"A pandemia constitui um grande desafio mundial – para toda a comunidade internacional, para o multilateralismo e para mim, enquanto Secretário-Geral das Nações Unidas. Infelizmente, é um teste que, até ao momento, a comunidade internacional está a falhar”, disse Antônio Guterres em entrevista, por escrito, à agência Lusa.

"Morreram já mais de um milhão de pessoas e mais de 30 milhões foram infectadas, porque não se verificou um nível de coordenação suficiente na luta contra o vírus”, enfatizou o ex-primeiro-ministro português.

Pobreza e fome

O Secretário-Geral da ONU destacou que a atual crise sanitária mostrou “sem sombra de dúvida” a fragilidade do mundo atual, lamentando a falta de demonstração de uma “solidariedade necessária” para com os países que, sem apoio, não podem sobreviver ao impacto econômico e social da pandemia.

"É, para mim, motivo de enorme frustração a falta de unidade da comunidade internacional na procura de soluções coerentes para os principais desafios mundiais", escreveu Guterres.

“Se não forem tomadas medidas fortes e coordenadas, um vírus microscópico pode empurrar milhões de pessoas para a pobreza e a fome, com efeitos econômicos devastadores nos próximos anos”.

Corrupção

Em nota divulgada na quinta-feira (15), Guterres disse que na pandemia a corrupção revelou-se ainda mais prejudicial no seu impacto sobre os mais vulneráveis.

“A resposta ao vírus está criando novas oportunidades para explorar a supervisão fraca e a transparência inadequada, desviando fundos das pessoas em seus momentos de maior necessidade”, disse o Secretário-Geral.

"Comerciantes sem escrúpulos vendem produtos defeituosos, como ventiladores com defeito, testes mal fabricados ou medicamentos falsificados", disse Guterres, observando que o conluio entre controladores de cadeias de abastecimento levou a aumentos abusivos de preços que distorceram o mercado e negaram a muitos pacientes o tratamento que poderia ter salvo suas vidas.

O Secretário-Geral exortou os governantes a serem cuidadosos e não agirem precipitadamente, certificando-se de examinar os fornecedores e garantir preços justos para bens essenciais, visto que as cadeias de suprimentos continuam sob pressão.

* Com informações da Lusa, UN News

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