Atualizado em 11/12/2021

O polêmico consultor da Casa Branca para a pandemia, Dr. Anthony Fauci, que não é conhecido por subestimar os riscos da covid-19, avaliou que a variante Ômicron pode ser um desenvolvimento positivo do vírus.

“Embora seja muito cedo para realmente fazer qualquer declaração definitiva, até agora não parece haver um grande grau de severidade ... Até agora, os sinais são um pouco encorajadores”, disse Fauci.

As mutações da Ômicron parecem ter aumentado a capacidade do vírus de infectar pessoas, mas especialistas especulam que os indivíduos que forem contaminados com a nova cepa poderão obter imunidade natural contra todas as variantes.

A Dra. Angelique Coetzee, Presidente da Associação Médica da África do Sul, criticou a resposta do Ocidente ao seu anúncio do surgimento da nova variante.

“Eu vi muito em minha carreira médica, mas nada me preparou para a extraordinária reação global que sucedeu ao meu anúncio ... Esta variante do vírus já estava circulando no sul da África há algum tempo ... Deixe-me ser clara: nada do que vi sobre esta nova variante justifica a ação extrema que o governo do Reino Unido tomou em resposta a ela. Ninguém aqui na África do Sul foi hospitalizado com a variante Ômicron, nem acredita-se que alguém aqui tenha ficado gravemente doente com ela”.

“Se, como algumas evidências sugerem, o Ômicron acabar sendo um vírus de disseminação rápida com sintomas geralmente leves para a maioria das pessoas que o contraem, isso seria um passo útil no caminho para a imunidade coletiva”, disse Coetzee.

O Professor Anatoly Altshtein, do Centro Nacional de Pesquisa Epidemiológica de Gamaleya em Moscou, onde a vacina Sputnik V foi desenvolvida, ponderou que a pandemia tem chance de acabar com a variante Ômicron.

"A variante Delta irá desaparecer e este vírus pode tomar o seu lugar, mas a pandemia não será tão perigosa. Agora, cerca de 3% morrem, e com essa cepa [Ômicron], se ela realmente se espalhar, a patogenicidade tende a diminuir. Se o coronavírus for comparável em letalidade à influenza, então consideraremos que a pandemia acabou”, disse Altshtein ao RT.

Altshtein explicou que a variante Ômicron "tem muitas mutações, mais do que a Delta. Mais de trinta em um único gene de sua proteína Spike. São muitas e significa que o genoma do vírus é instável. Como regra, esse tipo de agente infeccioso se torna menos perigoso porque, evolutivamente, um número avassalador de mutações leva ao enfraquecimento da capacidade do vírus de causar doenças”.

Se a regra for confirmada, o Ômicron poderia ser fatal em apenas uma pequena fração dos casos e se tornaria uma infecção sazonal como outras, disse Altshtein.

O professor ressaltou que ainda sabe-se muito pouco sobre a nova variante e que é melhor ter cautela enquanto suas características são pesquisadas, advertindo que é preciso conhecer o que acontece quando a variante Ômicron infecta pessoas idosas.

“Não devemos ter medo de que a variante Ômicron esteja se espalhando amplamente”, disse Altshtein, “mas que possa vir a ser uma variante mais patogênica, piorando a infecção”.

Média móvel de 7 dias de novos casos diários de infecção por SARS-CoV-2 na África do Sul. Arte: © Our World in Data
Média móvel de 7 dias de novos casos diários de infecção por SARS-CoV-2 na África do Sul. Arte: © Our World in Data

Embora tenham surgido evidências convincentes de que a última variante do SARS-CoV-2 é altamente transmissível, dados dos hospitais locais e de testes sugerem que essa onda pode passar rapidamente, sem um grande número de mortes e com uma porcentagem extremamente alta de casos assintomáticos.

Média móvel de 7 dias de óbitos diários por covid-19 na África do Sul. Arte: © Our World in Data
Média móvel de 7 dias de óbitos diários por covid-19 na África do Sul. Arte: © Our World in Data

Na África do Sul, três das observações mais importantes até o momento estão relacionadas à duração da hospitalização (2,5 dias com Ômicron em comparação a 8,6 dias com Delta), ocupação de UTI (60% menor) e uso de oxigênio (70% menor). Dada a defasagem dos dados hospitalares, monitorar como esses números evoluem nas próximas duas semanas será fundamental.

Alguns especialistas argumentam que esse padrão não se reproduzirá no mundo desenvolvido. A África do Sul tem uma população marcadamente mais jovem, com idade média de 27,6 anos – embora 20% sofra de HIV ou AIDS, e já sofreu três ondas consideráveis, o que significa que parte da população desenvolveu alguma forma de imunidade natural junto com os 30% que estão totalmente vacinados.

Ainda é muito cedo para dizer como a infecção anterior e a vacinação (embora com declínio, pois não há programa de reforço local) serão comparadas em termos de resultado. Mas os sinais, com base nos relatórios dos hospitais locais, são de que ambos os grupos são suscetíveis ao Ômicron, embora de forma moderada quando comparado ao Delta. A questão principal aqui é se isso se deve à gravidade do próprio Ômicron ou às infecções e vacinas que ocorreram desde os meses de verão.

Além disso, como mais da metade dos casos (talvez até 75%) são assintomáticos, com base em testes no local de trabalho, a população sul-africana não está com pressa para fazer o teste, talvez nunca possa ser observado o pico dramático de números de testes positivos que os modeladores esperam ver, mas sim um enfraquecimento nos próximos dias em Gauteng e uma repetição em outras partes do globo.

O número de reprodução (R) na província de Gauteng, na África do Sul, é tão alto que o pico de casos pode provavelmente ocorrer na próxima semana. Fonte/Arte: © Anthony Clake/Unherd
O número de reprodução (R) na província de Gauteng, na África do Sul, é tão alto que o pico de casos pode provavelmente ocorrer na próxima semana. Fonte/Arte: © Anthony Clake/Unherd

Até agora, legisladores e especialistas de países desenvolvidos escolheram "esperar para ver", descrevendo os relatos de hospitais e médicos sul-africanos como anedóticos, evidências informais.

"Mais dados serão necessários antes que possamos fazer qualquer previsão robusta sobre a ameaça potencial representada por uma disseminação global da variante Ômicron em diferentes partes do mundo", alertou Francois Balloux, Professor de Computational Systems Biology e Diretor do UCL Genetics Institute, em comentário postado no Science Media Centre.

Na Europa, já existem mais de mil casos de Ômicron monitorados (em grande parte com vacinação dupla e muitos com reforço). É preciso saber se esses indivíduos são assintomáticos ou apresentam sintomas leves e como eles se desenvolvem. As primeiras evidências sugerem que Ômicron apresenta sintomas mais rapidamente do que Delta (2-3 dias), portanto, os picos ao redor do mundo podem ser rápidos, mas curtos.

Com a nova variante detectada em quase todas as regiões do mundo, milhões de pessoas mais pobres na África e em outras nações poderiam, potencialmente, se tornar beneficiárias acidentais da imunização natural desenvolvida para combater o Ômicron, obtendo proteção contra outras cepas mais perigosas do SARS-CoV-2.

Contudo, há um grande problema. Embora o Ômicron talvez possa fornecer um caminho muito menos arriscado para essa qualidade de imunidade, poucas pessoas estão em posição de saber se foram expostas ao Ômicron ou a uma variante cuja infecção progride para complicações graves e morte.

Se o Ômicron provar ser tão brando quanto o Dr. Fauci e outros disseram que provavelmente é, um plano alternativo seria deixar a variante se espalhar de forma controlada, apenas nas áreas onde é dominante, em vez de decretar lockdowns ou pressionar por vacinas que podem não proteger do Ômicron de qualquer maneira.

Atualização 09/12/2021

O Dr. Richard Friedland, diretor executivo da Netcare, o maior provedor de saúde privado da África do Sul, disse ao The Telegraph que as primeiras tendências durante a quarta onda do país indicam uma "forma muito menos grave" de covid-19.

Friedland disse que 90% das infecções pelo vírus da covid-19 em 49 hospitais da empresa foram considerados "incidentais": os pacientes vieram para tratar outros problemas e testaram positivo para o SARS-CoV-2.

“Tendo visto pessoalmente muitos de nossos pacientes em nossos hospitais de Gauteng, seus sintomas são muito mais leves do que qualquer coisa que experimentamos durante as três primeiras ondas”, disse Friedland.

“Se na segunda e terceira ondas tivéssemos visto esses níveis de positividade para os testes realizados, teríamos visto aumentos muito significativos nas internações hospitalares e não estamos vendo isso. Em nossas clínicas de atenção primária, são principalmente pessoas com menos de 30 anos”.

“Então, eu realmente acho que há uma fresta de esperança aqui e isso pode sinalizar o fim da pandemia, com ela se atenuando a tal ponto que é altamente contagiosa, mas não causa doenças graves. Foi o que aconteceu com a gripe espanhola”.

“Embora reconheçamos plenamente que ainda é cedo, se essa tendência continuar, parece que, com algumas exceções daqueles que requerem atenção terciária, a quarta onda pode ser tratada de forma adequada em nível de atenção primária”.

No entanto, o executivo enfatizou que esses eram apenas resultados preliminares de três semanas de dados e que a situação poderia mudar – normalmente, leva cerca de cinco a seis semanas desde o início das infecções para que os casos graves apareçam.

A declaração do CEO se correlaciona com o que outros especialistas em saúde na África do Sul disseram sobre a variante Ômicron.

Apesar do fato de que o Ômicron está provando ser significativamente um agente patogênico menos agressivo do que quando foi inicialmente descoberto, os governos avançaram de qualquer maneira para impor novas restrições e impor mandatos draconianos de vacinas em suas populações.

Até o momento, não há registro de morte por Ômicron em todo o mundo e, em países como o Reino Unido, com mais de 600 pessoas infectadas pela variante, o vírus ainda não causou a hospitalização de nenhum paciente.

Atualização 10/12/2021

Dos 49 casos detectados em Portugal de infecção pela variante Ômicron, 80% são do sexo masculino e a média das idades foi de 35 anos, revela o relatório das Linhas Vermelhas, elaborado pela Direção-Geral da Saúde (DGS) e pelo Instituto de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), divulgado nesta sexta-feira (10).

Até agora, são casos assintomáticos ou que apresentaram sintomas leves — e nenhuma destas infecções resultou em hospitalização ou óbito.

Outras cepas
A incidência de infecções pelo vírus da covid-19 está crescendo em todas as regiões de Portugal, país onde 90% da população total já foi completamente vacinada – a imunização de crianças entre 5 e 11 anos começará em 18 de dezembro.

“Todas as regiões apresentam incidências acima do limiar de 240 casos por 100 mil habitantes e, no caso das regiões do Algarve e do Centro, continuou a ser também ultrapassado o limiar de 480 casos”, dizem INSA e DGS. No Norte há 416 casos por 100 mil habitantes, no Centro são 676, em Lisboa e Vale do Tejo 413, no Alentejo há 300 infecções e no Algarve, 838 casos por 100 mil habitantes.

O número de pacientes em todo o país internados com covid-19 em UTIs é de 142 pessoas, cerca de metade do limite definido como crítico de 255 leitos ocupados.

Atualização 11/12/2021

No Brasil, até o momento, foram confirmadas seis pessoas infectadas pela variante Ômicron, sendo três em São Paulo, duas no Distrito Federal e uma no Rio Grande do Sul. De acordo com o Ministério da Saúde, os pacientes estão assintomáticos e foram colocados em isolamento – todos tinham completado o esquema vacinal.

Atualização 11/12/2021

Dados de 10 de dezembro, publicados pel0 Centro Europeu para Prevenção e Controle de Doenças (ECDC), somam 582 infecções pela variante Ômicron, registradas em 21 países da União Europeia e da Área Econômica Europeia: Alemanha (28), Áustria (17), Bélgica (30), República Checa (5), Croácia (3), Dinamarca (154)*, Espanha (14), Estônia (15), Finlândia (9), França (59), Grécia (3), Holanda (36), Irlanda (6), Islândia (20), Itália (13), Letônia (5), Liechtenstein (1), Noruega (109), Portugal (37), Romênia (2) e Suécia (16).

A Dinamarca relatou 154 casos confirmados por meio de sequenciamento do genoma e 642 confirmados por meio de PCR específico para variantes.

"Todos os casos para os quais há informações disponíveis sobre a gravidade foram assintomáticos ou leves. Até agora, não houve relatos de mortes relacionadas ao Ômicron. Esses dados devem ser avaliados com cautela, pois o número de casos confirmados é muito baixo para entender se o espectro clínico da doença de Ômicron difere daquele de variantes detectadas anteriormente", disse o ECDC.

Neste sábado (11), a agência europeia reportou em rede social que o número de infecções detectadas para a variante Ômicron passou para 732, em 22 países.

No geral, há 2.382 casos confirmados notificados globalmente por 62 países.

Reino Unido (817 casos) e África do Sul (499) apresentam o maior número de confirmações de infecção Ômega por sequenciamento de genoma.

Atualização 28/12/2021

Infecções vs hospitalizações vs óbitos na África do Sul:

• As infecções atingiram 117% do pico Delta, agora caíram para 66% do pico Delta
• Hospitalizações em 60% do pico Delta
• Óbitos em 16% do pico Delta

Atualização 04/01/2022

Porcentagem de pacientes covid em Londres em ventilação pulmonar. Arte: © The Telegraph
Porcentagem de pacientes covid em Londres em ventilação pulmonar. Arte: © The Telegraph
Dissociação de casos vs hospitalizações e mortes na atual onda Ômicron em Londres em comparação com a onda Alfa anterior. Arte: © Paul Mainwood
Dissociação de casos vs hospitalizações e mortes na atual onda Ômicron em Londres em comparação com a onda Alfa anterior. Arte: © Paul Mainwood

* Com informações do Unherd

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