O Paraguai pertence a lista de atuais 15 países, incluindo Guatemala e Honduras, que reconhecem a independência de Taiwan.

A China já recrutou 17 aliados diplomáticos de Taiwan desde 2001.

O Partido Comunista da China reivindica Taiwan como seu território, apesar de nunca tê-lo governado, e intensificou os esforços para atrair os aliados diplomáticos da ilha desde a eleição do presidente taiwanês Tsai Ing-wen em 2016.

Alguns analistas expressam preocupação com a possibilidade de Pequim usar a "diplomacia de vacinas" para isolar ainda mais Taiwan, tirando proveito da pandemia global.

A aliança de 63 anos do Paraguai com Taiwan implica que o governo não pode comprar diretamente dos fabricantes de vacinas da China.

O governo foi abordado com ofertas de vacinas chinesas em troca do rompimento de laços com Taiwan, disse o Ministério das Relações Exteriores do Paraguai em um comunicado.

O Ministério disse que as ofertas foram feitas por indivíduos "cuja legitimidade e laços com o governo da República Popular da China não foram comprovados".

Essencialmente, romper com Taiwan seria uma pré-condição para obter vacinas chinesas.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Hua Chunying, classificou a ação como "típica peça maliciosa de desinformação”.

“Pedimos a certas pessoas em Taiwan que parem de tomar medidas mesquinhas, criar boatos ou se envolver em manipulação política”, disse Hua.

O episódio ilustra como a geopolítica está infectando a busca global por vacinas, com grandes potências dominando a produção e acumulando suprimentos.

Os Estados Unidos e a União Europeia estão segurando suas vacinas, enquanto a China forneceu milhões de doses a países como México, Chile e El Salvador em uma demonstração de soft power.

Com seus hospitais lotados, o Paraguai, que tem uma população de 7 milhões de habitantes, só conseguiu obter 163 mil doses, incluindo 23 mil doses de vacinas chinesas doadas pelos Emirados e pelo Chile.

Laboratórios da Índia e do Qatar prometeram fornecer um total de 600.000 doses.

O governo paraguaio notificou mais de 198.000 casos e mais de 3.800 mortes causadas pelo coronavírus.

O Presidente Mario Abdo Benitez vem enfrentando protestos de rua contra a forma como o governo está lidando com a crise de saúde. Parlamentares da oposição já pressionaram sem sucesso por um impeachment.

Taiwan destinou centenas de milhões de dólares em ajuda ao seu aliado ao longo dos anos e recentemente fez doações ao Paraguai de medicamentos e suprimentos médicos extremamente necessários para conter a crise do coronavírus.

Taiwan espera que sua própria vacina covid fique pronta em junho.

Contudo, a pandemia está dando novo ímpeto a líderes empresariais e políticos que dizem que já passou da hora de abandonar Taipei.

No ano passado, a China teve um superávit comercial de quase US$ 3 bilhões com o Paraguai, que não pode vender diretamente carne e soja. O apoio de Assunção a Taipei também impediu o financiamento chinês de obras públicas.

Partidos de oposição de esquerda e conservadores patrocinaram duas resoluções para estabelecer relações diplomáticas ou negociar diretamente a compra de suprimentos médicos e vacinas com a China. Enquanto o Partido Colorado, no poder, votou contra ou emendou fortemente as resoluções, alguns de seus parlamentares estão começando a questionar o apoio do partido a Taiwan, cujo comércio bilateral é pequeno em comparação com outros parceiros comerciais.

A ajuda da China a seus aliados impressionou Jazmin Narvaez, que lidera a facção do Partido Colorado na câmara baixa, leal a Benitez.

“Não há um debate intenso, mas vários colegas têm dúvidas sobre qual aliança é do interesse do Paraguai. É uma situação que tem que ser estudada”, ponderou Narvaez.

Depois que o Panamá, El Salvador e a República Dominicana trocaram os laços com a China, os EUA têm procurado evitar mais ganhos diplomáticos para Pequim em seu próprio quintal. O Secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, discutiu as relações com Taipei durante uma ligação em 14 de março com Abdo Benitez, enfatizando “a importância de continuar a trabalhar com parceiros democráticos regionais e globais, incluindo Taiwan, para superar esta pandemia global, combater a corrupção e aumentar a transparência e responsabilidade".

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