Enquanto o governo dos EUA está promovendo sua agenda de energia verde e quer descarbonizar a rede elétrica até 2035, os altos preços do gás natural incentivam o uso de carvão na geração de eletricidade.

Fonte/Arte: © U.S. Energy Information Administration (EIA)
Fonte/Arte: © U.S. Energy Information Administration (EIA)

As mineradoras de carvão, que já se beneficiaram da crescente demanda em 2021, terão pelo menos mais um ano de fortes vendas e fluxos de caixa. Com o preço do gás natural fornecido para as termelétricas mais do que dobrando, à medida que a demanda de eletricidade se recupera mais geradoras estão mudando para o carvão.

O aumento da procura por carvão reduziu os estoques americanos para seus níveis mais baixos desde o início dos anos 1970. Na busca de garantir o abastecimento, as geradores de eletricidade levaram os preços do carvão ao nível mais alto desde 2009.

A ascensão do carvão este ano também destaca um desafio importante para a transição da energia verde: manter as luzes acesas na América ainda precisa de muito carvão e gás natural, independentemente das políticas de longo prazo do governo.

"O crescimento da produção de carvão dos EUA não acompanhou o aumento da demanda doméstica por carvão no setor de energia elétrica e o crescimento das exportações, levando a uma redução nos estoques de carvão mantidos pelo setor de energia elétrica", constatou o Departamento de Energia dos EUA em novembro.

Os estoques de carvão nas geradoras de eletricidade estão agora em cerca 65% da média de cinco anos para esta época do ano, aponta o Wall Street Journal (WSJ).

A expectativa é que as usinas movidas a carvão reduzirão a geração de eletricidade caso seus estoques caiam para menos de 10 dias de fornecimento.

A produção da indústria de carvão dos EUA em 2022 já está quase toda vendida.

Apesar da perspectiva otimista para o carvão dos EUA até 2023, a indústria deverá enfrentar um declínio no longo prazo devido à política voltada à energia renovável e investidores evitando combustíveis fósseis, especialmente carvão.

A Moody's prevê que "apesar da força atual nos preços do carvão e melhores níveis de negociação de dívida, os produtores de carvão serão cada vez mais desafiados pelo acesso a questões de capital no início a meados da década de 2020".

Na transformação que está ocorrendo no setor de energia, a recente mania ESG privou as empresas de combustíveis fósseis de capital, que foi direcionado para projetos verdes.

A ironia é que a crise energética global em curso, o inverno no hemisfério norte que se aproxima e a liberação da demanda pandêmica reprimida fizeram com que as nações se esforçassem para estocar combustíveis fósseis, um movimento que pressagia um aumento nas emissões globais de dióxido de carbono, que deve atingir novos máximos.

Seguindo as tendências atuais, o consumo combinado de carvão, gás natural e petróleo deve atingir um recorde histórico em meados de 2022.

"Olhando para o futuro, a agenda de política energética doméstica do governo Biden, combinada com as obsessões ESG na Europa e nos Estados Unidos, provavelmente continuará a restringir o crescimento na produção de combustível fóssil. Na ausência de qualquer destruição significativa da demanda global, esperamos que os preços dos combustíveis fósseis permaneçam em níveis elevados no próximo ano e em 2023", disse o CEO da Alliance Resource, Joe Craft.

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