Na quinta-feira (21), os ministros se reuniram em Bruxelas para aprovar o esquema, denominado “Conceito de Dissuasão e Defesa na Área Euro-Atlântica”.

De acordo com o Secretário-Geral da OTAN, Jens Stoltenberg, o plano faz parte dos esforços para “continuar a fortalecer a nossa aliança com planos melhores e modernizados”.

As autoridades do bloco insistem que não acreditam que um ataque seja iminente, mas que vale a pena ser preparado em qualquer caso. Como parte do plano, as tropas da OTAN lutariam contra as forças russas na região do Báltico e no Mar Negro.

Os planos de batalha também se concentram em guerras não convencionais, incluindo o uso de armas nucleares, ataques cibernéticos e até mesmo conflitos no espaço.

O secretário de imprensa do Kremlin, Dmitry Peskov, criticou a adoção da estratégia nesta sexta-feira (22), dizendo que ela mostra que não há perspectiva de reverter as relações de fundo do poço com o bloco.

“Não há necessidade de diálogo nessas condições”, argumentou, dizendo que a adoção “de tal conceito pela OTAN o confirma mais uma vez”. Segundo Peskov, “esta aliança não foi criada para a paz, foi concebida, projetada e criada para o confronto”.

Defendendo as medidas, Stoltenberg disse a repórteres no início desta semana que “a relação entre a OTAN e a Rússia está em seu ponto mais baixo, mais baixo desde o fim da Guerra Fria, e a razão para isso é o comportamento russo”.

“Eles invadiram os vizinhos, anexaram parte de outro país, estão investindo pesadamente em novas capacidades nucleares”, afirmou Stoltenberg. “Eles estão se intrometendo em nossos processos democráticos, e vimos a Rússia ser responsável por ações agressivas contra os Aliados da OTAN”.

Moscou, no entanto, soou o alarme nos últimos dias por causa de uma série de confrontos com navios de guerra e aviões de guerra dos EUA perto de suas fronteiras.

No início desta semana, dois caças escoltaram dois bombardeiros americanos sobre o Mar Negro, poucos dias depois que a marinha russa interceptou o USS Chafee enquanto ele rumava para a Baía de Pedro o Grande, área em disputa desde 1984, quando a União Soviética a declarou parte de suas águas territoriais. A Rússia mantém o mesmo entendimento.

O último desafio militar dos EUA às reivindicações marítimas da Rússia perto da Baía de Pedro o Grande, ocorreu em dezembro de 2018. Antes disso, a última operação dos Estados Unidos na área ocorreu em 1987.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, criticou os comentários de Stoltenberg na quinta-feira, dizendo que o chefe da OTAN subestima a escala do problema nas relações e que os laços entre os dois estão, na verdade, “em um estado pior do que em qualquer momento durante os dias mais sombrios da Guerra Fria".

Falando a dignitários em um discurso no Clube de Discussão Valdai na quinta-feira, o presidente russo Vladimir disse que o desenvolvimento militar da região já está em andamento e representa uma ameaça para a Rússia.

“Amanhã, podem aparecer foguetes perto de Kharkov, o que vamos fazer a respeito? Não somos nós colocando nossos mísseis lá, são eles empurrando os deles debaixo do nosso nariz”, destacou Putin.

Bombardeiros russos sobrevoam o Ártico

Dois bombardeiros de longo alcance Tupolev Tu-95MbS, armados com mísseis e escoltados por caças, realizaram um vôo de nove horas sobre os mares de Chukchi, Bering e Okhotsk, informou o Ministério da Defesa da Rússia nesta sexta-feira.

Caças Su-35S da Força Aérea do Distrito Militar Oriental e do Exército de Defesa Aérea escoltaram os dois bombardeiros com capacidade de ataque nuclear.

As tripulações das aeronaves russas de longo alcance realizam voos regulares sobre as águas neutras do Ártico, Atlântico Norte, Mar Negro e Báltico e também o Oceano Pacífico, disse o ministério.

“As aeronaves da Força Aeroespacial Russa realizam todos os voos em estrito cumprimento das regras internacionais de utilização do espaço aéreo”, enfatizou o Ministério da Defesa.

O Tu-95MS está passando por um processo de modernização com incorporação de armas avançadas, incluindo mísseis de cruzeiro subsônicos de baixa observação, com ogivas nucleares e convencionais.

Atualização 23/10/2021

A Ministra da Defesa alemã, Annegret Kramp-Karrenbauer, tem sido uma das defensores mais ativas do novo plano mestre da OTAN para conter a Rússia no caso de um conflito militar eclodir entre as partes. A estratégia, que foi acordada na quinta-feira (21), prevê as tropas da aliança militar lutando contra as forças russas na região do Báltico e em todo o Mar Negro, ao mesmo tempo que emprega armas nucleares, ataques cibernéticos e tecnologia militar espacial.

“Esta é a forma de dissuasão”, disse Kramp-Karrenbauer à rádio alemã Deutschlandfunk no início desta semana, comentando sobre manter armas nucleares no ar sobre a Letônia, Lituânia e Estônia para protegê-los do que a OTAN chama de “ameaça russa".

“Devemos deixar bem claro para a Rússia que estamos prontos para usar tais medidas também, para que tenham um efeito dissuasor antecipado. Isso está sendo adaptado para o comportamento atual da Rússia”, insistiu.

Neste sábado (23), o Ministro da Defesa russo, Sergey Shoigu, disse que “a segurança na Europa só pode ser coletiva sem infringir os interesses da Rússia. Mas atualmente a OTAN é a parte que não está pronta para um diálogo igual sobre esta questão”.

“Em meio a apelos para deter a Rússia militarmente, a OTAN está constantemente aumentando suas forças perto de nossas fronteiras. O chanceler alemão deve saber muito bem como essas ações terminaram para a Alemanha e a Europa anteriormente”, acrescentou.

Shoigu também lembrou a retirada caótica dos EUA e de seus aliados da OTAN do Afeganistão em agosto, quando o país caiu nas mãos do Talibã. O plano de dissuasão ocidental no Afeganistão terminou em “uma catástrofe, com a qual o mundo inteiro agora tem que lidar”.

A ex-ministra das Relações Exteriores da Áustria, Karin Kneissl, disse à RT neste sábado que "não superestimaria" as declarações feitas por Kramp-Karrenbauer, integrante do Governo Merkel e que está deixando o cargo.

Seu futuro no parlamento pode estar em dúvida, já que a evacuação das tropas alemãs do Afeganistão, que ela supervisionou, acabou sendo um "fracasso", Kneissl apontou, argumentando que Kramp-Karrenbauer "não é mais uma figura política forte".

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