Atualização 15/08 -  Embora a vacina tenha sido criada em apenas cinco meses, "não foi feita do zero", assegurou Alexander Gintsburg, chefe do Instituto de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya, com sede em Moscou, ao Russia Today (RT).

“Uma geração inteira de biotécnicos, virologistas, imunologistas ... está há mais de 20 anos desenvolvendo a tecnologia que foi usada para criar esta vacina junto com pelo menos seis outras drogas”, explicou Gintsburg. Ele acrescentou que o trabalho com a vacina contra Ebola GamEvac-Combi, há vários anos, foi particularmente útil para determinar a composição da droga e as doses de imunização.

Na semana passada, Gintsburg chamou a atenção para o fato de que a vacina não é adequada para todas as pessoas, e que pacientes com doenças crônicas devem consultar especialistas, porque "qualquer substância pode provocar agravamento" do quadro.
Atualização 08/09 - O estudo de Fase 3 da vacina Covid-19 da AstraZeneca foi suspenso em todos os países participantes devido a suspeita de reação adversa grave em um participante no Reino Unido.

O voluntário no estudo do Reino Unido recebeu um diagnóstico de mielite transversa, uma síndrome inflamatória que afeta a medula espinhal.

O mecanismo da mielite transversa em geral é desconhecido, mas alguns casos ocorrem após infecção viral ou vacinação, sugerindo uma reação autoimune. A inflamação tende a envolver a coluna vertebral difusamente em um ou mais níveis, afetando todas as funções da medula.

O momento do diagnóstico, e se está diretamente relacionado à vacina da AstraZeneca/Oxford, ainda é desconhecido.

Os ensaios clínicos da vacina experimental estão sendo realizados no Reino Unido, Brasil, África do Sul e Estados Unidos.

Segundo o governo do Paraná, o passo seguinte à assinatura do acordo é a submissão do protocolo dos ensaios clínicos da fase 3 para aprovação pela Anvisa.

Além dos brasileiros, participarão voluntários da Rússia, dos Emirados Árabes, da Arábia Saudita e do México.

O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) será responsável por todas as etapas da vacina no Brasil.

O presidente do Tecpar está otimista com a possibilidade de ter resultados positivos com a imunização mas ressalta que a produção e distribuição serão pautadas pela segurança.

“Após esse ajuste com o Governo da Rússia, as tratativas tecnológicas e científicas começam. É importante nos pautarmos com prudência, segurança e transparência dentro desse processo", afirmou Jorge Callado.

A vacina usa cepas adaptadas do adenovírus, um vírus que geralmente causa o resfriado comum, para desencadear uma resposta imunológica.

A distribuição da vacina no Brasil não deve ocorrer antes do segundo semestre de 2021. Foto: © Russian Direct Investment Fund (RDIF)
A distribuição da vacina no Brasil não deve ocorrer antes do segundo semestre de 2021. Foto: © Russian Direct Investment Fund (RDIF)

Nesta terça-feira (11), o Presidente Vladimir Putin anunciou o registro da vacina desenvolvida pelo Centro Nacional de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia Gamaley, Universidade Sechenov e o Main Military Clinical Burdenko Hospital.

"Esta manhã foi registrada, pela primeira vez no mundo, uma vacina contra o novo coronavírus", disse Putin durante reunião com membros do governo.

De acordo com o Presidente, o produto é eficaz e superou todas as provas necessárias, além de permitir uma imunidade estável. Putin disse que uma das suas filhas foi imunizada e que se está se sentindo bem.

"Uma das minhas filhas tomou a vacina", afirmou. "Ela participou da experiência. Depois da primeira vacinação, ela teve 38 graus de febre, no dia seguinte 37, e foi apenas isso".

O Ministro da Saúde, Mikhail Murashko, afirmou que a vacina "provou ser eficaz e segura", saudando-a como um grande passo em direção à "vitória da humanidade" contra o SARS-CoV-2, o vírus que causa a Covid-19.

A inoculação da população da Rússia com a nova vacina está planejada para ser iniciada em outubro, em uma grande campanha de vacinação gratuita.

A Associação de Organizações de Ensaios Clínicos (Acto), sediada em Moscou, que representa as maiores empresas farmacêuticas do mundo na Rússia, tinha pedido ao Ministério da Saúde para adiar o registro para depois da fase três dos ensaios.

A Diretora-Executiva da Acto, Svetlana Zavidova, disse ao site russo MedPortal que uma decisão sobre a vacinação em massa foi tomada após uma combinação de testes de primeira e segunda fases em 76 pessoas, e que era impossível confirmar a eficácia de um medicamento com base nessa amostra.

Segundo Kirill Dmitriev, CEO do Russian Direct Investment Fund (RDIF), "mais de um bilhão de doses foram encomendadas por 20 países". O início da produção industrial está previsto para setembro.

Plano B

Uma outra vacina, desenvolvida pelo State Research Center of Virology and Biotechnology Vector, também está passando por ensaios clínicos.

Rinat Maksyutov, diretor-geral do centro de pesquisas, informou que a expectativa é que a vacina do Vector comece a ser produzida em novembro.

"Esperamos iniciar a produção já em novembro deste ano. Portanto, perto do final do ano e do início do próximo podemos começar a vacinação, pelo menos para grupos de risco", disse Maksyutov.

O Ministério da Saúde da Rússia espera ainda que os desenvolvedores de mais duas vacinas solicitem permissão para iniciar ensaios clínicos nas próximas seis a oito semanas.

Anna Popova, chefe do órgão de vigilância sanitária, disse que está confiante na eficiência e segurança das vacinas anti-coronavírus que estão sendo desenvolvidas na Rússia.

"Não tenho dúvidas de que a vacina que chega às pessoas será absolutamente segura e, é claro, eficaz".

* Com informações do G1, Agência Brasil, BBC, MedPortal, RT

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