O diretor-executivo do programa de emergências da OMS, Michael Ryan, ressaltou que a declaração não significa que a OMS adotará novas recomendações no combate ao vírus.

Ryan alertou que embora Itália e Irã estejam na linha de frente da propagação do novo coronavírus e da exportação da Covid-19 para países onde a doença ainda não havia chegado, outras nações deverão ser afetadas da mesma maneira em um "futuro próximo".

"Estamos profundamente preocupados tanto pelos níveis alarmantes de propagação e gravidade como pelos indícios preocupantes de falta de ação. Portanto, avaliamos que a Covid-19 pode se caracterizar como uma pandemia", disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, Diretor-Geral da OMS.

"Tocamos a campainha do alarme alto e claro", disse Tedros em entrevista coletiva. "Não podemos dizer isso em voz alta o suficiente, ou com clareza ou com frequência suficiente: todos os países ainda podem mudar o curso dessa pandemia".

Casos, mortes e números de países atingidos devem aumentar, prevê o organismo da ONU. No momento, oito países – incluindo os EUA –  estão relatando mais de 1.000 casos de COVID-19.

O diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), Robert Redfield, disse a um comitê do Congresso americano que o vírus se espalhou para pelo menos 38 estados.

"No momento, o epicentro – a nova China – é a Europa", disse Redfield. "E muitas pessoas que vêm e voltam da Europa estão começando a infectar essas comunidades".

Navios de cruzeiro irão desembarcar 100 mil pessoas nos portos dos EUA nesta semana.

O Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, comentou que a declaração de pandemia há muito era esperada e que não muda nada na prática. Havia pressão de diferentes países, inclusive do Brasil, para que a OMS reconhecesse a situação de pandemia.

De acordo com o mais recente levantamento da organização, há mais de 121 mil casos em 114 países e 4.300 pessoas morreram da doença.

Alemanha

A Chanceler Angela Merkel afirmou na manhã desta quarta-feira que 70% da população do país, cerca de 60 milhões de pessoas, podem se infectar com o novo coronavírus. Por isso, o país investirá para conter a disseminação do Sars-CoV-2.

O motivo, segundo a chefe de governo, é a ausência de uma cura para a Covid-19 e a inexistência de imunização.

"Quando o vírus está se espalhando com a população sem imunidade e sem um tratamento existente, 60% a 70% da população será infectada",  disse Merkel durante uma coletiva de imprensa. "O processo de contenção deve se concentrar em evitar a sobrecarga do sistema de saúde freando a disseminação do vírus. É questão de ganhar tempo".

Até o momento, a Alemanha registrou 1.300 casos confirmados e duas mortes. A pandemia levantou debates sobre o modelo federal da Alemanha, que garante autonomia às autoridades regionais dos 16 estados de decidir se acatam ou não a recomendação do Ministro da Saúde de cancelar eventos com mais de mil participantes, a exemplo de Berlim, que adotou a medida nesta quarta-feira.

"A crise do coronavírus mostra que, sem uma condução clara, o  federalismo está chegando aos seus limites na luta contra epidemias",  criticou o jornal alemão Bild, que classificou a condução da crise pela Chanceler como caótica. "Sem aparições, sem discursos, nenhuma liderança nesta epidemia".

* Com informações do O Globo, NPR, USA Today

Veja também: