O Governador em exercício Rodrigo Garcia inaugurou neste sábado (25) a nova sede do Paço das Artes, instituição do governo paulista referência na difusão de arte contemporânea e reconhecida incentivadora de novos talentos.

O Paço das Artes inicia a nova fase com a exposição Limiares, da gaúcha Regina Scalzilli Silveira, uma das mais importantes artistas em atividade no Brasil, que há quase seis décadas busca novas formas e ferramentas de expressão.

Frequentadora do circuito internacional, a artista plástica de 81 anos ganha este ano, além da mostra individual no Paço, uma retrospectiva no Museu de Arte Contemporânea da USP, dentro da programação da 34ª Bienal de São Paulo.

“Fico muito feliz com a reabertura do Paço”, Regina disse à Veja. “Tem uma coisa da sua postura institucional, de abrigar jovens artistas e não se assustar com a arte experimental”.

A Prof. Priscila Arantes, curadora e diretora artística do Paço desde 2007, diz que não poderia escolher outro nome para inaugurar o espaço.

“O Paço das Artes sempre apoiou artistas experimentais e o convite para Regina  Silveira expor confirma nossa vocação de buscar sempre trabalhos pioneiros”.

A mostra traz duas instalações comissionadas e duas videoinstalações recentes.

Na primeira instalação, "Cascatas", descrita por Regina como uma pequena catástrofe desmantelando o lugar, imagens monocromáticas das janelas do casarão, multiplicadas e sobrepostas, se alastram pelas paredes e pelo piso, ocupando toda a sala principal do novo Paço.

“É uma ideia de desconstrução, de pequena catástrofe. Eu já tinha realizado uma operação similar no Palácio de Cristal, em Madri, em que eu coloco essa coisa paradoxal do real e da sua representação, embaralhando a percepção e desmantelando o lugar”, explica Regina Silveira.

Na entrada da sala, três antigas TVs de tubo exibem “Campo” (1977), “A arte de desenhar” (1980) e “Morfa” (1981).

A segunda instalação, “Dobra”, remete à sua série “Anamorfas”, em que distorcia objetos domésticos. Um banco de jardim na área externa, próximo à entrada do centro cultural, subverte o sistema de perspectiva.

As videoinstalações “Limiar” e “Lunar” ocupam as salas anexas.

Na obra “Limiar”, uma fresta permite que o público entreveja projeções do vocábulo Luz em 76 idiomas, em seus respectivos alfabetos, entrando e saindo de foco, pulsando com sons de inspiração e expiração.

Na hipnótica videoinstalação “Lunar”, duas projeções mostram imensas esferas azul-acinzentadas se aproximando e se afastando do espectador. "É uma pergunta sobre a vida, o tempo, onde estamos e quem somos”, interpreta Regina.

Limiar e Lunar serão doadas ao Paço das Artes para inaugurar um novo projeto, o Acervo MaPa, uma coleção de arte contemporânea exclusivamente digital — é a primeira de uma instituição do governo paulista.

Nômade

Criado em 25 de março de 1970 pelo decreto estadual nº 52.423, o Paço das Artes, instituição que pertence à Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, nunca teve sede definitiva.

Na Avenida Paulista, o centro de arte contemporânea funcionou entre os anos de 1970 e 1973. No prédio da Pinacoteca, ficou inativo por dois anos. Entre 1975 e 1993, compartilhou o imóvel da Avenida Europa com o Museu da Imagem e do Som (MIS). Em 2016, foi despejado de um prédio de 1.000 m², que ocupou por 22 anos no Instituto Butantan, na Cidade Universitária da USP. Desde então, o cinquentenário Paço funcionava em uma sala de menos de 100 m² no MIS.

Nhonhô

Em 2018, o Governo do Estado acionou uma cláusula esquecida do leilão do "casarão Nhonhô Magalhães", arrematado em 2005, que estipula a cessão de um espaço no imóvel por 20 anos, renováveis por mais 20, a ser utilizado pela Secretaria de Cultura. A propriedade possui 2.500 m² de área construida e cerca de 40 cômodos. A edificação da Av. Higienópolis é composta por 5 pavimentos, incluidos o porão e a garagem no subsolo, com acesso pela Dr. Albuquerque Lins.

O grupo econômico cumpriu a cláusula destinando uma área de cerca de 300 m² no 2º pavimento inferior do casarão, na antiga garagem.

A organização social que administra o Paço das Artes aceitou o desafio e contratou um dos maiores nomes da arquitetura brasileira para readequar o espaço exiguo, com iluminação natural deficiente, pé-direito baixo, e possivelmente úmido, combinação problemática para a montagem de exposições de arte contemporânea.

As dificuldades do renomado centro cultural contrastam com os mais de 2.000 m² do recém-inaugurado MIS Experience, um espaço de entretenimento localizado na antiga marcenaria da TV Cultura no bairro Água Branca, na zona oeste paulistana, festejado como o primeiro espaço cultural criado pela gestão Doria.

Paço das Artes
Exposição Limiares
Data: 25 de janeiro a 10 de maio de 2020
Horário: Terça a sábado, das 10h às 20h | Domingos e feriados, das 12h às 20h
Endereço: Rua Dr. Albuquerque Lins, 1331 – Santa Cecília

* Com informações do Portal do Governo do Estado de São Paulo, Revista Veja, Itaú Cultural e Artequeacontece

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