locais decidir se os ex-passageiros devem ficar em quarentena ou podem viajar.
Atualização 16/02: O caso da passageira diagnosticada com a doença, após passar 14 dias efetivamente "em quarentena" no navio, reafirma a importância das discussões que vêm ocorrendo sobre os tempos de incubação e de quarentena. Uma pesquisa, com mais de 500 hospitais em toda a China, indicou períodos de incubação do novo coronavírus de até 24 dias, e já existem propostas de quarentena de 28 dias, rejeitadas por governos pelo custo e impacto nos sistemas de saúde.

No caso do navio Diamond Princess, em quarentena no Japão, a informação disponível é que o prazo de 14 dias seria reiniciado a cada novo caso diagnosticado. Das 3700 pessoas a bordo, cerca de 10% já foram encaminhadas para hospitais com infecção confirmada.  Ao menos quatro estariam na UTI e algumas respirando através de ventilação forçada.

Como se comprovou com o Westerdam, mesmo as prorrogações de quarentena do Diamond Princess não garantem a não propagação do vírus assim como a metodologia e kits utilizados para detectar portadores.

"Algumas das respostas que a China não pode dar atualmente virão da  observação do que acontece com os casos exportados", disse o Dr. David  Heymann, que supervisionou a resposta à SARS da OMS e agora leciona na  Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres. "Agora vamos realmente  começar a ver as coisas".

As equipes médicas americanas e cambojanas acreditavam não haver casos ou riscos de infecção. "Estou a bordo do Westerdam com minha família para cumprimentar os companheiros americanos", disse Murphy. Entretanto, o embaixador avisou aos cerca de 600 passageiros dos EUA que ficariam em quarentena de 14 dias na chegada aos Estados Unidos. Reprodução Twitter / Embaixador W. Patrick Murphy
As equipes médicas americanas e cambojanas acreditavam não haver casos ou riscos de infecção. "Estou a bordo do Westerdam com minha família para cumprimentar os companheiros americanos", disse Murphy. Entretanto, o embaixador avisou aos cerca de 600 passageiros dos EUA que ficariam em quarentena de 14 dias na chegada aos Estados Unidos. Reprodução Twitter / Embaixador W. Patrick Murphy

A passageira com a infecção voou para a Malásia na sexta-feira (14) do Camboja, juntamente com 144 outras pessoas do navio, informou o Ministério da Saúde da Malásia em comunicado. O casal foi o único desse grupo a apresentar sintomas.

O casal americano estava entre os 405 passageiros do cruzeiro que embarcaram em vôos fretados para a capital do Camboja, Phnom Penh, ou para Kuala Lumpur.

As autoridades de saúde da Malásia disseram que o casal exibiu sintomas da doença no aeroporto. Eles foram enviados para o Sungai Buloh Hospital, em Kuala Lumpur, capital da Malásia. Um teste para o coronavírus voltou positivo para a mulher neste sábado. O marido, de 85 anos, teve resultado negativo mas permanecerá hospitalizado para observação.

O Ministério da Saúde do Camboja solicitou à autoridade da Malásia que reconduza o teste. O Ministério afirma que verificou minuciosamente o estado de saúde de ambos e contou com a cooperação da OMS e USCDC antes de liberar o casal.
O Ministério da Saúde do Camboja afirma que verificou minuciosamente e contou com a cooperação da OMS e USCDC antes de liberar o casal.

Na tarde deste sábado, mais da metade das 2.257 pessoas a bordo haviam desembarcado do navio, disse uma autoridade do Camboja. Pelo menos 835 pessoas desembarcaram neste sábado e voaram para fora do país. A operadora do navio de cruzeiros de luxo disse que 236 clientes e 747 tripulantes permanecem a bordo.

Vários cidadãos holandeses já estão em casa e serão monitorados diariamente pelas autoridades locais. O navio transportava 91 passageiros holandeses.

Em uma entrevista coletiva no cais, enquanto os passageiros desembarcavam, o Embaixador dos EUA W. Patrick Murphy disse que havia mais de 600 pessoas a bordo do MS Westerdam que eram cidadãos americanos.

O MS Westerdam, operado pela unidade da Carnival Corp, Holland America Line, teve o pedido de entrada recusado por cinco países por receio de que os passageiros poderiam estar portando o novo coronavírus, nomeado COVID-19 pela OMS.

Saiba mais: Reação asiática ao surto de coronavírus deixa navio MS Westerdam sem porto

A provação chegou ao fim quando o Camboja, um dos aliados mais próximos da China, ofereceu um porto – uma medida elogiada pela Organização Mundial de Saúde como símbolo de "solidariedade", e também pelo Presidente Trump, que agradeceu em rede social "o belo país do Camboja" por aceitar atracar o navio, e prometeu que "Os Estados Unidos vão se lembrar da sua cortesia".

Mas as cenas de alegria quando os passageiros começaram a desembarcar, recebidos pelo Primeiro-Ministro do Camboja com flores e lenços, tiveram vida curta.

Antes de chegar ao Camboja, a Holland America, sediada nos EUA, afirmou repetidamente que os passageiros eram testados regularmente e que não havia casos suspeitos da doença a bordo.

O navio transportava 1.455 passageiros e 802 tripulantes e chegou ao porto cambojano de Sihanoukville na manhã de quinta-feira para permitir que as autoridades de saúde do país embarcassem e coletassem amostras de pessoas a bordo com quaisquer sinais de problemas de saúde ou sintomas de gripe.

As autoridades do Camboja testaram 20 passageiros.

MS Westerdam atracando em Sihanoukville. Reprodução Twitter © Lydia Miller
MS Westerdam atracando em Sihanoukville, Camboja. Reprodução Twitter © Lydia Miller

A Holland America disse no sábado que todos no navio foram testados em 10 de fevereiro e nenhum tinha temperatura elevada, e durante o cruzeiro "nenhuma indicação" do coronavírus era evidente.

Porém, o Primeiro-Ministro Abe tinha sido  enfático em negar a entrada do navio no Japão, com plena convicção que a embarcação tinha pessoas a bordo com a doença. Por sua vez, o governo da Tailândia, que inicialmente tinha autorizado a entrada no país, chegou a enviar um navio de guerra para escoltar o Westerdam para fora da plataforma territorial tailandesa.

* Com dados e informações da Bloomberg, South China Morning Post, The Canberra Times, The Straits Times, Vietnam News Agency, Free Malaysia Today, NOS.nl

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