Os sistemas sociais, ambientais, políticos e econômicos do mundo enfrentam desafios crescentes. Foto: James Paramecio, Pixabay

Na apresentação anual do Bank of America Merrill Lynch Year Ahead Outlook, estrategistas e economistas da segunda maior instituição financeira dos EUA discutiram a mudança da globalização para a localização, que está transformando economias no próximo ano e ao longo da década de 2020.

A transição para laços econômicos locais e regionais mais fortes, após três décadas de crescimento econômico alimentado pelos benefícios da globalização – um fluxo livre e não controlado de mercadorias, pessoas e capitais, que recompensa a mão-de-obra barata e os baixos preços ao consumidor –, sustenta grande parte das perspectivas do Bank of America Merrill Lynch sobre os mercados e a economia no próximo ano.

A localização, ao contrário da globalização, tem implicações importantes para o crescimento global, e o avanço do capitalismo moral está mudando o comportamento corporativo, movendo o foco dos acionistas para os clientes, empregados, fornecedores, financiadores, governos e comunidades.  

O Bank of America diz que a globalização já atingiu o pico e que a próxima década será diferente de tudo antes dela.

"O novo ano e década começam perto do final do maior período de mercado em alta (bull market) já registrado e, apesar dos recentes fortes ganhos, a ansiedade dos investidores permanece em um nível alto", disse Candace Browning, chefe da BofA Merrill Lynch Global Research. “Muitos dos fatores determinantes – política do banco central, globalização, petróleo – atingiram o pico, e novos paradigmas econômicos estão surgindo em resposta a um conjunto diferente de desafios enfrentados pelos sistemas social, ambiental, político e econômico do mundo”.

“Terminamos a década de 2010 em um regime econômico caracterizado por baixo crescimento. O PIB real atingiu uma média de apenas 2% nos EUA, 1% na UE e no Japão, e caiu de 12% para 6% na China", disseram analistas do banco.

“Nos próximos anos, veremos aumento da automação, recessão global, inovação sem precedentes, sérios desafios ambientais, mudanças tectônicas na demografia e fim da globalização”.

A interrupção no fluxo global aumentará o custo dos negócios, mas o banco acredita que ocorrerá um reequilíbrio que elevará a produtividade e colocará a economia mundial no rumo para um crescimento maior e sustentável.

“Os países desenvolverão políticas industriais nacionais explícitas e aumentarão os gastos em pesquisa e desenvolvimento para promover a inovação local, proteger indústrias nascentes e blindar os campeões nacionais de aquisições estrangeiras hostis”, disseram os analistas.

Dentro de um cenário nacionalista, os investidores deverão optar por possuir ativos reais, como imóveis e metais preciosos.


De acordo com o zodíaco chinês, 2020 é o Ano do Rato, a partir de 25 de janeiro.

Na cultura chinesa, os ratos eram vistos como um sinal de riqueza e superávit.

* Com informações da BofA Merrill Lynch Global Research

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