A maestrina, convidada pela instituição italiana em outubro passado, aos 43 anos, será a primeira mulher a dirigir um teatro de ópera italiano.

O Teatro Comunale de Bologna foi inaugurado em 1763, com uma apresentação de Il trionfo di Clelia, de Christoph Willibald Gluck, e passou a receber Wagner, bem como alguns dos maiores compositores italianos, incluindo Verdi, Rossini e Bellini.

A primeira produção de ópera de Oksana Lyniv será Andrea Chénier, de Umberto Giordano, e também regerá músicas de alguns de seus compositores favoritos, incluindo Wagner, Tchaikovsky, Bruckner, Richard Strauss e o compositor ucraniano Boris Lyatoshinsky.

“Não sabia, quando recebi a carta do Teatro Comunale que seria a primeira diretora musical de uma ópera italiana. Estou muito feliz e honrada por fazer parte deste acontecimento e desta mudança histórica”, disse ao jornal britânico The Guardian.

Não é a primeira vez que Lyniv abre novos caminhos e faz história.

Desde 1876, 92 homens dirigiram as óperas de Richard Wagner no Festival de Bayreuth, na Alemanha. Em julho passado, na última edição do evento, referência no calendário operático europeu, Oksana Lyniv tornou-se a primeira mulher a conduzir a orquestra em 145 anos da história do festival, na encenação de Dmitri Tcherniakov da ópera O Navio Fantasma (Flying Dutchman), de Richard Wagner, para um público extasiado que incluiu a ex-chanceler alemã Angela Merkel.

Na época, em entrevista à revista Platea, Lyniv contou que todos os dias, quando se dirigia ao fosso da orquestra, atravessava uma galeria com retratos de todos os maestros da história do Festival de Bayreuth – o próprio Richard Wagner e o seu filho, mas também Richard Strauss, Wilhelm Furtwängler e Pierre Boulez.

Filha de músicos, Lyniv regeu sua primeira orquestra aos 16 anos, antes de ir estudar na escola de música Lysenko em Lviv, mas só aos 18 anos decidiu pela carreira de maestrina. Segundo Oksana, ela não encarou como um desafio e não pretendia romper com os estereótipos de gênero da profissão – o que a fascinava era conduzir uma orquestra.

Contudo, ela disse que era difícil para as mulheres músicas alcançarem sucesso naquela época, porque a maioria dos maestros e professores era do sexo masculino.

“Não houve nenhum exemplo vivo de mulher com quem pudéssemos aprender ou obter conselhos”, disse Lyniv ao The Guardian. “Mas é menos difícil agora – nas orquestras de hoje você vê muito mais mulheres. As condições são muito melhores agora, pois a sociedade está pensando mais em direitos iguais – então as jovens regentes não devem se conter, elas devem agarrar as oportunidades e lutar por elas”.

A maestrina disse ainda que a Itália é “um lugar muito importante para as artes e a ópera” e que “é importante que essa mudança aconteça agora”.

Sua carreira passou pela Ópera Nacional de Odessa, onde esteve cinco anos como assistente, e depois pela Bayerische Staatsoper de Munique, onde foi assistente do maestro Kirill Petrenko. Foi na Orquestra Filarmônica de Graz, na Áustria, onde esteve três anos, que se viu pela primeira vez nomeada maestrina titular de uma instituição. Em 2016, fundou a Orquestra Sinfônica Jovem da Ucrânia.

Lyniv disse ao jornal britânico que um de seus objetivos durante sua gestão será fazer com que mais jovens se interessem por ópera.

* Com informações do The Guardian