A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) advertem, em comunicado, que o "retrocesso histórico nas taxas de imunização" acontece em simultâneo com o crescimento das taxas de desnutrição aguda ou severa.

"A convergência de uma crise de fome com uma crescente lacuna de imunização ameaça criar as condições para uma crise de sobrevivência infantil", alertam as duas agências da ONU, destacando que "uma criança desnutrida já tem imunidade enfraquecida" e as vacinas que não são administradas "podem significar que doenças comuns da infância rapidamente se tornem letais".

Segundo as duas organizações, as estimativas "fornecem o maior e o mais abrangente conjunto de dados do mundo sobre tendências de imunização para vacinas contra 13 doenças administradas por sistemas regulares de saúde".

A pandemia, que levou à "suspensão de serviços" e do fornecimento de vacinas, "ao desvio de recursos e a medidas de contenção", é, a par da desinformação, um dos fatores apontados pelas agências que conduziram ao declínio da cobertura vacinal infantil entre 2019 e 2021, avaliam as agências.

De acordo com a OMS e Unicef, a porcentagem de crianças que recebeu três doses da vacina tríplice contra difteria, tétano e tosse convulsa – "um marcador para a cobertura vacinal nos países" – caiu cinco pontos percentuais, para 81%, entre 2019 e 2021.

Das 25 milhões de crianças que ficaram por imunizar em 2021 contra estas três doenças, cerca de 18 milhões não receberam uma única dose, a maioria vivendo em países de baixa e média renda.

Os dados revelam também que 24,7 milhões de crianças não foram imunizadas sequer com a primeira dose da vacina do sarampo.

Comparando com 2019, mais 6,7 milhões de crianças não foram imunizadas em 2021 com a terceira dose da vacina contra a poliomielite.

Níveis de cobertura vacinal desadequados resultaram em "surtos evitáveis" de sarampo e poliomielite no último ano, ressaltaram a OMS e a Unicef.

"Este é um alerta vermelho para a saúde infantil. Estamos testemunhando a maior queda sustentada na imunização infantil numa geração. As consequências serão medidas em vidas", disse a Diretora-Executiva da Unicef, Catherine Russell.

Segundo a Unicef, será necessário "recuperar a imunização" de milhões de menores, caso contrário haverá "mais surtos, mais crianças doentes e maior pressão sobre os sistemas de saúde já sobrecarregados".

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