O órgão de saúde da ONU disse em um relatório de situação, publicado no final do domingo (26), que o risco é "muito alto na China, alto no nível regional e alto no nível global".

Em uma nota de rodapé, a OMS disse que houve um "erro" em comunicados anteriores, publicados na quinta, sexta e sábado, que "incorretamente" disseram que o risco global era "moderado".

Solicitada para dar mais detalhes sobre o erro, a porta-voz da OMS, Fadela Chaib, disse apenas que "foi um erro de redação".

O chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou na quinta-feira (23): "É uma emergência na China, mas ainda não se tornou uma emergência de saúde global".

O comitê que pesou a decisão ficou dividido, disse seu presidente, Dr. Didier Houssin, informa o NYT. Alguns membros consideraram que o curso do surto justificava uma imediata declaração de emergência, mas outros disseram que era muito cedo para decidir, citando o número limitado de casos em países fora da China, bem como os esforços do país para conter o vírus.

O Dr. Tedros disse que não hesitaria em reconsiderar a declaração de emergência, mesmo em questão de dias, se surgissem mais evidências indicando que o surto representa uma ameaça global.

As declarações de emergência podem destacar um país como uma ameaça para o resto do mundo e podem causar impacto no comércio e no turismo.

Mas, dada a resposta chinesa de colocar em quarentena 41 milhões de pessoas em 13 cidades, a decisão da Coreia do Norte de fechar as fronteiras no dia 22, e até mesmo turistas usando máscaras na Escócia, o surto e uma eventual declaração de emergência já foram precificados nos mercados.

Em 2014, a OMS enfrentou duras críticas por subestimar a gravidade da epidemia de Ebola, que devastou três países da África e causou o óbito de mais de 11 mil pessoas.

Turistas usam máscaras ao visitar o Castelo de Edimburgo, Escócia, em 24 de janeiro de 2020. Foto: Bruce Detorres
Turistas usam máscaras em Edimburgo, Escócia. Foto: Bruce Detorres (24/01/2020)

China

As autoridades de saúde chinesas afirmaram nesta segunda que a nova variante do coronavírus sofreu mutações, tornando-se mais contagiosa.

A Comissão Nacional de Saúde informou que estão sendo registrados casos da infecção em praticamente toda a China.

O governo chinês anunciou que o período de feriado prolongado do Ano-Novo Lunar será estendido por mais três dias, até 2 de fevereiro. Escolas, universidades e creches vão adiar por mais tempo o início das aulas.

Pequim também está tomando novas medidas para restringir a movimentação de pessoas. A partir desta segunda-feira, agências de turismo não farão viagens em excursão com destino ao exterior e os serviços de ônibus de longa distância foram suspensos em diversas cidades.

* Com informações da Agência Brasil, Channel News Asia, The New York Times

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